Web Summit aponta a um futuro com mais inteligência artificial

A evolução da inteligência artificial pode trazer os carros sem condutor e novas terapias para que os utilizadores ganhem tempo

O segundo dia da Web Summit apontou para um futuro daqui a dez anos para mostrar como o mundo será marcado pelos carros sem condutor, diferentes dos carros autónomos, e pela realidade virtual, que não será usada só para lazer, mas também para, por exemplo, ajudar pessoas com dificuldades motoras em processos de reabilitação.

Carlos Ghosn, presidente executivo do grupo Renault-Nissan, apontou os carros sem condutor, e os autónomos, como uma tendência já daqui a dez anos, contando que "há um potencial tremendo. No Japão fizemos um teste: propusemos uma opção para condução autónoma com um veículo em autoestrada: 60% dos clientes que compraram esse modelo aceitaram esta opção que custava mais de mil euros. É uma enorme vantagem para o utilizador e é por isso é que todos os construtores estão a apostar numa tecnologia", que promete transformar o carro num espaço onde os passageiros passam mais tempo com outras funções, profissionais ou mesmo nas redes sociais.

O debate passou ainda pelas viagens em carros partilhados, que as empresas já estão a querer explorar, e Carlos Ghosn sublinha que "os carros partilhados são uma grande oportunidade" e "um complemento ao nosso modelo de negócio". O diretor-geral do Fórum Internacional de Transporte, José Manuel Viegas, lembra que estes serviços, muito baseados em várias apps, "podem reduzir o tráfego em um terço." Mas para isso "precisamos de passar de uma regulação pesada para um paradigma mais leve, focada no objetivo" destes serviços. "É um grande desafio cultural. É um mundo novo para os governos", concluiu.

Outra realidade

Conectividade, inteligência artificial e realidade virtual foram as três prioridades estabelecidas por Mike Schroepfer. O responsável tecnológico do Facebook revela que há tecnologia já em testes para melhorar a mobilidade de pessoas em processo de recuperação: "Estamos a construir uma experiência de imersão em que o cérebro pode assumir comportamentos diferentes", já que os utilizadores, ao verem imagens de si a andar, podem ativar o cérebro de forma a gerar novos impulsos.

A conectividade é outra das apostas da maior rede social, que quer "dar voz a 4,1 mil milhões de pessoas em todo o mundo" que ainda não têm internet. Para isso está a desenvolver soluções com o lançamento de satélites para permitir acesso à internet em locais remotos. A inteligência artificial (IA) é o terceiro pilar da estratégia do Facebook e o CTO da empresa recorda que, no início dos anos 1990, a IA não ia além da conversão de números escritos à mão em algarismos no ecrã. Mas a evolução da IA vai permitir que pessoas cegas possam saber o que está a ser partilhado, sendo certo que no caso do Facebook há dois mil milhões de fotos partilhadas por dia e cem milhões de vídeos.

A fechar o dia, os ex-jogadores de futebol Figo e Ronaldinho Gaúcho tomaram conta do palco principal para falarem da sua aplicação para smartphones iOS e Android, a Dream Football, que se destina a permitir que jovens atletas mostrem o seu talento a clubes de dimensão internacional, como Inter de Milão, SL Benfica, Rapid de Viena, Grémio de Porto Alegre. No painel "Do footballers make good entrepreneurs?", Figo confessou que levou para a vida o lema do clube onde começou: "No futebol nada te é dado se não trabalhares e se não te esforçares. E no mundo dos negócios é muito importante estar com pessoas inteligentes, estar rodeado das pessoas certas. Tal como no futebol, aqui também tudo funciona melhor em equipa. Importante é ter uma boa equipa", aconselhou Figo ao Meo Arena.

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