Governo lança moeda virtual para dar prémio de 30 mil euros

Iniciativa GovTech desafia empreendedores a criar projetos inovadores com impacto na sociedade. Votação em plataforma blockchain será aberta ao público.

Não é uma bolsa de apostas, nem um concurso de talentos, mas não deixa de ser um pouco dos dois. Joga-se a dinheiro, mas é virtual. Existe um júri com Catarina Furtado à cabeça. No fim há um prémio de 30 mil euros para os três melhores candidatos. Podia ser o novo programa de domingo à noite de um canal generalista, mas é uma iniciativa do governo.

Chama-se GovTech e quer chamar a atenção dos empreendedores de todo o país. Para participar, não basta ter uma ideia brilhante, é preciso apresentar um protótipo. "O GovTech quer responder aos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável definidos pela ONU, com os quais o Estado português se comprometeu. Estamos à procura de produtos ou serviços que apresentem soluções para os problemas", explica ao DN/Dinheiro Vivo Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa.

E a lista de problemas é longa. Começa pela saúde e educação, passa pela igualdade de género e a pobreza, e termina na indústria, inovação e energias renováveis. "O objetivo é premiar produtos com impacto social."

O isco é a lista de prémios que os três vencedores vão levar para casa. 30 mil euros, um protocolo de colaboração com o Estado para desenvolver o produto, um espaço numa incubadora de empresas, apoios à internacionalização com o patrocínio do Instituto Camões e três bilhetes Alpha para a Web Summit, com direito a expositor.

O concurso pisca o olho às startups, mas não é só destinado a elas. "É provável que a maior parte dos candidatos sejam startups. Os projetos não têm de ser originais, podem já ter sido apresentados em outros concursos ou numa ronda de financiamento. Acreditamos que quem vai passar é quem já tem alguma experiência", afirma Graça Fonseca.

Além da montra final, e da meta nobre de salvar o planeta, o concurso traz outro brinde. "Isto tem dimensão mundial. Os 17 objetivos da ONU são partilhados por centenas de países, o que significa que há um mercado brutal na perspetiva de escalar o produto. É uma oportunidade para os empreendedores se projetarem a nível internacional."

Mas antes de conquistar o mundo, é preciso conquistar votos. E é aqui que surge outra novidade: o governo rendeu-se à blockchain. Pela primeira vez, o executivo vai testar uma plataforma baseada na tecnologia que está por trás das moedas virtuais, como a bitcoin. E vai criar uma moeda própria, para uso exclusivo no concurso.

"Os vencedores serão escolhidos por um júri e pelo público em geral. Todos poderão registar-se na plataforma e votar nos seus candidatos preferidos. Ao abrirem uma conta, recebem logo um valor em GovTechs, que são a nossa moeda virtual. E ao votarem num candidato, é como se estivessem a investir dinheiro nele. Depois haverá incentivos. Por exemplo, trazer amigos para a plataforma vale moedas extra. É um investimento virtual, em esquema de troca e recompensa, mas é também uma forma de mobilizar as pessoas", detalha Graça Fonseca.

Entre os membros do júri estão confirmados nomes como João Borga, da Startup Portugal, Marco Fernandes, da PME Investimentos, ou Catarina Furtado, embaixadora das Nações Unidas. No painel de jurados vão sentar-se também membros do governo, "para seguirem o desenvolvimento do protótipo".

O prazo para as candidaturas arranca a 2 de maio e estende-se até 8 de junho. Da fase blockchain vão sair seis projetos finalistas, que em outubro terão a prova de fogo num grande evento final. Cada candidato terá uma "ilha" e a missão de mostrar ao júri como funciona o seu protótipo. Caberá aos jurados escolher os três vencedores, que vão depois sair da ilha para ir mudar o mundo.

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