João Leão: "Pontapé de saída para recuperação está dado"

Os ministros das finanças da União Europeia reúnem-se hoje em por videoconferência.

O Ecofin reúne-se esta terça-feira para discutir a estratégia de recuperação da economia europeia e analisar as perspetivas macroeconómicas, numa altura em que o ambiente global é de "incerteza", apontou o ministro das Finanças, João Leão, convicto de que o dinheiro da chamada bazuca está agora "um passo mais perto de chegar à economia real".

"Foi dado um passo importante na semana passada. O presidente do Parlamento Europeu e o primeiro-ministro António Costa assinaram o regulamento deste plano, o que permite que a partir do final desta semana os planos nacionais de recuperação possam ser formalmente apresentados", afirmou, considerando tratar-se de "um grande feito".

"O pontapé de saída está dado, e agora é o momento de os Estados membros canalizarem toda a atenção para a apresentação de planos que promovam o crescimento sustentável e socialmente inclusivo", afirmou.

"Na reunião de hoje vamos dedicar-nos à recuperação económica da União Europeia que estará no topo da nossa agenda durante toda a presidência portuguesa", reiterou.

Os ministros começaram por fazer uma análise das perspetivas económicas para a Europa e para os diferentes Estados-Membros.

"Neste momento a Europa continua no meio de uma terceira vaga da pandemia muito intensa mas esperamos uma recuperação forte a economia já a partir da segunda metade de 2021", salientou João Leão, referindo-se às conclusões do boletim macroeconómico intercalar de inverno.

O ministro nota, porém, o ambiente de "incerteza global ainda muito elevada", obriga os governos a "permanecerem vigilantes". "Não podemos comprometer os esforços empreendidos até agora com uma retirada prematura das medidas de apoio".

Na reunião será também discutida a estratégia de angariação de 750 mil milhões de euros para financiar o fundo para a recuperação e resiliência NextGenerationEU. "Este financiamento comum a nível europeu representa não só um passo gigantesco para a recuperação económica mas também um enorme sinal de unidade e confiança no futuro da União Europeia", afirmou.

Sobre a realização do encontro virtual, o formato que tem prevalecido nos primeiros meses da presidência portuguesa da União Europeia, o ministro manifestou-se "confiante que com o progresso das campanhas de vacinação" em toda a Europa "em breve possamos retomar as nossas reuniões presenciais".

Tempos difíceis

João Leão participou ontem na reunião do Eurogrupo, em que os ministros das Finanças da zona euro debateram o impacto económico da pandemia. O presidente do Eurogrupo, Pascal Donhoe promete já na reunião de março uma discussão sobre as próximas etapas de ajudas à economia, a contar com possíveis insolvências de empresas "não-viáveis".

"Assim que a fase de recuperação iniciar, passaremos para medidas mais direcionadas, com a questão difícil de como identificar empresas viáveis, que continuarão a precisar da nossa ajuda", afirmou Donhoe, apontando para um "quadro de insolvência que deve ser adotável, com vista a minimizar os estragos económicos".

"Estamos cientes que podem esperar-nos tempos difíceis. A maior parte das empresas, certamente, têm um futuro próspero. Mas, claro que muitas empresas vão precisar de tempo para equilibrarem as contas. E, claro que haverá algumas que não serão viáveis no curto prazo, devido à alteração das circunstâncias sanitárias", disse no final da reunião, conduzida a partir de Dublin, por videoconferência.

Durante o encontro, o comissário da Economia, Paolo Gentiloni informou os ministros sobre as conclusões do mais recente relatório com as perspetivas macroeconómicas intercalares de inverno e alertou sobre "as implicações sociais" de quaisquer decisões que venham ser tomadas.

"Precisamos de tomar as medidas certas, com vista a resolver os desafios das insolvências das empresas, nos próximos meses e anos, com as implicações sociais das nossas decisões no primeiro plano do nosso pensamento", defendeu, alertando que "estamos a lidar com empregos, trabalhadores, pessoas, e não apenas com entidades abstratas".

Dois especialistas da organização mundial de saúde participaram na reunião, apontando para um futuro incerto, a nível sanitário. "Ambos destacaram que um elevado nível de incerteza persiste", afirmou o presidente do Eurogrupo, Pascal Donhoe, referindo-se "especialmente em relação à circulação do vírus, e do aparecimento de novas variantes".

Em sentido positivo, Donhoe disse que os peritos "também elucidaram sobre o enorme sucesso que tem sido feito, em termos de testes, tratamento, e vacinação, desde que o coronavírus apareceu, há um ano".

"Os responsáveis da organização mundial de saude também sublinharam o conceito de que ninguém está a salvo, até que todos estejam a salvo", destacou o comissário Paolo Gentiloni, apontando "a importância da iniciativa global para as vacinas, elogiando a boa cooperação com a Comissão Europeia, por exemplo, com a iniciativa da Covax".

"Precisamos de fazer, - e vamos fazer -, tudo o possível" para um vacinação "bem sucedida", a qual, afirma o comissário, "é também crucial para a recuperação económica". Gentiloni reconhece, porém, que "o que quer que aconteça à nossa economia, também depende das nossas decisões, e não apenas no papel das vacinas"

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