Grande Lisboa tem pior ritmo de colocações de desempregados

Centros de emprego do Barreiro, Montijo, Lisboa, Amadora e Sintra reintegram no mercado de trabalho apenas um décimo ou menos das novas inscrições de desempregados

A cada centena de novas inscrições no desemprego, o Centro de Emprego Sul Tejo, que serve quatro concelhos da margem do Tejo, entre estes Barreiro e Montijo, consegue apenas a reintegração profissional de sete desempregados. Já em Lisboa, a relação é de nove para cem, e em Amadora e em Sintra fica em dez colocações por cada cem novos registos.

Os dados, divulgados ontem pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), são relativos a maio e mostram que os centros de emprego destas zonas da Grande Lisboa têm os piores ritmos de colocação do país num momento em que o desemprego registado é o mais baixo em quase duas décadas, mas o peso do desemprego de longa duração se mantém elevado.

Segundo as últimas estatísticas, o mês passado terminou com um número global de 296 394 registos oficiais de desemprego, correspondendo a um recuo de 5,7% face a abril e de 26,3% relativamente a maio de 2021. É o número mais baixo de toda a série de informações mensais do IEFP, que arranca em 2003, mas fica próximo daquele que foi alcançado em julho de 2019, o segundo mês com menor desemprego no historial dos centros de emprego nacionais (297 290).

Contudo, mantém-se elevado o peso do desemprego de longa duração, com cerca de metade dos inscritos há um ano ou mais sem trabalho. A percentagem de desempregados de longa duração era em maio de 49,1%, abrangendo 145 642 pessoas, e tem-se mantido nesse nível desde o final de 2021.

Já as inscrições de novos desempregados atingiram no mês passado 37 070, numa redução de 1,5% face a abril, mas ficando 8,8% acima do valor de um ano antes.

O ritmo de colocações registou também uma melhoria face ao mês anterior, subindo 2,7% para um total de 9287 reintegrações no mercado de trabalho, mas ficou, por outro lado, 8,3% abaixo de um ano antes.

O número representa um rácio de 25 colocados por cada cem novos desempregados.

Se é em Lisboa e Vale do Tejo que se realiza uma parte significativa das colocações nacionais, com 2615 reintegrações ou quase um terço do total, alguns dos centros de emprego da região são também aqueles que apresentam os níveis mais baixos de reintegrações face aos fluxos de inscrições de novos desempregados.

Em maio, e em números absolutos, o Centro de Emprego Sul Tejo recebia 934 desempregados, obtendo 61 colocações. Para os centros de Lisboa entravam 2213 novas inscrições, com apenas 189 colocações. A Amadora recebia 702 novos desempregados, colocando 73. E Sintra recebia 1226, com 126 colocações.

Além destes quatro centros de emprego, surgem com as mais baixas percentagens de colocações Viana do Castelo (13%), Matosinhos (14%), Cascais, Vila Nova de Gaia, Lamego, Bragança (todos com 15 colocações a cada cem novos desempregados).

Já os melhores desempenhos em termos de colocações são obtidos nos centros IEFP de Figueira da Foz (67%), Póvoa do Varzim (66%), Alentejo Litoral (60%), Covilhã (58%), Pinhal Interior Norte (55%), Dão-Lafões (55%), Guarda (54%), Loulé (50%), Médio Tejo (48%) e Horta, nos Açores (43%).

Dos 57 centros de emprego nacionais, apenas oito realizavam em maio colocações que representavam pelo menos metade das novas inscrições no desemprego.

Por outro lado, os piores registos de desemprego de longa duração são obtidos nos centros de emprego de Vila Real (61% das inscrições mantêm-se há mais de um ano), Funchal (60%), Lamego (60%), Vila Nova de Gaia (59%), Tâmega e Sousa (58%), Matosinhos e Penafiel (ambos com 57%), Valongo (55%), Porto (55%) e Alto Tâmega (54%). Predomina a região Norte, onde o desemprego de longa duração abrange 53% dos desempregados.

Maria Caetano é jornalista do Dinheiro Vivo

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