Dielmar. Trabalhadores marcam concentração para 2.ª feira

Trabalhadores da Dielmar, empresa têxtil sediada em Alcains que pediu a insolvência, vão concentrar-se na segunda-feira junto aos Paços do Concelho de Castelo Branco

"Os trabalhadores decidiram esta tarde em plenário fazer na segunda-feira uma concentração em frente à Câmara de Castelo Branco, às 15:00", afirmou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa, Marisa Tavares.

A dirigente adiantou ter sido informada de que esta semana o presidente da Câmara de Castelo Branco, José Augusto Alves, "vai ter uma reunião com o Ministério da Economia", uma reunião também pedida pelo sindicato.

"Na segunda-feira, tentaremos perceber como decorreu a reunião com o presidente da câmara e reavaliaremos a situação, para tomar as medidas que forem necessárias na salvaguarda dos postos de trabalho", acrescentou Marisa Tavares.

A empresa Dielmar, com sede em Alcains, concelho de Castelo Branco, e cerca de 300 trabalhadores, pediu a insolvência ao fim de 56 anos de atividade, uma decisão que a administração atribui aos efeitos da pandemia de covid-19.

Esta manhã, o presidente da Câmara de Castelo Branco disse que a insolvência da empresa de vestuário Dielmar é "uma situação trágica para o concelho".

"É uma situação trágica para o concelho. É, obviamente, lamentável chegarmos a este ponto. A Câmara Municipal tem estado sempre a acompanhar esta situação, no entanto, aquilo que não queríamos que acontecesse, aconteceu", declarou José Augusto Alves.

Segundo o autarca, a insolvência "era uma situação que se vinha a desenhar de há uns tempos a esta parte", pelo que "era expectável".

José Augusto Alves esclareceu que "há bastante tempo" pediu uma reunião com o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, "porque esta situação poderia acontecer", pedido que reiterou no fim de semana, aguardando uma resposta.

Já o Sindicato dos Trabalhadores do Setor Têxtil da Beira Baixa pediu medidas para evitar a paragem da laboração na Dielmar.

"Queremos que sejam tomadas todas as medidas para que não haja paragem da laboração, para que seja continuada a laboração após as férias, e para a manutenção dos postos de trabalho", afirmou a presidente do sindicato.

Marisa Tavares considerou "inaceitável que as trabalhadoras tenham sabido da intenção da empresa pela comunicação social no decorrer do dia de ontem [domingo], quando estão de férias".

"É uma situação que não devia ter acontecido", referiu a dirigente, adiantando que o sindicato, com sede na Covilhã, "não estava a contar com a apresentação da empresa à insolvência".

A este propósito, observou que "a comissão sindical tem reunido mensalmente com representantes" da Dielmar "e não estava colocada em cima da mesa esta possibilidade".

Em comunicado, a administração da Dielmar diz que a empresa "após ter ultrapassado várias crises durante 56 anos", sucumbiu à pandemia da covid-19, "contaminada por um conjunto de situações que foram letais".

"Esta crise atacou, globalmente, o que de melhor sustentava a sua atividade: o convívio social, os eventos e casamentos, com a elegância, o 'glamour' da alfaiataria por medida e a personalização em que nos especializamos, e o trabalho profissional no escritório, que eram a base fundamental do negócio da Dielmar", sublinha a empresa.

No comunicado, a empresa salienta que os últimos 16 meses foram "longos e duros" e que fez "um esforço imenso e solitário" para conseguir sobreviver e manter os atuais cerca de 300 postos de trabalho.

"Por isso, não podemos deixar de dar uma palavra de gratidão os nossos trabalhadores, que estiveram sempre ao lado da empresa e do nosso lado, a lutar diariamente connosco pela sobrevivência da empresa, com um imenso empenho e dedicação", afirma o conselho de administração.

A empresa lamenta a decisão, frisando que tem ainda "maior preocupação" pois sabe "o quanto a desertificação" afeta a região (Castelo Branco), "que se vê a braços com uma nova e forte redução populacional, conforme o demonstram os recentes censos".

"Talvez a insolvência da Dielmar seja o alerta e o farol para que possam repensar com caráter de urgência o interior e apoiar as indústrias que ainda aqui existem e que suportam, há décadas, a fixação das pessoas e a economia e equilíbrio social da região. E que proporcionam, sobretudo, oportunidades de trabalho para as mulheres", sublinha o conselho de administração da empresa.

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