Deco contra decisão de cobrar mais a quem usa Via Verde extra portagem

Associação para a defesa do consumidor alega que empresa do grupo Brisa apenas fez mudanças comerciais por falta de concorrência em Portugal.

A Via Verde vai alterar a oferta em 2022. A partir de 5 de janeiro, vai haver um serviço só para pagar portagens (Via Verde Autoestradas); se as portagens não forem suficientes, terá de ficar com a Via Verde Mobilidade para aceder a mais serviços e passará a mais 50 cêntimos por mês ou mais 5,90 euros por ano. As mexidas são contestadas pela Deco.

"A Deco Proteste repudia a prática comercial anunciada pela empresa, que sujeita os clientes a aumentos que chegam aos 50%, muito acima dos 3% previstos para a inflação, para manterem o acesso aos serviços que já tinham contratado com o operador, o que só pode estar escudado pelo facto lamentável de não existir concorrência que ameace o domínio inequívoco da Via Verde neste mercado", refere a associação para a defesa do consumidor em nota de imprensa.

Na comunicação das alterações aos clientes, a Via Verde diz que vai criar novos serviços para os consumidores em 2022. Como tal ainda não aconteceu, a associação Deco alega que a mudança da oferta da empresa da Brisa "apenas conduzirá os consumidores a pagarem muito mais caro pelo mesmo conjunto de serviços de que já dispunham".

A Deco alega ainda que a Via Verde vai "descontinuar a venda de identificadores", passando a basear a oferta em modelos de subscrição. A Via Verde confirma ao Dinheiro Vivo que essa modalidade "será descontinuada em janeiro de 2022". Ou seja, terão de aderir aos serviços de aluguer quando precisarem de substituir o dispositivo.

A organização para a defesa do consumidor receia até que "os atuais proprietários de identificadores acabem por ser encurralados no momento em que os seus dispositivos precisem de nova pilha, não lhes sendo dada outra alternativa que não a subscrição de uma assinatura", refere o comunicado. A Via Verde esclarece que no serviço de aluguer há "garantia vitalícia do identificador".

A associação acusa ainda a Via Verde de funcionar "há décadas como operador único no sistema de cobrança de portagens em Portugal".

Fonte da Via Verde justificou ao Dinheiro Vivo as mudanças com a necessidade de "simplificar e clarificar" a oferta de serviços desenvolvidos nos últimos anos "em ambiente concorrencial". Mais de metade dos clientes da Via Verde não usa só as portagens.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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