Lojas sem mãos a medir mas com dificuldade em contratar para a época de Natal

Candidatos escasseiam ou não têm os requisitos necessários para os empregos agora disponibilizados. Empresas adaptam as estratégias para conseguir colaboradores.

O Natal está a chegar e com ele vêm as prendas e as refeições especiais com quem nos é mais querido. Mas, se a preparação da festa da família obriga a compras extra por parte dos consumidores, por outro lado faz com as marcas de retalho também tenham de reforçar as suas equipas, de forma a dar vazão ao aumento da procura.

Conseguir encontrar quem queira trabalhar nesta altura do ano não se tem revelado uma tarefa fácil, para a Multipessoal. A empresa de Recursos Humanos explicou ao DN que continua a registar dificuldade na identificação de perfis para preencher a totalidade das vagas em aberto.

A staffing associate director da Multipessoal confirma que apesar existir um ligeiro aumento do número de candidatos disponíveis, este ainda não é suficientemente significativo para se evidenciar uma inversão desta dificuldade. "Tendo em conta os desafios esperados em matéria de identificação de candidatos, a Multipessoal iniciou este ano mais cedo as diligências de identificação e validação de candidatos para os pedidos de aumento de atividade nesta altura do ano", revelou Cláudia Duarte, adiantando que a expetativa de contratações exclusivas para a época natalícia ronda os 500 a 600 colaboradores.

Embora os empregadores estejam a mudar os requisitos no que aos candidatos diz respeito, a verdade é que neste último trimestre de 2022 se está à assistir a uma criação líquida de emprego de 46% no setor do retalho. Os dados são avançados por Vítor Antunes, managing director da Manpower, que remetendo para o Manpower Employment Outlook Survey, garante que o valor representa um reforço de 33% face ao período homólogo.

"Estes indicadores, refletem algum otimismo por parte dos empregadores do setor e contrariam a ideia generalizada de que vamos entrar em recessão económica", afirma o responsável, que frisa a curiosidade do facto. "Representa perspetivas positivas para o final do ano".

As necessidades dos empregadores relativamente a quem contratam mudaram e atualmente estão identificadas cinco competências essenciais no talento que pretendem. Capacidade de iniciativa, trabalho em equipa e espírito colaborativo, criatividade e originalidade, resiliência e adaptabilidade e fiabilidade e auto disciplina, são agora fatores decisivos numa contratação explica Vítor Antunes.

O que obriga à procura de candidatos que detenham estas competências. "Um dado que, só por si, aumenta a dificuldade de atração", comenta o managing director da Manpower, referindo que em conjunto com todas as restantes condições (taxa de desemprego, dados demográficos e níveis salariais) continua a ser "desafiante a arte de bem recrutar".

Apesar da maioria destas contratações sazonais não passem disso mesmo, certo é 25% a 35% dos colaboradores continuam a trabalhar após o período de reforço. Um facto confirmado pelo Lidl. A cadeia, à semelhança dos outros anos, teve de contratar mais pessoas para reforço das equipas de loja e entreposto. Apesar de todos os desafios do mercado de trabalho, que a cadeia alemã apelida de "cada vez mais dinâmico", conseguiu contratar cerca de cinco centenas de pessoas.

Algumas destas contratações são já sem termo e outras foram feitas para ajudar nas operações de Natal. "Para as pessoas que se diferenciarem através do seu desempenho existe a possibilidade de integração na empresa", frisa a cadeia.

Também a Auchan teve de proceder a contratações. Apesar da dificuldade e da morosidade dos processos, a empresa garante que tem conseguido recrutar para as várias alturas do ano em que existe a necessidade de reforçar colaboradores. Desde o início do ano, e para responder ao turnover, a Auchan já recrutou mais de 1500 pessoas para integrar os quadros da empresa.

Por seu turno, o Aldi que garante estar a crescer no mercado nacional, explica que a "estratégia não passa pelo recrutamento pontual para "peak seasons", mas sim pela aposta e investimento contínuo nas nossas pessoas, que são a base do nosso sucesso".

Para conseguir os seus objetivos, Vera Martinho, a managing director Human Resources da empresa, revela que a marca tem desenvolvido iniciativas de comunicação e apostado na divulgação da sua cultura.

O El Corte Inglés também procedeu a contratações para esta altura. Com os desafios do mercado de trabalho, a marca teve de entrevistar mais candidatos do que em anos anteriores. "Para manter os níveis de excelência, precisámos de reforçar várias áreas", revela, adiantando que para atrair novos talentos, mantém o networking, através da mobilização de candidatos referenciados pelos seus próprios colaboradores. "Uma estratégia que não é recente, mas que funciona muito bem", garante.

Por outro lado a Mercadona, o Leroy Merlin, o Pingo Doce e o Recheio garantem que não tiveram necessidades específicas de contratações temporárias para esta altura do ano.

Mónica Costa é jornalista do Dinheiro Vivo

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