Governo japonês inspeciona sede da Mitsubishi devido a falsificação de dados

O relatório interno apresentado pela empresa foi considerado insuficiente

O Ministério dos Transportes japonês visitou hoje a sede da Mitsubishi Motors, em Tóquio, a propósito da investigação relacionada com a falsificação de dados sobre o consumo de combustível em alguns modelos dos seus carros.

Os funcionários do ministério, que já visitaram as oficinas do fabricante automóvel em Okazaki, no centro do Japão, para uma primeira inspeção no final de abril, deslocaram-se à sede da Mitsubishi na capital após considerar insuficiente o relatório interno apresentado na quarta-feira.

Nesse relatório, a empresa explica que um dos seus encarregados da área de desenvolvimento de produtos indicou ao gerente de uma filial responsável por fazer os testes de combustível que utilizasse dados melhores do que os obtidos para se cumprirem objetivos definidos, indicam hoje meios de comunicação social nipónicos.

Ambos os trabalhadores analisaram os resultados dos testes em pista, que não cumpriam com as metas traçadas pela empresa, e a subsidiária procedeu como lhe foi pedido, apesar de manifestar dúvidas de que no futuro se poderiam alcançar objetivos mais ambiciosos, detalhou a emissora pública NHK.

A implicação de um titular de um cargo de responsabilidade mostra que o fabricante em si -- e não a filial -- teria supervisionado a manipulação, pelo que a Administração quer "revelar a participação da oficina central", disse hoje, em conferência de imprensa, o ministro dos Transportes, Keiichi Ishii.

O Governo deu ainda à Mitsubishi um novo prazo -- até à próxima quarta-feira -- para a entrega de um novo relatório interno.

A Mitsubishi Motors admitiu em abril que os seus funcionários alteraram a pressão do ar dos pneus durante testes para avaliar o consumo de quatro modelos de miniveículos (carros com motores de menos de 600 centímetros cúbicos), dos quais foram vendidos 625 mil no Japão.

No decurso das suas investigações para determinar o alcance do escândalo, a empresa reconheceu que este tipo de prática se estendeu a outros modelos e que, além disso, usou métodos para testar a eficiência energética dos veículos com padrões que o Japão não considera válidos desde 1991.

Como resultado, estas viaturas foram vendidas sob a falsa garantia de que o consumo -- uma das facetas que os permite ser mais competitivos e ser abrangidos por determinados apoios públicos -- era entre cinco e dez por cento mais eficiente do que na realidade é.

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