CaixaBank diz que é "justo" preço de 1,113 euros por cada ação do BPI

Preço por ação oferecido é 16% inferior ao da OPA de 2015

O presidente executivo do CaixaBank considerou hoje um valor "justo" os 1,113 euros que a instituição oferece por cada ação na OPA lançada sobre o BPI, um preço 16% inferior à oferta de fevereiro de 2015.

Na Oferta Pública de Aquisição (OPA) falhada de fevereiro de 2015, o CaixaBank - maior acionista do BPI, com 44,1% do capital - tinha oferecido 1,329 euros por cada ação, o que valorizava o banco português em perto de 1,9 mil milhões de euros.

Na OPA voluntária anunciada hoje, o banco catalão ofereceu 1,113 euros, que - tal como no ano passado - resulta de uma média ponderada do valor das ações do BPI nos últimos seis meses. Ou seja, o BPI é avaliado em 1,6 mil milhões de euros.

Em conferência de analistas, Gonzalo Gortázar afirmou que o preço por ação oferecido hoje, 16% inferior ao de 2015, é "justo".

Caso o Caixabank ficasse com os 100% do capital do BPI (já detém 44,1%) teria de desembolsar 906 milhões de euros pelas 814,5 milhões de ações que ainda não lhe pertencem.

Gortázar realçou que a direção do Caixabank "tem confiança na operação" e que, desta vez, "funcionará".

"A OPA é a melhor solução" para o BPI, salientou.

Na mesma conferência com analistas e investidores, o presidente executivo do banco catalão foi questionado sobre se - tal como em fevereiro de 2015 - esta OPA seria um passo preliminar para a compra do Novo Banco (que resultou do saneamento do Banco Espírito Santo).

Gonzalo Gortázar respondeu apenas que, por agora, o CaixaBank está concentrado em concluir esta operação.

O CaixaBank, maior acionista do BPI, anunciou hoje uma OPA voluntária sobre o banco português ao preço de 1,113 euros por ação, condicionada à eliminação do atual limite dos seus direitos de voto.

O anúncio da OPA surge um dia depois de o banco português ter avisado o mercado de que tinha ficado sem efeito um princípio de acordo entre o CaixaBank e o segundo maior acionista do banco, os angolanos da Santoro Finance, sobre o controlo da instituição portuguesa.

O princípio de acordo, anunciado a 10 de abril, visava resolver o problema da elevada exposição do banco português a Angola. Apesar de o Banco de Fomento Angola ter representado no ano passado mais de 50% do lucro do BPI, ou seja, 135,7 milhões de euros de um total de 236,4 milhões, o BCE anunciou em 2014 a alteração da forma de contabilização dos bancos europeus com negócios em Angola, penalizando o capital.

O BPI passou então a ter de reduzir a sua exposição àquele país, mas isso fez vir ao de cima as divergências entre o CaixaBank, o principal acionista do BPI - com 44,10% do capital social, apesar de só poder exercer 20% dos votos - e a Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos, que detém 18,58% do capital.

O banco catalão adiantou hoje em nota ao regulador dos mercados de Espanha, a CNMV, que "durante a fase de aprovação [do acordo] pelos órgãos sociais competentes, a Santoro Finance comunicou ao CaixaBank que não poderia subscrever os documentos contratuais".

"Perante esta situação, o Caixabank informa que não será possível formalizar o acordo com a Santoro Finance", sublinha.

A imprensa portuguesa noticiou no domingo que o Governo português aprovou em Conselho de Ministros na semana passada uma alteração à lei que permitirá eliminar a blindagem aos direitos de voto que impedem o CaixaBank de - em Assembleia Geral de Acionistas - ter os votos correspondentes à sua posição no capital.

O primeiro-ministro, António Costa, confirmou hoje que o Governo aprovou um diploma que prevê a revisão das restrições dos direitos de voto nas instituições financeiras e disse esperar que a supervisão europeia compreenda que o BPI reduzirá brevemente a exposição a Angola.

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