20 anos do euro. Perguntas e respostas sobre a moeda única

Em 1 de janeiro de 2019 celebram-se vinte anos do lançamento do euro, hoje a divisa de mais de 300 milhões de europeus. Eis algumas questões sobre a moeda única.

O que aconteceu há 20 anos?

Em 1 de janeiro de 1999 foi lançado o euro, que se tornou a moeda de mais de 300 milhões de pessoas. Naquele dia foi fixada a taxa de câmbio, e, a partir daquela data, em termos de política monetária, as moedas nacionais como o escudo deixaram de ter existência independente. Contudo, nos três anos seguintes o euro foi uma divisa invisível, apenas usada para fins contabilísticos, como, por exemplo, pagamentos eletrónicos. Só em 1 de janeiro de 2002 é que entraram em circulação as notas e moedas de euros.

Ao todo, quantos euros há em circulação em notas?

Segundo o Banco Central Europeu (BCE), no final de novembro de 2018 havia 1,2 biliões de euros em notas de euro em circulação. De acordo com os mesmos dados, a nota mais numerosa é a de 50 euros -- havia 10,11 mil milhões destas notas em circulação no mês passado.

E em moedas?

No final de novembro, as moedas em circulação representavam um valor de 28,78 mil milhões de euros. A mais numerosa é a moeda de denominação mais pequena -- havia 35,4 mil milhões de moedas de um cêntimo a circular.

Quantos países usam o euro?

O euro é a moeda oficial de 19 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda e Portugal. No total, mais de 340 milhões de europeus usam o euro.

E estão todos no euro desde o início?

Não. Portugal faz parte do grupo de 11 fundadores que está na moeda única desde o seu início, juntamente com Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo. A Grécia não cumpria inicialmente os critérios de adesão e só se juntou à união monetária em 2001. Com a expansão da União Europeia a Leste a partir de 2004, a zona euro ganhou novos membros. Em 2007, aderiu a Eslovénia; em 2008, Chipre e Malta; em 2009, a Eslováquia; e, em 2011, a Estónia. Os últimos dois países a entrarem na zona euro foram a Letónia, em 2014, e a Lituânia em 2015.

Quem é que fabrica as notas e moedas do euro?

A produção de notas é partilhada entre os bancos centrais nacionais, sendo o BCE a atribuir os volumes de produção. De acordo com o BCE, a produção de notas de euro está a cargo de 11 fábricas de notas de alta segurança, localizadas na Europa, sendo depois distribuídas pelos vários bancos centrais nacionais. De salientar que existe um sistema comum de controlo da qualidade que assegura padrões uniformes para todas as notas de euro. Já as moedas de cada país são produzidas por entidades nacionais. Em Portugal, a cunhagem de moedas de euro cabe à Casa da Moeda.

Como é que se pode saber se uma nota foi fabricada em Portugal?

Em Portugal existe uma empresa impressora de notas, a Valora, S.A., que funciona nas instalações do Banco de Portugal no Carregado e que produz a quota-parte de notas de euro sob responsabilidade do Banco de Portugal. Ao verificar o número de série da nota, a letra antes do número identifica o país onde ela foi produzida. Se a letra for "M", a nota foi fabricada em Portugal. A letra "U", por exemplo, refere-se a notas fabricadas em França e a letra "S" corresponde a notas de Itália.

Onde ficam os edifícios retratados nas notas de euro?

Em nenhum local em concreto. As pontes, janelas, pórticos e fachadas retratados nos euros são fruto da imaginação do artista austríaco Robert Kalina e retratam estilos arquitetónicos da História da Europa. Quanto mais valiosa a nota, mais recente é o estilo. Por exemplo: a nota de 5 euros é ilustrada por motivos arquitetónicos no estilo "clássico", a de 10 euros é de estilo "romântico", a de 20 é de estilo "gótico", a de 50 é "renascentista", a de 100 é de estilo "barroco e rococó", a de 200 retrata a arquitetura em ferro e vidro do século XIX e a nota de 500 tem arquitetura "moderna".

Reinhold Gerstetter foi o artista selecionado para adaptar o desenho das novas notas da série Europa, a segunda série de notas de euro. O desenhador residente em Berlim deu uma aparência renovada e cores mais fortes às notas da nova série, criando também elementos visuais mais arredondados e pontes mais tridimensionais, como indica o BCE.

Quando surgiu a segunda série de notas de euro?

A segunda série de notas de euro foi designada "Europa", porque dois dos seus elementos de segurança incluem um retrato da figura mitológica grega Europa. As quatro primeiras notas da nova série, de 5 euros, 10 euros, 20 euros e 50 euros, entraram em circulação em 2013, 2014, 2015 e 2017, respetivamente.

As novas notas de 100 euros e 200 euros, que foram apresentadas em setembro de 2018, vão entrar em circulação em 28 de maio de 2019, ficando assim completa a emissão de notas da série Europa, uma vez que o BCE decidiu acabar com a produção da nota de 500 euros, apesar das notas da primeira série se manterem em circulação.

Quais foram as novidades de segurança da nova série?

Os elementos de segurança da série Europa foram melhorados, tendo sido acrescentados alguns novos, como o retrato da figura mitológica Europa. Tal como na primeira série de notas de euro, é fácil de verificar a autenticidade das notas da série Europa através da metodologia 'tocar-observar-inclinar', sem necessidade de quaisquer instrumentos.

Os novos elementos de segurança incluem uma série de pequenas linhas impressas em relevo nas margens esquerda e direita; marco de água com retrato; o símbolo do euro pode ser visto no filete de segurança, enquanto a palavra "EURO" surge nas notas da primeira série; existe um holograma com retrato da Europa e foi introduzido o número esmeralda, ou seja, número brilhante no canto inferior esquerdo com um efeito luminoso de movimento ascendente e descendente. Além disso, o número muda de cor, passando de verde-esmeralda a azul-escuro.

Qual é a origem dos desenhos das moedas de euro?

As moedas de euro têm uma face europeia comum e uma face nacional, que identifica o país emissor. As faces nacionais das moedas portuguesas foram desenhadas por Vítor Manuel Fernandes dos Santos, tendo como tema central os três selos reais de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, rodeados por castelos e escudos de Portugal, e pelas 12 estrelas da União Europeia.

É possível haver euros de países que não pertencem à zona euro?

Sim. Existem moedas de euro de países que não são sequer membros da União Europeia: Mónaco, São Marino e Vaticano.

Ainda se pode trocar notas e moedas de escudo?

As moedas de escudo já não se podem trocar porque o prazo acabou no final de 2002. Já as notas podem ser trocadas até 20 anos depois da data de retirada de circulação da chapa. Para as notas mais recentes, como a de dois mil escudos com Bartolomeu Dias ou de dez mil escudos escudos com o Infante D. Henrique, o período de troca prolonga-se até 28 de fevereiro de 2022, inclusive.

E quanto valia um euro em escudos?

A taxa de conversão do escudo para euros foi fixada definitivamente em 31 de dezembro de 1998: um euro valia 200,482 escudos.

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