Corrida ao solar vai acelerar com mais 12 centrais a saírem do papel

Produção ficou aquém das metas estabelecidas em 2018, mas Governo insiste na "triplicação" da capacidade produtiva nos próximos anos. Novas centrais serão determinantes

A aposta em energias renováveis tem estado no topo da agenda política nos últimos anos, com a corrida ao solar em destaque. Em 2018, o governo afirmou que queria triplicar a produção de energia solar no país até 2020. O objetivo foi anunciado em junho desse ano pelo ministro da Economia à data, Manuel Caldeira Cabral. De acordo com os dados recolhidos pelo Dinheiro Vivo, o crescimento da produção e potência instalada do solar cresceu à volta dos 54%, entre 2018 e 2020. Trata-se de um aumento, mas abaixo das metas anunciadas. Uma situação que o atual executivo acredita que irá alterar-se nos próximos anos, "mais que triplicando" até a "capacidade instalada no ano de 2018". As 12 centrais que recentemente obtiveram licenciamento elétrico vão ajudar a acelerar a estratégia.

Questionado sobre as possíveis explicações para o crescimento estar abaixo do objetivo traçado há três anos, fonte oficial do gabinete de Matos Fernandes respondeu que,"nos últimos dois anos, foi dado um impulso determinante à tecnologia solar fotovoltaica, não só com os leilões solares realizados em 2019 (com 1292 megawatts) e 2020 (670 MW) e naquele que será realizado este ano (destinado ao solar flutuante), mas também com o mecanismo dos acordos entre promotores e os operadores de rede (3500 MW contratualizados), para criação de capacidade de injeção na rede de energia elétrica, produzida a partir de fontes renováveis, custeada pelos promotores".

Ou seja, contas feitas, nos últimos dois anos, foram adjudicados mais de 5 mil MW. O que leva o ministério do Ambiente e Ação Climática a estar confiante que estes "dois mecanismos levarão Portugal a ultrapassar, com larga margem, o objetivo referido nos próximos anos, mais do que triplicando a capacidade instalada no ano de 2018".

O caminho para alcançar as metas de produção de energia solar tem sido trilhado a passos lentos. Até porque, como alerta a mesma fonte do governo, é preciso garantir que não há riscos ambientais, entre outros. "Deve ser salientado que, apesar de moroso, o processo de licenciamento dos centros eletroprodutores e dos elementos das redes elétricas necessários ao escoamento desta produção, é necessário salvaguardar que os impactos ambientais e outros, decorrentes da implantação destas e de outras centrais, são mitigados e que só são aprovados os projetos conformes à legislação aplicável", relembrou o gabinete de Matos Fernandes.

A (r)evolução do solar
O peso da tecnologia solar fotovoltaica no total da produção de eletricidade em Portugal tem crescido, apesar de ainda ser pequeno. De acordo com os últimos dados da REN, gestora das redes de eletricidade, no acumulado de janeiro a final de maio deste ano, o sol contribuiu com 4,4% da energia produzida para o consumo de eletricidade em Portugal. No mesmo período de 2018 era de 2%. No total desse ano, a produção de energia solar representava apenas 1,1%. A eólica liderava com 25%, seguida pela hídrica com 24,7%. Aqui, o carvão ainda pesava 23,7% no total da produção, seguido de perto pelo gás natural (20%). A potência instalada situava-se em 572 MW.

Olhando para os dados finais de 2020, o peso da energia solar registou uma ligeira subida para 1,4% com a capacidade instalada a subir para 882 MW. A eólica continuou a trajetória ascendente (33,9%), bem como a hídrica (30,5%). Crescimentos que espelhavam já o início do fim da produção a partir de carvão que, no final desse ano, contribuiu apenas com 3,3%. Este ano, a EDP antecipou o fecho da central a carvão de Sines e está previsto o mesmo desfecho para a outra central termoelétrica do Pego.

Esta evolução e as novas centrais fotovoltaicas que estão a caminho, atribuídas nos leilões solares, levam o executivo a acreditar que "Portugal está numa trajetória de crescimento sustentado da incorporação de renováveis, não restrito à tecnologia solar, no consumo final". Nesse sentido, o gabinete de Matos Fernandes está confiante que o país "cumpra as metas com que se comprometeu" no Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC) 2030.

No âmbito da meta vinculativa da União Europeia de 32% de quota de energias renováveis, o governo traçou uma trajetória ambiciosa estimando um teto de 47% de incorporação de energias verdes no consumo final bruto até 2030. Para cumprir esse objetivo, o governo conta com o arranque das novas centrais que têm sido atribuídas nos leilões solares.

Novidades em setembro
Dos 26 lotes adjudicados na primeira ronda dos leilões solares em 2019, "atingiram o relevante marco de licenciamento elétrico 12, estando as restantes 14 ainda nesta etapa prévia à licença de construção", adiantou o Ministério do Ambiente. Quanto ao leilão de 2020, a mesma fonte relembrou que, de acordo com o determinado no caderno de encargos do concurso, "os adjudicatários [dos 12 lotes atribuídos] estão, presentemente, a fixar os terrenos para a implantação dos seus centros eletroprodutores solares, após a prévia emissão dos títulos de reserva de capacidade de injeção na rede".
Mas a corrida ao solar já tem mais etapas previstas. Para setembro está também planeado o lançamento de um novo leilão solar, desta vez específico para "o espelho de água das albufeiras", com um total de até 500 megawatts (MW), como anunciou recentemente Matos Fernandes.

jornalista do Dinheiro Vivo

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