Desemprego não era tão alto desde julho de 2018

O ano de 2019 terminou com mais 14 800 desempregados e a taxa média deverá ficar em 6,6%, duas décimas acima das previsões do governo no Orçamento, a confirmar-se a estimativa do INE. Emprego está a recuar há três meses.

Pela primeira vez desde 2012, o ano deverá terminar com um aumento do número de desempregados. A confirmarem-se as estimativas do INE, em vez de somar empregos e absorver trabalhadores, o mercado de trabalho do último ano marcará a primeira deterioração desde a crise, ainda que ligeira. Tudo porque 2019 terminou com mais 14 800 desempregados e menos 3400 pessoas no emprego do que os que havia em dezembro do ano anterior.

Os dados ainda vão ser confirmados no próximo mês, mas dezembro terá registado 357,7 mil pessoas registadas no desemprego, um crescimento de 4,3% em termos homólogos. A economia também chegou ao fim do ano com menos gente a trabalhar, numa quebra ligeira de 0,1%. Ao todo, estavam no mercado de trabalho 4,839 milhões de pessoas.

Com estes dados, e com a população ativa a conhecer um aumento ligeiro de 11,2 mil pessoas no período de um ano, a taxa de emprego retomou aos níveis pré-verão, nos 62,3%, com o emprego a recuar consecutivamente nos três meses até dezembro.

Já a taxa de desemprego atingiu 6,9%, o nível onde esteve pela última vez em julho de 2018. Este máximo mensal de 17 meses chega na reta final de um trimestre particularmente mau. Após melhorias substanciais, que empurraram o desemprego para mínimos vividos pela última vez no verão de 2002, o final do ano foi somando desempregados desde novembro.

Com base nos dados provisórios agora conhecidos, o último ano terá terminado com a taxa média anual de desemprego nos 6,6%, duas décimas acima do que prevê o governo na proposta do Orçamento do Estado.

Em dezembro, houve mais otimismo nas estimativas de desemprego e também no que diz respeito à criação de emprego, com a proposta de Orçamento a estimar para 2019 um crescimento do emprego em 1% (a previsão era de 0,6% no último Programa de Estabilidade). Este último dado tem na base contas nacionais, cujo último relato trimestral só vai ser conhecido a 5 de fevereiro, oficializando os dados de desemprego e emprego do último ano. Os números poderão frustrar as previsões do Ministério das Finanças.

Já para o presente ano, o governo continua a contar com novas descidas no desemprego, com a taxa a descer até aos 6,1%. Na criação de emprego, o cenário macroeconómico de Mário Centeno antecipa abrandamento, com apenas mais 0,6% de postos de trabalho preenchidos face a 2019. Ambos os dados, juntamente com aquela que será a evolução dos salários (o governo prevê mais 3,8%) e medidas para melhorar a cobrança das contribuições, serão determinantes para sustentar uma previsão de receita acrescida por conta de contribuições sociais na Segurança Social na ordem dos 6,3%, mais de 19,5 mil milhões de euros, nas contas públicas de 2020.

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