O futuro do trabalho e da economia

Countdown to Web Summit 2022 com Marcelo Lebre, COO e co-founder da Remote.

O trabalho remoto como novo paradigma da sociedade assenta numa mudança do poder de escolha: escolher trabalhar para viver em vez de viver para trabalhar. Neste contexto as oportunidades de emprego tornam-se globais, onde todos podem candidatar-se a um emprego numa empresa portuguesa, americana ou japonesa sem ter de sair de casa e a estratégia de contratação das empresas expande-se automaticamente de forma global, focando-se em encontrar o melhor candidato a nível mundial, sem se limitar à sua área geográfica. A evolução dos processos de contratação numa arena global exige que os salários se tornem também mais competitivos, abrindo portas à igualdade e diversidade.

O evidente crescimento de empresas a operar com recurso a trabalho remoto é tão claro que no espaço de apenas 3 anos desde que a Remote foi fundada (janeiro de 2019), passa de duas pessoas a 1000, avaliada em mais de 3 mil milhões de dólares, presente em mais de 70 países, uma empresa sem um único escritório e com operação totalmente distribuída. Através da Remote, uma empresa dos Estados Unidos da América pode contratar alguém em Portugal, oferecendo salários mais competitivos e sem que esta pessoa precise de sair do país, ou mesmo de sua casa, criando a ponte entre ambos. Ao longo de 2019 o crescimento do negócio da Remote é exponencial ainda mesmo na sua fase inicial, demonstrando um apetite voraz do mercado em relação ao trabalho remoto.

Entre a pandemia decretada em 2020 e a crescente escassez de talento no mundo digital, o trabalho remoto consagra-se uma forma de trabalho standard, mudando permanentemente a maneira como as empresas definem a sua estratégia de contratação e a maneira como todos nós encaramos o mundo das oportunidades profissionais.

Em 2022, e pouquíssimo tempo decorrido desde a democratização do trabalho remoto, vemos já as implicações sócioeconómicas que este novo paradigma tem na sociedade. Verificamos factualmente uma grande deslocação destes trabalhadores remotos que, não dependendo de uma zona geográfica, se veem agora com a possibilidade de se deslocarem para fora dos grandes centros urbanos e de países com custo de vida mais elevado para onde possam ter um nível de vida com mais qualidade. Em Portugal, em média, os trabalhadores remotos tendem a auferir salários bastante superiores ao salário médio, uma vez que competem num mercado não apenas local, mas global.

Esta tendência de deslocação de massas trabalhadoras e imigração com um poder de compra acima da média apresenta fortes indícios de crescimento, com impacto direto no mercado imobiliário local e exige melhores respostas nas áreas de residência além dos grandes centros urbanos, como serviços de restauração, escolas, lazer, etc., promovendo o comércio local e as economias nacionais como um todo.

"A evolução dos processos de contratação numa arena global exige que os salários se tornem também mais competitivos, abrindo portas à igualdade e diversidade."

Alguns economistas apelidam esta tendência de turismo permanente e representa uma oportunidade única para os governos promoverem o talento nacional e captarem o talento internacional como fonte de receita contributiva e impulsionadora de mercado. Com vista a atrair toda esta nova economia de futuro, a maioria dos países encontra-se a trabalhar na modernização das leis laborais para que se adaptem a esta nova realidade, bem como a apoiar o investimento externo através da simplificação da incorporação de empresas e adotando processos tributários reconhecidos internacionalmente.

O futuro do trabalho instala-se assim, de forma bastante rápida, mudando hábitos, carreiras, leis, paisagens urbanas e descentralizando economias, mas, acima de tudo, focando-se na melhoria da qualidade de vida de todos.

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