Autoeuropa. Integração de 250 operários desbloqueia acordo salarial

Administração e trabalhadores chegaram a acordo: salários sobem 3,2%, com retroativos a outubro

A integração de 250 trabalhadores com contratos a prazo, até ao final de dezembro, e o fim da tabela A0 para operadores e do primeiro nível de integração para especialistas nas futuras admissões foram a moeda de troca que permitiu desbloquear as negociações salariais na Autoeuropa, que se arrastavam desde dezembro, apurou o DN/Dinheiro Vivo.

Administração e Comissão de Trabalhadores da fábrica da Volkswagen em Palmela anunciaram ontem que chegaram a acordo para um aumento salarial de 3,2%, com um mínimo de 25 euros, retroativo a 1 de outubro de 2017. E o pagamento de uma gratificação de cem ou 200 euros em abril conforme a antiguidade. Inicialmente, a Comissão de Trabalhadores, liderada por Fernando Gonçalves, reivindicava uma atualização salarial de 6,5%, com um aumento mínimo de 50 euros.

O pagamento de seis bolsas de estudo para filhos de trabalhadores para frequentar o ensino superior e condições especiais para grávidas, com o pagamento de um subsídio no valor de 10% do salário, foram outros pontos do acordo, que irá agora ser apresentado em plenário aos 5700 trabalhadores na terça-feira, dia 27.

"Acho que é um bom acordo", defende Fernando Gonçalves. Mas o fim das negociações salariais não aliviou o ambiente de tensão na fábrica de Palmela, criado pelos novos horários de trabalho ao sábado e pelo desentendimento sobre o pagamento das horas extraordinárias. A administração, depois de chumbados pelos operários dois pré-acordos assinados com a comissão de trabalhadores, acabou por impor, até agosto, horários de trabalho de seis dias por semana, divididos por 17 turnos, para conseguir responder ao aumento das encomendas do T-Roc, o primeiro grande modelo saído da Autoeuropa em larga escala e considerado crucial para a estratégia da VW.

No próximo ano, prevê-se que sejam produzidos 240 mil carros em Palmela, o que obrigou já a empresa, que recebeu um investimento de 677 milhões de euros, a anunciar a contratação de mais 400 trabalhadores. O T-Roc levou já à contratação de mais de 2000 trabalhadores.

Em cima da mesa das negociações está agora o horário de trabalho que deverá vigorar a partir de agosto. Hoje, o Sindel, afeto à UGT, vai apresentar à administração da Autoeuropa um acordo de empresa, como existe na restante indústria automóvel, que prevê que os sindicatos passem a ser parte integrante nas negociações. "Não queremos tirar poder à comissão de trabalhadores, nem a substituir em processos negociais. Gostaríamos apenas que os direitos dos trabalhadores estivessem acautelados com força de lei e que os acordos com a comissão de trabalhadores deixassem de ser meros acordos de cavalheiros", explicou Carlos Silva, secretário-geral da UGT, em declarações ao DN/Dinheiro Vivo. A proposta, acredita, permitiria desbloquear o braço-de-ferro que dura há seis meses.

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