Governo vai cortar défice público para 3,2% em 2022

Défice do próximo ano deverá descer para 3,2% do produto interno bruto (PIB), revelou deputado do PEV (Os Verdes), aos jornalistas. Dívida afunda para 123%, disse o ministro na reunião com este partido.

O défice público inscrito no Orçamento do Estado para o próximo ano (OE2022), que está a ser apresentado aos partidos com assento parlamentar, deverá ser de 3,2% do produto interno bruto (PIB), revelou o deputado do PEV (Os Verdes), aos jornalistas, esta quarta-feira. O peso da divida deve afundar para 123% do PIB, a economia deve crescer 5,5% e o desemprego alivia ligeiramente para 6,5% da população ativa.

Depois de reunir com o ministro das Finanças para falar sobre o OE2022, José Luís Ferreira desvendou que, no documento que está a ser preparado no Terreiro do Paço, o governo vai manter a meta de défice para 2022 igual à que estava prevista desde abril, no Programa de Estabilidade (PE), o mesmo sucedendo ao défice deste ano.

João Leão também terá dito que a estimativa do governo é reduzir o défice final de 2021 para 4,6% do PIB (igual ao que está no PE). E reforçar o corte no ano seguinte, como referido.

José Luís Ferreira disse ter ficado preocupado com esta "corrida" pela descida do défice, que pode comprometer as "respostas que são necessárias dar no Orçamento, tendo em conta os problemas do País".

Também à saída da sua reunião com o ministro, João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, disse ter ficado "ainda mais preocupado do que quando entrei".

Disse que o ministro "não faz ideia de como vai controlar a despesa pública" e exclamou que as Finanças prevêem um crescimento da massa salarial da função pública "de mais de 5%" e que lhe disseram na reunião que a maior parte da criação de emprego em 2022 é por via da expansão do emprego público. "Parece a viúva alegre que acha que pode gastar tudo o que não tem", comentou o deputado liberal.

Investimento público dispara outra vez

Fazendo fé no que disse o ministro ao deputado dos Verdes, o investimento público vai disparar 30% no ano que vem, sobretudo impulsionado pelos fundos europeus, parte deles, subvenções.

Já a dívida pública cai de forma significativa. O deputado dos Verdes disse que o ministro vai por no novo OE um objetivo de rácio de dívida pública de 123% do PIB, igual, portanto ao valor do PE de abril. Este ano, o peso da dívida deverá ficar em 128%, talvez um pouco abaixo.

Quanto à retoma da economia (crescimento do PIB), "o Governo prevê que seja de 4,6% este ano e de 5,5% em 2022", segundo disse o deputado, citando os valores que lhe foram comunicados pelo governante. Mais 5,5% em 2022 significa que o governo está a rever em forte alta o ritmo da retoma. No PE, previa 4,9% de crescimento.

Já a incidência do desemprego cai, mas devagar. As Finanças estão a estimar 6,8% da população ativa no desemprego este ano, valor que desce para 6,5% no ano que vem.

Para José Luís Ferreira, "se há crescimento da economia, este tem de ter reflexos na vida material das pessoas, desde logo ao nível do poder de compra".

"Se não valorizamos os salários quando a economia está a crescer, então nunca é oportuno valorizar os salários", defendeu o deputado.

(atualizado 15h10 com declarações do deputado Cotrim Figueiredo)

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