Joaquim Brigas: "Os politécnicos e universidades no Interior têm de deixar de estar subfinanciados"

Joaquim Brigas é presidente do Instituto Politécnico da Guarda

1 - O que espera da maioria absoluta de António Costa?
Espero o que se deve esperar de um Governo que tem condições políticas para ter uma governação estratégica. Que não depende da popularidade de cada momento para levar a cabo o seu programa. Que, em vez de gerir a conjuntura, pode apostar em políticas públicas que modernizem o país em setores-chave. Um desafio crucial - só para dar um exemplo - é promover a transferência de conhecimento do ensino superior para as empresas nos territórios do interior, qualificando o tecido produtivo e aumentando a competitividade dos seus bens e serviços.

2 - O país será mais bem governado com maioria absoluta do que com acordos ou geringonças?
Ambos os modelos têm virtudes e defeitos. As geringonças promovem a cultura do diálogo, da negociação e do compromisso: em geral reequilibram direitos e diminuem desigualdades. O problema é que, ao mesmo tempo, favorecem os corporativismos, as pressões dos grupos de interesses e, por isso, a prazo, tendem para o imobilismo e abrandam o crescimento económico. As maiorias absolutas costumam promover reformas, ganhos de eficiência e sucesso no combate aos desperdícios, maiores investimentos em infraestruturas, mudanças geracionais nas lideranças e, por regra, maiores taxas de crescimento. Mas os seus defeitos também são conhecidos: suficiência, tendência para alguns sentimentos de impunidade.

3 - O que espera da atual ​​​​​​​oposição?
Que os partidos democráticos, que se revêm nos valores humanistas e no projeto europeu, aproveitem o longo tempo que têm pela frente para preparem uma alternativa séria, inspirada, bem preparada, para puderem ser uma opção válida e credível a mais quatro anos de Governo do PS. Terão de reunir, de refletir e de discutir, de ouvir a sociedade e os agentes económicos e culturais.

4 - O PSD deve preparar-se para ser uma alternativa ​​​​​​​mesmo que demore mais quatro anos a chegar ao poder?
O PSD é um dos partidos a que me referia na resposta anterior. Se quiser voltar ao poder tem de trabalhar para encontrar um caminho que represente um horizonte de esperança para o povo português.

5 -Dois ou três deputados a que vai estar particularmente atento? E porquê?
Os três deputados eleitos pela Guarda têm a obrigação e o dever político e moral de lutar na Assembleia da República para que os agentes que lutam neste território pelo seu desenvolvimento e qualificação - como o Politécnico da Guarda - tenham condições idênticas às do litoral para o fazer.

6 - Que expectativa tem em relação aos pequenos partidos que viram as suas bancadas ​​​​​​​reforçadas no parlamento?
Os democratas que defendem a liberdade, políticas inclusivas, tolerância, solidariedade e o respeito por todos têm de afirmar os seus valores.

7 -Preocupa-o que um partido histórico da democracia, o CDS, esteja agora ausente do parlamento?
Reconheço o papel do CDS na construção do regime democrático. Mas o voto do povo, por definição, tem sempre razão.

8 - O Governo está prestes a tomar posse. Para a educação e ensino superior, qual será a seu ver ​​​​​​​a medida mais urgente?
Os politécnicos e as universidades que estão no Interior têm de deixar de estar subfinanciados para poderem produzir e difundir conhecimento nas suas regiões (e noutras), para realizarem investigação de translação, para reforçarem a formação de investigadores, para qualificarem quadros empresariais, para desenvolverem trabalho colaborativo e investigação pluridisciplinar aplicada. Não pode também ser descurada uma aposta mais forte a nível de ação social para que todos os que tenham capacidade possam prosseguir estudos no ensino superior, independentemente da condição social.

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