Ainda viu uma "Bin Laden"? As notas de 500 euros começam a sair de circulação

A partir de 27 de janeiro, bancos centrais dos países da zona euro vão começar a reter as notas de 500 euros

A decisão é polémica e teve resistência até do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, mas vai ser posta em prática já este mês: a partir do dia 27 de janeiro, os bancos centrais de quase todos os países da zona euro - exceto Alemanha e Áustria - vão começar a reter as notas de 500 euros.

Segundo números divulgados esta segunda-feira pelo El País , circulam na Europa 521 milhões de notas de 500 euros, também conhecidas como "Bin Laden" - porque todos ouvem falar delas, mas nunca as veem. As notas vão ser retidas sempre que chegarem aos bancos centrais mas as que continuem a circular não têm prazo de validade e serão sempre aceites como método de pagamento.

A principal razão que levou à decisão de retirar do mercado as notas de 500 euros relaciona-se com a sua utilização para "atividades ilícitas", refere o Banco Central Europeu (BCE), ainda que o próprio presidente tenha defendido as notas de 500 euros até 2013: "Estas notas cumprem um papel como depósito de valor, como meio de pagamento e como refúgio de ativos", assegurava Draghi. Porém, o BCE acabou por decidir suspender a produção das notas de 500 euros de forma definitiva em 2018, devido à sua má fama enquanto instrumento de atividades ilícitas. Ainda assim, o banco central frisa que não é "a autoridades competente para lutar contra o branqueamento de dinheiro, que é uma responsabilidade nacional dos Estados-membros da União Europeia".

A partir deste mês de janeiro, nenhum banco privado voltará a receber notas de 500 euros, ainda que estas possam ser trocadas nos bancos centrais da zona euro sem limite de tempo e se mantenham legais. No entanto, nem todos os bancos centrais agirão de igual forma: para garantir uma "transição harmoniosa e por razões logísticas", explicou o BCE, a Alemanha e a Áustria continuarão a introduzir no mercado as notas de 500 euros até ao próximo dia 26 de abril. A medida foi interpretada como uma cedência do BCE, já que a Alemanha não acolheu com agrado a suspensão destas notas.

De acordo com números citados pelo El País, o auge das notas de 500 euros já vai longe: entre janeiro de 2016 e novembro do ano passado, o BCE reduziu em 14,7% a circulação das notas, sendo que existem ainda 521 milhões em todo o mundo.

Em 2016, quando o BCE anunciou que iria deixar de produzir as notas de 500 euros, a interpretação desta decisão não foi consensual. Ao DN, economistas garantiram que iria criar-se uma situação "perversa". "A maior parte das pessoas nunca viu uma nota de 500 euros. Eu nunca vi. Mas 30% da circulação [de notas] é precisamente de notas de 500 euros. Há aqui um problema", dizia então Nuno Teles, investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e especialista em questões financeiras.

Fonte da PJ com experiência no combate ao crime financeiro admitia também ao DN que a saída destas notas de circulação teria um efeito positivo, na medida em que dificultará a deslocação de dinheiro vivo.

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