EDP ganha extra de 210 milhões com venda de barragens no Douro

Elétrica portuguesa vendeu seis barragens a consórcio francês por 2,21 mil milhões de euros e espera 'luz verde' do Governo para fechar negócio nos próximos 12 meses. Maior concorrência pode beneficiar os consumidores.

Dia de muitos milhões para a EDP: a elétrica portuguesa vendeu seis barragens no rio Douro por 2,21 mil milhões de euros, num dos maiores negócios dos últimos anos em Portugal. A empresa ganhou mesmo um extra de 210 milhões para reduzir a dívida porque apenas contava obter um encaixe de dois mil milhões de euros. O negócio deverá ficar fechado até ao final do próximo ano e a expetativa da empresa é que o Governo não se oponha ao negócio.

"Estamos confiantes que a venda seja aprovada. É inquestionável a qualidade técnica e qualidade financeira do consórcio comprador", assinalou ontem António Mexia, presidente executivo da elétrica. Além da Autoridade da Concorrência, este negócio tem de ser validado pela Direção-Geral de Engenharia e Geologia, pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela REN.

O conjunto de empresas gaulês que comprou estas infraestruturas é liderado pela elétrica Engie, com uma posição de 40% no consórcio; o Crédit Agricole Assurances ficou com uma quota de 30%; os restantes 20% ficaram na mão da Mirova, fundo de investimento da Natixis.

Das seis barragens compradas, Foz Tua, Baixo Sabor e Feiticeiro foram construídas ao abrigo do plano nacional de barragens do Governo de José Sócrates, implicaram um investimento conjunto de 1,4 mil milhões de euros, e foram concessionadas pelo Estado até ao início da década de 2093; as barragens de Miranda, Bemposta e Picote com mais de 50 anos de existência, representaram um investimento 300 milhões e têm concessões válidas até 2042, 2056 e 2063, respetivamente.

As barragens vendidas têm uma capacidade instalada total de 1689 MW e são operadas por uma equipa de 50 pessoas, que será transferida - se as pessoas assim quiserem - para a nova empresa que será constituída se o negócio for aprovado.

Esta operação também vai permitir à EDP abrigar-se da chuva. "Estamos a vender 25% do nosso portefólio hídrico, reduzindo a exposição à volatilidade, sobretudo no Norte de Portugal. Se uma nuvem passa ao lado, arriscamos a ficar sem muita água nas barragens", explicou o administrador financeiro, Miguel Stilwell.

Tendencialmente, os consumidores também poderão beneficiar de preços mais baixos na energia. A EDP, que ainda tem o monopólio das barragens portuguesas, vai reduzir a sua quota de mercado para 64% em 2025; o consórcio francês vai ficar com uma posição de 21%; a Iberdrola, que tem três barragens em construção no Tâmega, terá uma posição de 15%.

A venda deste tipo de ativos era um dos objetivos do plano estratégico 2019-2022, apresentado pela elétrica em março deste ano.

Também na altura, a EDP falou sobre o reforço da aposta nas energias renováveis. Nesse campo, o grupo, através da EDP Renováveis, assegurou um contrato de 15 anos para venda de eletricidade produzida através de fontes renováveis. A eletricidade será produzida por um portfólio "de 11 projetos de energia eólica onshore, com capacidade total de 307 MW". A instalação dos parques eólicos irá acontecer em 2021 e 2022. Com o novo contrato, a EDP Renováveis passará a ter, em 2022, um portfólio de mais de 750 MW de capacidade eólica instalada na Polónia.

Só que o carvão ainda continua a fazer parte do portefólio do grupo. À custa das centrais de carvão de Sines e das Astúrias, a EDP vai sofrer um impacto negativo nos resultados anuais deste ano de 200 milhões de euros.

A "redução dos preços do gás, a perspetiva de aceleração do crescimento da capacidade instalada de energias renováveis, a manutenção de uma elevada carga fiscal sobre estes ativos e a vontade política de antecipação dos prazos de encerramento destas centrais", explicam a decisão da elétrica, sem impacto na política de atribuição de um dividendo de pelo menos 19 cêntimos por ação até 2022.

A EDP, que já tinha gerado imparidades com as centrais a carvão em 2018, assegura que nos próximos anos "não são esperadas mais imparidades", declarou António Mexia.

Diogo Freitas Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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