Desenvolver e exportar serviços tecnológicos. Uber lança novo hub em Lisboa

Tecnológica investe 90 milhões de euros na capital portuguesa para ter um centro de excelência. Pretende recrutar 200 pessoas até ao final do ano.

Há sete anos, quando a Uber chegou a Portugal, contava com quatro funcionários. Agora, são cerca de 400 e, até ao final do ano, a tecnológica que opera no segmento da mobilidade vai ter 600 em Lisboa. Isto porque espera contratar mais 200 pessoas até ao final de 2021. Com a abertura do novo centro de excelência (hub) na capital portuguesa, a empresa vai alargar as competências que vão ser fornecidas a partir de Lisboa para outros mercados, em particular no sul da Europa, o que explica o aumento do número de recursos humanos.

"Uma das coisas que vamos fazer aqui é a gestão diária de mobilidade e entrega", começa por explicar Manuel Pina, diretor geral da Uber em Portugal, ao Dinheiro Vivo. "Depois existe uma componente especializada em casos específicos. Gerimos através das aplicações milhões de interações todos os dias. Infelizmente, nem todos estes milhões de interações correm sempre bem. Em alguns casos há temas que é necessário fazer investigações, como segurança, deteção de fraude, fazer uma investigação, entrar em contacto com as autoridades, fazer um acompanhamento mais próximo do utilizador. Isso também vai ser feito a partir daqui", acrescenta o responsável.

Assim, uma parte do que vai ser feito em Lisboa é o desenvolvimento e exportação de serviços tecnológico sobretudo para a Europa do Sul. "É também aqui que vai estar uma equipa que vai ser responsável por reunir, por exemplo, o feedback que recebemos em relação às viagens ou entregas de refeições, e digerir este feedback e transforma-lo em algo que seja passível de ser utilizado para melhorar a experiência e o produto daqui para a frente. Isto em Portugal e em outros países".

A nova sede e o centro de excelência representam um investimento de 90 milhões de euros, sendo que, deste montante, foi já gasto 60 milhões e os restantes 30 milhões vão ser executados ao longo dos próximos quatro anos. "Começámos já em 2016/2017 a ponderar a possibilidade de instalar um hub em Portugal. A nossa ponderação surgiu através da combinação de dois fatores. O primeiro tinha a ver com: será que Portugal consegue reunir um conjunto de competências que estamos à procura?! O segundo teve a ver com a nossa operação em Portugal e relação com os portugueses. Dificilmente conseguiríamos fazer o mesmo num país onde a Uber não tivesse sido aceite como foi", explica o diretor geral para o mercado português.

Manuel Pina assume que, "desde cedo que os portugueses queriam o nosso serviço" e daí que a "aceitação fosse bastante clara desde o principio". Por isso, não houve dúvidas quanto à instalação do centro em Portugal, um dos mercados que, pela sua dimensão geográfica, é mais pequeno que outros no Sul da Europa.

"Mais importante que o volume do investimento é o conjunto de competências que conseguimos desenvolver aqui, que depois se vai traduzir numa sustentabilidade a longo prazo não só do negócio em Portugal mas, diria, do modelo de negócio da Uber no mundo inteiro. Neste momento, a partir de Lisboa, estamos a prestar serviços que não têm grande ligação com Portugal, do ponto de vista de língua, cultura e acreditamos que vamos conseguir, cada vez mais, prestá-lo para novos países. Isto só é possível num mundo em que as pessoas conseguem estar à distância, mas num mundo em que é possível reunir, recrutar e treinar o conjunto de competências que acreditamos serem necessárias para manter a aplicação simples e segura", remata.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG