Produção de Tiago Cabaço vai ter um ano extraordinário para vinhos topo de gama

Stress hídrico levou a antecipar a vindima em um mês, mas mesmo com menos uva há a certeza que o tinto será de exceção

Pelos mais de 80 hectares de vinhas em Estremoz, em pleno coração vinhateiro do Alentejo, a produção de Tiago Cabaço aproxima-se anualmente das mil toneladas de uva. Mas em 2017 o clima não foi um aliado, chegando a impor uma quebra produtiva de cerca de 40%. Já quanto à qualidade, vem por aí excelência e topos de gama em quantidade.

Eis a explicação para que a adega de Tiago Cabaço tenha trabalhado quase menos 400 toneladas de uvas: "O stress hídrico e o facto de a planta ter acelerado o ciclo de crescimento impediram o bago de crescer quase para o dobro. Começámos a vindimar cerca de um mês antes do normal, logo no início de agosto, e à entrada da adega as uvas não pesavam." O que leva o produtor a lamentar que nestes anos até os custos sejam mais elevados no campo com o aumento do preço por quilo de uva.

Mas o contratempo tem uma notícia compensatória que anima Tiago Cabaço: sobretudo os tintos de gama média-alta e alta vão ter um ano de exceção, havendo porta aberta à produção em escala do Blogue Bivarietal e Vinhas Velhas, "sem as tradicionais limitações de garrafas", congratula-se.

Apesar das notícias que apontam ao aumento de produção de uva em Portugal, Tiago Cabaço admite que tal se deve ao reforço das novas vinhas plantadas nos últimos anos, que começaram a render em 2017, justificando que a maioria dos produtores também registou quebras acentuadas no ano passado, que prolongaram, afinal, uma tendência transversal ao país em 2016.

Natural de Estremoz e com uma infância ligada ao campo, desde criança que Tiago aprendeu alguns dos maiores segredos vinícolas à "boleia" dos pais, tendo optado por se lançar no ramo em 2004 quando criou a marca Tiago Cabaço Wines. Hoje leva o nome de Estremoz pelo mundo, exportando 25% da produção para países como França, Luxemburgo, Bélgica, Inglaterra, Suíça, Angola, Brasil, Estados Unidos, Guiné, Austrália, Suécia ou Canadá.

Pelos 23 hectares de vinhas de brancos, Tiago aposta nas castas tradicionais da região, enquanto nos 60 hectares de tintos - e depois de muitas experiências - canalizou atenções pelas castas alicante bouschet, touriga nacional, aragonez, syrah e petit verdot. Até os olhares mais distantes reparam na nova adega, junto à Estrada Nacional 4, logo à entrada de Estremoz. Dali se avistam os castelos de Estremoz e Evoramonte, à medida que a serra d"Ossa se estende até ao que a vista alcança. Lá dentro não faltam as cubas troncocónicas de pequeno volume, consideradas como as melhores por quem sabe da arte, a par de uma sala de barricas onde os melhores vinhos vão envelhecendo sem pressa.

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