Santa Casa confirma entrada no Montepio

Negócio vai ficar fechado nas próximas semanas. Edmundo Martinho assegura que não vai investir mais do que 3% a 4% dos ativos da Santa Casa com entrada no capital do banco.

Está confirmado: a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) vai entrar no capital da Caixa Económica do Montepio Geral. A participação foi confirmada ao DN e à TSF pelo próprio provedor da instituição, Edmundo Martinho.

O negócio estará fechado nas próximas duas semanas e "entrará numa dimensão que está em linha com o que a própria associação mutualista decidiu na semana passada de autorizar a direção da mutualista a alienar até 2% do seu capital". Uma parcela que representa "30 a 40 milhões de euros" e na qual a Santa Casa vai participar, mas nunca com o valor total, esclarece Edmundo Martinho.

O provedor acrescenta que a instituição que gere não ficará com o total de 2% a alienar. Ainda assim, a "participação simbólica - porque representa o nosso empenho neste projeto, mas não é assim, tão simbólica no valor -" vai permitir à Santa Casa ter representantes - "em princípio dois" -, não executivos nos órgãos sociais da Caixa Económica Montepio Geral e também escolher, em conjunto com a Associação Mutualista, o presidente da Mesa da Assembleia Geral.

Edmundo Martinho lamenta ainda que ao longo deste processo, em que se discutiu a entrada da Santa Casa no capital do banco mutualista, se tenham falado em valores irreais e que se tenham especulado diversos aspetos do negócio. Garante que a entrada no banco é um "investimento". Que "além de ser afetivo, como o presidente da associação mutualista gosta de dizer, é também financeiro, porque permite que a Santa Casa consolide a sua posição e possa retirar daí benefícios que se traduzam eles próprios em capacidade acrescida de intervir".

Ou seja, Edmundo Martinho faz questão de deixar bem claro que este negócio "não é um subsídio, não é um apoio, é um investimento". "É nesse ponto de vista que o entendemos e é nessa lógica que vamos avançar."

O responsável da Santa Casa faz também questão de salientar que esta "intervenção de natureza financeira" ficará "por uma percentagem muito baixa dos ativos" da Santa Casa. "Era uma preocupação de muitas pessoas e obviamente compreensível, que era dizer a Santa Casa não pode mobilizar para isto uma percentagem muito elevada dos seus ativos." A garantia é assim que não haverá investimento acima dos "3% a 4% dos ativos", o que, no entender de Edmundo Martinho, "significa dizer que é muito seguro do ponto de vista dos investimentos".

Assegurado está também que "não põe em causa nenhum dos investimentos avultadíssimos que estão previstos para a cidade de Lisboa [como um megaprojeto de apoio a idosos que estão a desenvolver com a câmara e que tem um orçamento global de 140 milhões de euros]".

A entrada da SCML foi notícia em setembro do ano passado, embora a possibilidade estivesse a ser discutida há já quase um ano. Depois de alguns avanços e recuos, o negócio está agora a entrar na reta final. A Santa Casa pediu um auditoria interna para avaliar o investimento e contratou também o banco Haitong para avaliar o negócio. A entrada acontece depois de o governo ter feito essa sugestão. Um negócio que também conta com o aval, obrigatório, do Banco de Portugal.

(Notícia corrigida às 13h10, como novo título. Substitui o título anterior "Santa Casa entra no Montepio com participação até 40 milhões" por "Santa Casa confirma entrada no Montepio)

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