Altice e Prisa acordam compra da Media Capital por 440 milhões

A compra ainda está sujeita à aprovação por parte das autoridades de concorrência

O Grupo Altice chegou a acordo com a Prisa para a compra da Media Capital SGPS, SA, que detém a TVI, anunciou hoje a empresa.

Num comunicado, a Prisa informa que aceitou a oferta da Altice pela totalidade da participação que a Prisa tem na Media Capital por 440 milhões de euros.

De acordo com uma nota da Altice enviada à Lusa, a compra da Media Capital faz parte da estratégia global do grupo, que se manifesta disposto a oferecer mais conteúdos aos consumidores, apostando em produções e formatos locais.

"A integridade e independência editorial da Media Capital servirá de princípio norteador para os negócios de média da Altice", refere a nota.

Num comunicado enviado à Comissão de Mercados e Valores Mobiliários (CMVM), a MEO, detida pela Altice, explica que o objeto da Oferta Pública de Aquisição (OPA) é constituído pela totalidade das 84.513.180 ações, com o valor nominal de 1,06 euros.

A MEO explica, ainda no comunicado, que a decisão surgiu "na sequência da celebração, no dia 13 de julho de 2017, após o encerramento do mercado em Portugal, de um contrato de compra e venda de ações com a Promotora de Informaciones, S.A. ("PRISA"), para a aquisição de ações representativas de 100% do capital social da Vertix, SGPS, S.A. ("Vertix"), que é titular de ações representativas de 94,69% dos direitos de voto do Grupo Media Capital, SGPS, S.A".

No final de junho, na assembleia geral de acionistas, o presidente do Conselho de Administração da Prisa, Juan Luis Cebrián, também já tinha falado da necessidade da empresa de "redução do seu perímetro", numa alusão à venda de ativos.

Entretanto, a Altice marcou para as 11:00 de hoje, em Lisboa, uma conferência de imprensa.

Na quarta-feira, no debate do Estado da nação, o primeiro-ministro António Costa manifestou-se muito apreensivo com a evolução da PT nas mãos da Altice.

"Receio bastante que a forma irresponsável como foi feita aquela privatização [pelo anterior Governo PSD/CDS-PP] possa dar origem a um novo caso Cimpor, com um novo desmembramento que ponha não só em causa os postos de trabalho, como o futuro da empresa", declarou o primeiro-ministro.

António Costa fez depois referência ao que se passou em termos de comportamento das operadoras de telecomunicações durante o período de combate às chamas no incêndio ocorrido em junho passado em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria.

"Aliás, espero que a autoridade reguladora [para as telecomunicações, olhe com atenção só o que aconteceu com as diferentes operadoras nestes incêndios de Pedrógão Grande. Compreenderá certamente que houve algumas que conseguiram sempre manter as comunicações e houve outra que esteve muito tempo sem conseguir comunicações nenhumas - e isso é muito grave", salientou ainda o líder do executivo.

Depois, António Costa disse que, pessoalmente, enquanto consumidor de telecomunicações, já tirou conclusões face ao panorama existente no mercado nacional.

"Por mim, já fiz a minha escolha da companhia que utilizo", disse, numa nova alusão crítica à PT.

O líder social-democrata, Pedro Passos Coelho, criticou na quinta-feira à noite o primeiro-ministro por ter feito uma "admoestação pública" à empresa Altice durante o debate sobre o estado da Nação no parlamento.

"Nunca, julgo eu, tinha ouvido um primeiro-ministro atirar-se assim publicamente a uma empresa. Acho que nem o engenheiro Sócrates teve coragem para fazer isto e, atualmente, o primeiro-ministro sente-se com à vontade de poder admoestar publicamente uma empresa privada", criticou Passos Coelho.

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