Não havia tantos desempregados desde o verão de 2018

Taxa de desemprego volta a subir em novembro, com INE a estimar mais de 347 mil desempregados. A criação de emprego recua já por dois meses consecutivos.

Já não havia tantos desempregados desde agosto de 2018. Nas estimativas do Instituto Nacional de Estatística, conhecidas na quarta-feira, novembro terá terminado com 347 400 pessoas sem trabalho, um máximo de 15 meses, com a taxa de desemprego a regressar aos 6,7%.

Em termos absolutos, são mais nove mil desempregados do que em outubro, mas também mais 2600 do que no mesmo mês de 2018. A taxa de desemprego era então a mesma que é calculada agora nas últimas estatísticas.

O agravamento dos dados acontece após um verão de melhorias significativas, que levaram a taxa de desemprego aos 6,4% em agosto, um mínimo só encontrado quando se recua até 2002.

Esta deterioração do mercado do trabalho sucede também no quadro de uma redução recente na população ativa - menos 12 mil indivíduos desde setembro - e com a criação de emprego travada desde então. O emprego recua já por dois meses consecutivos, após um período de abrandamento. Por comparação com setembro, os últimos dados mostram menos 19 200 pessoas empregadas. A taxa de emprego fica em 62,5%, duas décimas abaixo do mês anterior.

Com os dados mais recentes, a taxa de desemprego na média dos 12 meses anteriores a novembro rondará os 6,6%, duas décimas acima da previsão que apontava para uma taxa de 6,4% em 2019.

Entre os jovens, considerados até aos 25 anos, a taxa de desemprego terá também tornado a subir, atingindo 19% em novembro, depois de um mínimo de 16,9% registado em fevereiro anterior. Entre os adultos, a taxa está nos 5,7%.

As estimativas do INE serão confirmadas no próximo mês e poderão aprofundar a perceção de que já haverá poucos ganhos a acrescentar no país em termos de criação de emprego.

Em dezembro, o Banco de Portugal previa no seu boletim económico moderação no mercado do trabalho, mas não ainda recuos na geração de novos postos de trabalho, citando condições como a maturação do ciclo económico e a redução e envelhecimento da população. No horizonte, antecipava a manutenção da tendência de queda da taxa de desemprego até pelo menos 2022, devendo ficar neste ano em 5,9%.

Já o governo, no relatório da proposta do Orçamento do Estado, vê a taxa cair para os 6,1%, e prevê uma melhoria do nível de emprego em 0,6% nos meses que correm até dezembro.

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