Bruxelas recomenda prudência nos estímulos à economia

Comissário europeu da Economia considera que Zona Euro é resiliente, mas alertou: "As nossas economias estão a navegar em águas agitadas".

A antecipar a apresentação do Boletim Macroeconómico Intercalar de Verão, o comissário da Economia, Paolo Gentiloni afirma que Bruxelas "acompanha" o Eurogrupo na recomendação de "prudência" em relação aos estímulos económicos, no próximo ano.

Paolo Gentiloni concretiza mesmo que para países com elevada dívida pública, como é o caso de Portugal, os orçamentos do Estado devem conter "políticas responsáveis", num cenário económico comparável a "navegar em águas agitadas", principalmente devido ao impacto da guerra na Ucrânia.

"A economia da Zona Euro demonstrou resiliência aos impactos da guerra na Ucrânia, também devido à dinâmica da reabertura das economias pós-covid e o recorde de baixo desemprego, mas, todos sabemos que as nossas economias estão a navegar em águas agitadas", afirmou.

Perante o cenário caracterizado pela "incerteza", o comissário considera que os orçamentos de 2023 devem ter a "prudência" como linha orientadora, seguindo aquilo que na tarde desta segunda-feira foi recomendado pelos ministros das Finanças da Zona Euro.

"A Comissão apelou aos estados-membros para mudarem de estímulos generalizados, para políticas mais prudentes, políticas orientadas para a estabilidade, em particular para os estados-membros com dívidas elevadas", destacou.

Segundo Paolo Gentiloni, os governos devem preparar-se para enfrentar situações imprevistas na evolução da economia, que "em muitos casos" ocorrem no "sentido negativo".

"O Estados-Membros devem estar prontos a adaptar as suas políticas conforme necessário a uma situação de rápida evolução - e em muitos casos com riscos no sentido negativo", vincou, recomendando o mesmo tipo de abordagem "prudente", no caso das medidas de alívio do impacto dos preços dos combustíveis para as famílias.

"As medidas adotadas para mitigar o impacto da crise energética devem ser dirigidas às famílias mais vulneráveis", afirmou, considerando que as medidas direcionadas "devem" ser acompanhadas da manutenção dos "incentivos à eficiência energética".

Bruxelas apresenta a sua avaliação a indicadores económicos como o crescimento e a inflação no boletim macroeconómico intercalar de verão, na próxima quinta-feira.

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