Deco espera aumentos das comissões bancárias em 2022 e deixa críticas

O Novo Banco foi um dos bancos que já anunciaram um agravamento do preçário. Deco Proteste prevê que os bancos em Portugal voltem a penalizar os clientes ao subir alguns preços de serviços em 2022 "sem fundamento"

O ano novo costuma ser sinónimo de comissões bancárias mais altas. O primeiro trimestre de cada ano costuma ser pautado pelos anúncios de um agravamento dos preçários dos bancos. Segundo a Deco Proteste, o ano de 2022 não será exceção e antecipa que a banca vá aumentar os valores de alguns serviços nos seus preçários, incluindo os relacionados com cartões de débito e de crédito. A Deco Proteste critica o progressivo aumento de preços quando a banca está mais digital e continua a fechar balcões e a despedir trabalhadores. "Não há argumentos para estes aumentos. Cada vez os portugueses têm menos banca, mas uma banca mais cara", disse Nuno Rico, economista da Deco Proteste.

Segundo um levantamento da ComparaJá, há três bancos com comissões mais altas já anunciadas para 2022. O destaque vai para o Novo Banco que alterou preços de diversos serviços prestados. "No que ao Novo Banco diz respeito, existirá mudanças tanto para os particulares como para os outros clientes", referiu a plataforma de comparação de produtos e serviços financeiros numa análise.

"Os clientes particulares terão, assim, de pagar bem mais nos depósitos à ordem, verão mudanças pouco significativas relativamente ao crédito pessoal e irão gastar mais dinheiro nas ações e serviços de cartões de crédito e débito", adiantou. Neste banco, a comissão de manutenção de conta à ordem vai passar a ser a mesma, independentemente do saldo. O valor a pagar anualmente será de 62,30 euros para todos. No preçário anterior uma conta à ordem com saldo superior a 35 mil euros pagaria uma comissão de manutenção anual de 12 euros. Também os cartões de débito e de crédito vão ter os preços agravados. A anuidade dos cartões de débito Verde e da gama Classic passa de 10 euros para 15 euros, uma subida de 50%. Também os cartões de débito Gold passam a ter uma anuidade de 30 euros face ao anterior custo de 20 euros.

"Para já, o Novo Banco anunciou aumentos de comissões para 2022 mas é muito expectável que os outros bancos sigam a mesma tendência e anunciem aumentos no primeiro trimestre do novo ano", apontou Nuno Rico. "Estas subidas de preços ocorrem sem fundamento. Os bancos estão cada vez mais digitais e continuam a fechar balcões e a reduzir o número de trabalhadores", frisou.

Também o Activo Bank e o Millennium bcp reviram os preços de alguns serviços mas poderão ainda anunciar novas alterações aos seus preçários.

Segundo a ComparaJá, "no Activo Bank, banco onde os novos preços estarão em vigor a partir do dia 5 de janeiro, são de destacar as alterações no custo dos serviços de notas estrangeiras". "Além disto, é importante realçar os valores que serão aplicados no que diz respeito à declaração de informação", salientou. "No Millenium bcp, as alterações serão apenas nas contas de depósito e na prestação de serviços, sempre a outros clientes", aponta. "É ainda de notar que as empresas que tenham um crédito superior a 2 milhões não terão de pagar nada para a manutenção das contas", adiantou.

André Pedro, diretor da ComparaJá, apontou que "é normal e recorrente que novos anos tragam, de facto, alterações mais significativas" nos preçários dos bancos. Frisou que, "no que diz respeito concretamente a 2022, a verdade é que ainda nem todos os bancos apresentaram os novos valores com que os clientes vão lidar, pelo menos, no início do ano". Destacou que, "normalmente, estas alterações acabam por ser direcionadas a nuances de manutenções de conta, a questões inerentes ao crédito pessoal ou até mesmo a aspetos que influenciam o dia-a-dia das pessoas" com os bancos.

Para Nuno Rico, "a conta bancária tornou-se num serviço essencial"e as comissões cobradas deveriam "ser mais transparentes" e serem justificados os motivos para o agravamento dos preços. O economista defendeu ainda uma alteração das condições da conta de serviços mínimos bancários, para que passe a abranger clientes que tenham outras contas bancárias.

RECOMENDAÇÕES PARA POUPAR

Fazer contas
Cada cliente bancário deve analisar o tipo de serviços de que necessita pois pode estar a pagar por serviços que não utiliza. O ideal é verificar se a conta que tem inclui serviços que efetivamente utiliza.

Procurar alternativas
Depois de fazer o levantamento dos serviços de que necessita, o cliente bancário deve procurar alternativas e comparar. Mudar de banco pode gerar poupanças substanciais, segundo a Deco Proteste. E vários bancos têm um serviço de ajuda a transferência de banco.

Simular custos
No site da Deco Proteste há um simulador de custos com contas e serviços bancários. Também no site do Banco de Portugal há um comparador de comissões bancárias.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

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