Connecting Europe Express vai partir de Lisboa e ligar 70 cidades

Entre 2 de setembro e 7 de outubro, o comboio da União Europeia irá atravessar 26 países para promover o transporte público mais sustentável para o planeta.

Kátia Catulo
A travessia com mais de 20 mil quilómetros, prevista para este outono, está integrada nas comemorações do Ano Europeu do Transporte Ferroviário.© Pixabay

A data está marcada: a 2 de setembro, o Connecting Europe Express parte da Estação de Santa Apolónia, em Lisboa, e começa a sua a longa viagem de mais de 20 mil quilómetros. O percurso só ficará completo a 7 de outubro. Nesse dia, e depois de parar em 70 cidades europeias, incluindo 24 capitais, o comboio chegará finalmente a Paris.

A grande travessia, prevista para este outono, está integrada nas comemorações do Ano Europeu do Transporte Ferroviário. Entre as várias iniciativas calendarizadas, o Connecting Europe Express tem a missão mais importante de todas - demonstrar, em tempo real, que o comboio é a melhor solução de mobilidade para ligar pessoas e empresas. E, como tal, terá de ser prioritário nas políticas de infraestrutura da União Europeia.

Atravessando o continente, de Lisboa a Bucareste e de Berlim a Paris, o Connecting Europe Express assume-se, nas palavras da comissária para os Transportes, Adina Vălean, como um "símbolo de conectividade". Mas também servirá para relembrar aos estados-membros que ainda há um longo carril a percorrer antes de o comboio se tornar na opção de transporte mais popular entre os europeus.

Estratégia-chave para a descarbonização

A fim de alcançar as metas climáticas, a União Europeia tem vindo a incentivar os países a reforçar a rede não apenas com mais ligações internacionais para passageiros, mas igualmente na transferência do transporte de carga para o ferroviário. O esforço coletivo é a pedra angular do Pacto Ecológico Europeu 2019 para tornar os estados-membros neutros em carbono até 2050.

E o comboio, nesta corrida, é o transporte público mais sustentável, defende a Comissão Europeia, relembrando que o sistema ferroviário é responsável por apenas 0,4% das emissões. Segundo os cálculos da Agência Ambiental Europeia, o comboio polui 32 vezes menos do que um automóvel a combustão interna e 23 vezes menos do que o avião. A vantagem torna-se ainda mais expressiva ao se realçar que quatro em cinco comboios europeus já se movem a eletricidade.

O reduzido impacto no clima explica, por isso, por que a Comissão Europeia já alocou 5,8 mil milhões de euros para a infraestrutura ferroviária em todo espaço comunitário. Mas ainda antes de Bruxelas designar 2021 como o Ano Europeu do Transporte Ferroviário, boa parte dos países já arrancara com os seus planos para reforçar a rede. Alemanha cortou, no início de 2020, 10% nas tarifas ferroviárias de longa distância e baixou o IVA de 19% para 7%. A italiana Trenitalia prepara-se para operar em França e a francesa Ouigo, filial da SNCF, entrou, em maio, no mercado espanhol, acabando com 80 anos do monopólio da Renfe. Portugal, também apanhou a carruagem, ao anunciar no final de janeiro ao Parlamento Europeu a conclusão da linha de alta velocidade Lisboa-Madrid para dezembro de 2023.

Os desafios do comboio

Com a promessa e as primeiras iniciativas para expandir a rede, a Comissão Europeia programou o arranque da campanha do Ano Europeu do Transporte Ferroviário para setembro com o Connecting Europe Express a viajar por 26 países, divulgando os benefícios do comboio para lazer, turismo e negócios.

Em cada uma das paragens, estão previstos eventos e várias atividades, adaptados às medidas locais da COVID-19. As iniciativas têm como ponto central destacar o papel-chave que o transporte ferroviário desempenha na mobilidade europeia, mas também alertar para os desafios que o setor ainda terá de ultrapassar para atrair mais passageiros e mercadorias. Um deles passa precisamente por articular a rede europeia para garantir ligações em todas as cidades do continente.

Algo que ainda não acontece e que explica por que o Connecting Europe Express é, na verdade, não um, mas três comboios diferentes, que se vão encontrar em momentos diferentes desta viagem. Além da rota principal entre Lisboa e Paris, um segundo comboio separado irá fazer um percurso ibérico, em Portugal e em Espanha, e um terceiro completará o circuito do báltico na Estónia, Letónia e Lituânia.

Exposições e debates sob os carris

O comboio principal do Connecting Europe Express terá seis carruagens - uma irá acolher exposições móveis dedicadas às tecnologias e inovações que já estão a melhorar a experiência ferroviária, outra mostrará imagens e maquetes de projetos de infraestruturas apoiadas pela União Europeia. E uma terceira composição será destinada a encontros, debates e colóquios, sendo as três restantes para passageiros, dormitórios e restaurante.

Cinco conferências já foram confirmadas e vão acontecer ao longo da rota - em Lisboa, Bucareste, Brdo (Eslovénia), Berlim e Bettembourg, no Luxemburgo. Cada encontro terá um tema diferente, mas o ponto em comum será a discussão das metas e planos de ação para o transporte ferroviário traçados na Estratégia de Mobilidade Inteligente e Sustentável da União Europeia.

As discussões incidirão sobre a política de infraestruturas da UE e realçarão o papel da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T) na ligação não só da Europa, mas também dos transportes. Os cidadãos e as organizações interessadas em organizar um evento ou atividade ao longo do percurso são convidados a partilhar as suas ideias através de info@connectingeuropeexpress.eu.

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