Inovação, um fator diferenciador das startups no ecossistema global de empreendedorismo

Web Summit 2022, com análise de João Mendes Borga, Executive Board Member, ANI-Agência Nacional de Inovação.

Quando dois investigadores decidiram que era o momento de inovar na forma como utilizávamos a internet e criar uma startup, muitos dos seus colegas consideraram que a tarefa seria hercúlea e quase impossível. Já, nessa altura, proliferavam motores de busca bem implementados neste setor como a Yahoo e a IOL. Mas estes investigadores da Universidade Stanford sabiam que, no âmbito das suas pesquisas, tinham encontrado uma forma mais fácil, simples e rápida de viajar pela internet. Larry Page e Sergey Brin arriscaram e apostaram no processo de simplificarem as nossas vidas e de resolverem de uma forma inovadora um problema: como encontrar o que procuramos na internet? Embora a questão parecesse simples envolvia muita matemática e depois, de muitas horas em quebra-cabeças, nasce a Google.

A inovação é um dos motores que alimenta o ecossistema de empreendedorismo, transformando a economia através da ciência, para desenvolver propostas de valor até então inalcançáveis.

Vejamos casos atuais dos avanços na Inteligência Artificial e nos sistemas de processamento de linguagem natural, na tecnologia mRNA das vacinas Covid ou no hidrogénio verde. Em todas as áreas, durante a Web Summit, os empreendedores vão surpreender com propostas que prometem ter um papel inovador na forma como as empresas atuam e vão impulsionar a entrada de novas startups capazes de melhorar a vida em sociedade. No entanto, a maioria as tecnologias apresentadas são o fruto do trabalho de muitos cientistas que levaram à construção da base de conhecimento na qual os potenciais unicórnios se apoiam.

No nosso país também se faz transferência de conhecimento científico para a economia com elevado potencial e temos um conjunto de líderes da indústria e das empresas que acreditam que este é o fator diferenciador que poderá levar-nos a uma economia e a um futuro mais promissor. A Sensei, Defined.ai ou UnBabel são exemplos de startups que lideram agendas mobilizadoras para a inovação com propostas de investimento de mais de 170 milhões de euros, para além das inúmeras outras que estabelecem parcerias com empresas mais consolidadas para implementar projetos de transformação disruptiva na área da saúde, alimentação ou mobilidade elétrica, entre outros.

Esta transformação é o reflexo de uma nova era no tecido empresarial português em que já não se olha para as startups como "os projetos de uns miúdos", mas como potenciais líderes do setor para o futuro. Graças a casos como o da Uber e Airbnb todos nos apercebemos de como as equipas inovadoras podem transformar, em um curto espaço de tempo, todo o panorama de um setor.

Esta realidade também se reflete no apoio que o Estado e as políticas públicas dão a estas entidades, que no caso da Agência Nacional de Inovação (ANI) se concretiza na promoção do vínculo a mais de 70 Centros de Tecnologia Inovação e CoLAB (laboratórios colaborativos) que trabalham em parceria com as startups mais inovadoras para desenvolverem novos produtos e mantê-las atualizadas sobre novas oportunidades, quer seja através do financiamento nos vários programas quer seja no financiamento através da ligação a programas como o PRR.

Adicionalmente, a ANI faz parcerias com entidades como a Portugal Ventures e a Startup Portugal para investir nas melhores ideias oriundas das nossas universidades e instituições de investigação, inovação e ensino tendo já investido em mais de 40 startups e estando a ultimar o investimento em mais 30.

Tal como os dois fundadores da Google que se depararam com os colegas a olharem com alguma desconfiança para a sua iniciativa é indispensável quebrarmos barreiras entre a ciência e a economia, é necessário que os empreendedores se aproximem de investigadores e vice-versa, que lhes apresentem os problemas que estão a tentar resolver para que as soluções sejam diferenciadas de outros concorrentes a nível global, atribuindo-lhes assim uma vantagem competitiva considerável num mercado global e concorrencial pela obtenção de recursos, clientes e as propostas mais inovadoras.

Nova rubrica

Com a Web Summit 2022, o Diário de Notícias lançou uma nova rubrica em que são abordadas algumas das tendências que marcam o encontro mundial de startups, que já decorre em Lisboa. Estarão em análise as oportunidades e os desafios dos investidores, os exemplos inspiradores e as novidades na agenda dos empreendedores nacionais e mundiais. O palco passa por aqui, com a reflexão de especialistas numa série de artigos de opinião. O artigo hoje publicado tem a assinatura de João Mendes Borga, Executive Board Member, ANI-Agência Nacional de Inovação.

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