Amílcar Falcão: "Aguardo com particular expectativa a versão 2.0 do Orçamento de Estado para 2022

Amílcar Falcão é reitor da Universidade de Coimbra

1 - O que espera da maioria absoluta de António Costa?
Tenho a esperança que seja uma governação capaz de levar o nosso país a enfrentar de forma eficiente os principais desafios da próxima década. Desses, destaco três nos quais as instituições de ensino superior também podem ter um importante papel: sustentabilidade, transição digital e descentralização.


2 - O país será melhor governado com maioria absoluta do que com acordos ou geringonças?
Só no final da legislatura poderemos responder cabalmente a uma questão como essa. No entanto, e porque a maioria absoluta garante um quadro de maior estabilidade, quero acreditar que o governo tem todas as condições para alcançar bons resultados.


3 - O que espera da atual oposição?
O que é desejável em qualquer contexto político: oposição atenta, construtiva, com propostas que permitam melhorar o estado do país.


4 - O PSD deve preparar-se para ser uma alternativa mesmo que demore mais quatro anos a chegar ao poder?
Não querendo abordar situações particulares do quadro partidário, aquilo que me parece evidente é que, numa democracia madura, quem está na oposição se deve preparar e posicionar como alternativa de poder, pois isso tenderá a incentivar a qualidade da gestão governativa.


5 - Dois ou três deputados a que vai estar particularmente atento? E porquê?
Não quero particularizar, mas estarei particularmente atento aos que foram eleitos por Coimbra e, especialmente, aos que foram - ou ainda são - estudantes e docentes na Universidade de Coimbra.

6 - Que expectativa tem em relação aos pequenos partidos que viram as suas bancadas reforçadas no parlamento?
São projetos políticos distintos, ainda que, enquanto Reitor, não me reveja no posicionamento de qualquer deles no que ao ensino superior diz respeito (como não me revejo noutros partidos, noutras matérias). O reforço da sua presença parlamentar servirá certamente para esclarecer qual a valia dos seus projetos políticos.

7 - Preocupa-o que um partido histórico da democracia, o CDS, esteja agora ausente do parlamento?
Mais uma vez, não gostaria de particularizar. Lamento pelo CDS, como lamento pelo PEV, porque a nossa democracia só tem a ganhar com uma grande diversidade de opções de projetos político-partidários válidos, seja à direita, à esquerda ou ao centro.


8 - O Governo está prestes a tomar posse. Para a educação e ensino superior, qual será a seu ver a medida mais urgente?
Gostaria, acima de tudo, que o Ciência, a Tecnologia e o Ensino Superior ganhassem peso político no novo Governo, um peso finalmente proporcional ao papel fundamental que as instituições de ensino superior desempenham para o progresso do país. Isso significa, como medida mais urgente, que se ultrapasse o subfinanciamento crónico que limita o desenvolvimento das nossas universidades e politécnicos. Também por isso, aguardo com particular expectativa a versão 2.0 do Orçamento de Estado para 2022.

Reitor da Universidade de Coimbra

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