Melhor escola de programação chega ao país financiada por mecenas

Santander, Vanguard Properties e Ming C. Hsu são parceiros fundadores que trazem a Escola 42 para Portugal. Vagas têm inscrição subsidiada a 100%.

É considerada a melhor escola de programação do mundo, com uma taxa de empregabilidade que se aproxima dos 100%, e chega este ano a Lisboa, com o patrocínio de mecenas de peso que vão subsidiar a 100% os cursos, assegurando um financiamento de 7 milhões de euros para os próximos cinco anos para cobrir os custos da operação, de forma a oferecer o programa sem custos para os alunos.

"A pandemia veio reforçar a certeza de que o futuro da nossa economia depende da competência e da inovação digital e Portugal tem um défice muito grande na formação de profissionais de qualidade, pelo que a 42 Lisboa nos parece absolutamente urgente", justifica Pedro Santa Clara, diretor da escola, professor na Nova SBE e cara da equipa da Shaken not Stirred, que lidera o projeto educativo.

Em Portugal, Banco Santander, Vanguard Properties e a empresa sino-americana Ming C. são os parceiros fundadores da Escola 42, criada há sete anos em Paris e já replicada em 19 cidades no mundo, estando prevista a abertura de outras 11 neste ano, além de Lisboa.

A Comissão Europeia estima que existam no país 15 mil vagas para informáticos por preencher em 2020 e estes mecenas juntaram-se ao projeto da Escola 42 - cujos alunos têm sido recrutados por todo o tipo de empresas, das Fortune 100 a startups, incluindo LinkedIn, Uber, XBrain, Facebook, Samsung ou Microsoft - precisamente para ajudar a responder a essas necessidades.

"Em 2019 assistimos à saída de Portugal da Zalando, uma das maiores plataformas europeias de moda online, depois de ter investido 3 milhões no primeiro ano de operações e só ter conseguido 20 dos 150 profissionais que precisavam de contratar", lembra Pedro Santa Clara, assumindo a ambição de dar um "contributo importante na formação digital avançada". A razão de ser gratuita, financiada por mecenas, à semelhança das outras Escola 42, é "garantir que esta formação é acessível a todos, selecionando os alunos pela sua motivação e não pela sua capacidade económica", não sendo exigido qualquer background académico aos candidatos.

O responsável vê nesta iniciativa, que acredita capaz de criar uma onda de mudança, um sinal de confiança no futuro "para encorajar e mobilizar a sociedade portuguesa". "Na 42 Lisboa os alunos aprendem a aprender, a encontrar soluções para problema complexos. O programa não desenvolve apenas as competências técnicas de um programador, mas também a capacidade de superação, de resolver problemas complexos e de trabalhar em equipa, num modelo de ensino que replica o ambiente profissional", explica ainda, considerando que a proximidade às empresas é "o melhor trunfo desta formação".

Como funciona

Com inscrições abertas a partir de hoje, os primeiros 150 alunos serão selecionados entre outubro e janeiro para o programa que arranca em fevereiro, privilegiando um método de ensino pedagogicamente inovador que promove uma aprendizagem sem o formato tradicional das aulas, sem horários e gamificada. Aos candidatos é apenas exigida a idade mínima de 17 anos, sendo encorajada a inscrição de alunos mais velhos que procuram uma mudança de carreira e não sendo necessária formação prévia ou experiência em programação.

"A motivação principal dos nossos parceiros é criar a oportunidade para desenvolver talento: uma aposta num modelo de educação inclusivo, disruptivo e tecnológico", explica Santa Clara, assumindo uma preocupação em garantir a melhor preparação para o mundo digital que leva mecenas e organizadores do projeto educativo a trabalhar em conjunto "para oferecer oportunidades de trabalho e garantir que o currículo da escola permaneça sempre relevante à medida que a tecnologia evolui".

O recrutamento

Conforme explicam os responsáveis pela entrada da Escola 42 a Portugal, o processo de candidatura às primeiras 150 vagas é feito online, envolvendo dois testes que avaliam o raciocínio lógico e a capacidade de trabalhar sob pressão. "O primeiro teste dura 10 minutos, seguido de outro teste de duas horas e 48 horas depois os candidatos sabem se passam ou não à fase seguinte - um bootcamp de um mês conhecido como a Piscine. Quem 'aprender a nadar' está pronto a entrar no programa 42."

Uma vez selecionados, os alunos têm até cinco anos para completar os 21 níveis do programa (o habitual é concluí-lo em 3,5 anos, incluindo dois períodos de estágio de quatro a seis meses), que se concluem através do desenvolvimento e conclusão de projetos individuais ou de grupo avaliados pelos colegas. "Todos os alunos devem reservar algum tempo da semana para avaliar projetos dos colegas, sendo assim promovido o espírito de comunidade, a responsabilidade pelo outro e a aprendizagem entre pares", explicam os responsáveis.

O campus da 42 Lisboa está aberto 24 horas por dia, sete dias por semana, de forma a adaptar-se aos horários e planos de desenvolvimento individuais dos alunos.

Joana Petiz é jornalista do Dinheiro Vivo

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