Brexit abre falha sísmica na banca de Milão a Lisboa

Desde o referendo britânico, a atenção no problemas do sector bancário tem estado concentrada em Itália

Os efeitos da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia espalharam-se por toda Europa até a sua ponta ocidental, onde Portugal luta de forma discreta para contar a crise bancária, escreve a Reuters.

Desde o referendo britânico, a atenção no sector bancário tem estado concentrada em Itália, onde o crédito malparado está a causar preocupação, as ações dos bancos caíram e a confiança está em baixo.

As tensões políticas na Europa também se aprofundaram, com Roma e Lisboa a tentarem dobrar as regras da União Europeia na questão da ajuda a bancos em dificuldades mas a encontrarem resistências da Alemanha e da Comissão Europeia.

"Está a pôr todo o sistema bancário sob stress", disse Gunnar Hökmark, um deputado no Parlamento Europeu, ecoando o nervosismo expresso pelos investidores que falaram à Reuters.

"Vai ser grave para os países que já estão numa situação frágil", disse Hökmark, que ajudou a escrever regras que impõem perdas aos acionistas e grandes depositantes dos bancos com problemas que Portugal e Itália querem afrouxar para permitir ajuda estatal.

Os problemas de Portugal têm atraído menos atenção do que os da Itália, mas a sua situação é potencialmente igualmente problemática. Os dados mostram que as poupanças portuguesas estão a ser gastas, ao contrário da Itália, e que a dívida privada é muito maior.

Uma fonte da zona euro citada pela Reuters, que pediu para não ser identificada, disse que a situação de Portugal é tão crítica como a de Itália mas que é pouco provável que o país seja tratado com complacência porque é mais pequeno e não representa uma ameaça "sistémica" para a estabilidade financeira da Europa.

Portugal tem uma visão diferente. "Para onde quer que olhemos, há uma ameaça ou um risco", disse Filipe Garcia, um especialista financeiro e consultor em Portugal. "Se o brexit causar uma crise de confiança ou uma crise financeira, será mais difícil para Portugal."

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG