Subida dos combustíveis "aparentemente descontrolada, mas temporária"

"As análises, a nível europeu, dizem-nos que os efeitos são temporários e de natureza fiscal [...]. Quero recordar que se transacionou petróleo a preços negativos durante a crise", Mário Centeno, que falava após um almoço da Câmara do Comércio Americana em Portugal.

Lusa
© (Leonardo Negrão / Global Imagens)

O governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, referiu esta sexta-feira, em Lisboa, que o aumento dos preços, nomeadamente dos combustíveis, deverá ser temporário, apesar de "aparentemente descontrolado", lembrando que o petróleo negociou a preços negativos durante a crise.

"As análises, a nível europeu, dizem-nos que os efeitos são temporários e de natureza fiscal [...]. Quero recordar que se transacionou petróleo a preços negativos durante a crise", Mário Centeno, que falava após um almoço da Câmara do Comércio Americana em Portugal.

Contudo, segundo apontou, assiste-se agora a uma reversão deste cenário "a uma escala significativa e só aparentemente descontrolada".

O antigo ministro notou ainda que todos os cenários apontam para que a inflação seja temporária e, particularmente em Portugal, contida, com 0,9% no conjunto de 2021.

"Não temos aqui uma revisão muito grande face a junho. O que estamos a ver [ao nível dos preços] já estava previsto", acrescentou, sublinhando que, apesar de temporária, a inflação é uma das "grandes preocupações" do Banco Central Europeu.

Segundo a economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), os preços da energia, cuja subida está a inquietar os investidores, deverão conhecer uma moderação "até ao final do primeiro trimestre de 2022".

"De momento, mesmo que no curto prazo os preços, durante os meses de inverno, os preços da energia continuem elevados, esperamos que desçam até ao final do primeiro trimestre do próximo ano e durante o segundo semestre", declarou Gita Gopinath, em entrevista à AFP, na quarta-feira.

Segundo Gopinath, "o grande risco" seria um inverno rigoroso que conduzisse a "cortes de energia muito maiores e cortes de energia com um efeito muito mais importante no mundo".

"O pior cenário era ter um inverno particularmente rigoroso no hemisfério norte, com uma procura de energia em alta. E isto, enquanto ao mesmo tempo, ainda não tínhamos resolvido o problema das perturbações das cadeias de produção", apontou.