Insurtech: quando a tecnologia nos aproxima dos seguros

Countdown to Web Summit 2022 com João Freire de Andrade, Executive Director da Start Ventures; Presidente e Fundador da Portugal Fintech; Professor de Fintech na UCP.

Se sou um bom condutor posso pagar menos de seguro do que alguém com uma condução agressiva? Quando compro um smartphone online posso instantaneamente finalizar a compra com um seguro adequado? Há uma cheia e a indemnização pode ser paga imediatamente, pois a peritagem do sinistro é validada com o cruzamento de dados climatéricos e a geolocalização da propriedade? A reposta é sim. A nível mundial a tecnologia tem permitido que este tipo de exemplos seja uma realidade. As insurtechs têm um papel fundamental.

Insurtech não é mais do aplicar ao sector dos seguros, "insur", uma camada de tecnologia, "tech", que permite tornar realidade não só os exemplos acima referidos, como vários outros casos. O sector segurador é percepcionado como um dos sectores que menos abraçou a disrupção tecnológica. Para muitos, a experiência de comprar um seguro é igual há décadas pois é feita através do agente local. Mas dado que os seguros estão intrinsicamente ligados aos gestos mais corriqueiros da vida das pessoas, têm muito a ganhar com a tecnologia e estão a fazer por isso.

Em Portugal existe um sector insurtech cada vez mais forte. Ao ler a última edição do Portugal Fintech Report é possível perceber que o insurtech está no top 3 de verticais com mais empresas deste sector, contabilizando 17% das empresas. Sendo regulado, a importância de um regulador acessível, claro e ágil é extrema. O Finlab - programa que permite aos projectos mais inovadores terem um ponto de contacto com todas as autoridades de supervisão financeiras Portuguesas - é já um bom primeiro passo.

Dos múltiplos temas que estão a ser resolvidos pelas insurtechs, há alguns que ajudam a tangibilizar o impacto na vida das pessoas:

· Embedded finance: A literacia e o acesso aos seguros é um problema a nível mundial e Portugal não é excepção. A prática de embutir um produto financeiro, neste caso um seguro, na jornada de um cliente retira muita inércia deste processo. O exemplo mais clássico é quando comprarmos um bilhete de avião ser-nos sugerido um seguro para essa viagem. Em Portugal a insurtech Habit permite a qualquer empresa, seja online ou em loja, fazer a venda de um seguro complementar ao seu produto.

· Transição climática: O sector financeiro tem um papel nevrálgico na economia e serve muitas vezes para chegar aos outros sectores. Um exemplo recente foi a sua utilização na distribuição dos apoios (infelizmente na sua grande maioria créditos) às PME"s durante os primeiros e mais agudos meses de confinamento. Actualmente esta estratégia pode ser repetida passando a considerar- se nos modelos de preço dos créditos e de seguros a sustentabilidade energética da empresa que quer contrair esse produto. Outra forma do insurtech ter impacto é através da redução da pegada de carbono na gestão de sinistros. Reparar uma peça danificada ou comprar uma nova peça criam níveis de emissões bastante diferentes. A insurtech Claims Carbon apoia de forma granular as seguradoras, não só a contabilizar, mas também a desenhar a sua estratégia de redução de pegada ecológica na resolução de sinistros.

· Ecossistemas: Cada vez mais as pessoas querem produtos que funcionem numa lógica de ecossistemas. Conseguir fazer várias coisas numa só app e sem fricção (ex. sincronizar o método de pagamento, preferencias do utilizador, etc.). Basta pensar que a mesma empresa que começou por nos oferecer TVDE"s alargou o seu ecossistema e agora oferece também entrega de comida em casa ou aluguer de trotinetes. O mesmo se passa no sector financeiro. A Coverflex - equipa que ainda no mês passado foi reconhecida com o prémio de empreendedores do ano em Portugal - criou uma plataforma que permite aos empregadores providenciar aos seus empregados benefícios de forma simples. Os seguros são uma das principais peças.

No fundo, esta nova economia muito falada durante o Web Summit, está também a trazer através da tecnologia os seguros para perto das pessoas.

Nova rubrica

Countdown to Web Summit 2022 é uma nova rubrica no Diário de Notícias que antevê algumas das tendências que vão marcar o próximo encontro mundial das startups no final de outubro, em Lisboa. Até à semana do evento, estarão em análise as oportunidades e os desafios dos investidores, os exemplos inspiradores e as novidades que vão marcar a agenda dos empreendedores nacionais e mundiais. O palco passa por aqui, com a reflexão de especialistas numa nova série de artigos de opinião. O artigo hoje publicado tem a assinatura de João Freire de Andrade,Executive Director da Start Ventures; Presidente e Fundador da Portugal Fintech; Professor de Fintech na UCP.

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