Golo 700 de Ronaldo não chegou para evitar derrota. Agora é esperar

Ucrânia venceu Portugal por 2-1 e apurou-se para o Euro 2020 na primeira posição do Grupo B. Na noite em que Ronaldo chegou ao número redondo, a seleção adiou o apuramento. Mas só depende de si.

Portugal perdeu, a Sérvia ganhou no outro jogo do Grupo B, mas Ronaldo chegou ao golo 700 na carreira. Uma noite de sentimentos contraditórios para a seleção nacional, derrotada por 2-1 na Ucrânia, que com este triunfo tem lugar garantido no Euro 2020 na primeira posição do grupo. Já a equipa das quinas complicou as contas da qualificação, mas mesmo assim depende apenas de si para garantir presença no Campeonato da Europa, algo que pode acontecer no dia 14 de novembro, quando receber no Estádio do Algarve a Lituânia (neste caso dependente do resultado da Sérvia, que defronta o Luxemburgo). Em último caso será tudo decidido no derradeiro jogo, a 17, diante da equipa do Grão-ducado, num dia em que os sérvios recebem a Ucrânia... já apurada e em primeiro lugar.

A estatística final do jogo não deixou dúvidas: Portugal fez 24 remates à baliza contra cinco da Ucrânia (e enquadrados a balança também foi favorável à equipa de Fernando Santos, 10 contra 4). E isto explica-se sobretudo pelos últimos 20 minutos do jogo, quando a equipa nacional reduziu para 2-1 e a Ucrânia passou a jogar com 10 devido à expulsão de um jogador. Mas não chegou, apesar de uma bola de Danilo à barra no tempo extra que poderia ter dado o empate a Portugal.

Fernando Santos mudou duas peças na equipa que na sexta-feira defrontou o Luxemburgo, optando por colocar João Mário no meio-campo no lugar de Bruno Fernandes e Gonçalo Guedes no ataque em vez de João Félix. Esta última opção vai de encontro ao que tem sido a aposta do selecionador, de nos jogos de maior grau de dificuldade colocar o avançado do Valência ao lado de Cristiano Ronaldo. Mas a verdade é que estas duas apostas não resultaram e por isso aos 56 minutos, João Félix e Bruno Fernandes já estavam em campo.

Portugal entrou mal no jogo e foi surpreendido com as transições rápidas e passes em profundidade dos ucranianos, seleção treinada por Andriy Shevchenko que atuou em 4X14X1. E aos seis minutos sofreu o primeiro golo. Na sequência de um canto, Krivtsov ganhou posição a Ronaldo, cabeceou para uma defesa apertada de Rui Patrício, e na recarga Yaremchuk apareceu sozinho e não perdoou.

Fernando Santos viu-se numa situação pouco habitual, estar em desvantagem, e com um golo madrugador, algo que neste ano tinha acontecido uma única vez, diante da Sérvia, num jogo que Portugal acabaria por empatar. A seleção esboçou alguma reação, também devido ao recuo da Ucrânia, e Raphäel Guerreiro, aos 17', com um remate de longe, levou muito perigo às redes de Pyatov.

Faltava consistência ao meio-campo português, demasiado mole para travar as ações ofensivas da Ucrânia, quase sempre por intermédio de Yarmolenko, Marlos e Yaremchuk. E aos 27', novo golo da Ucrânia. Um lance em que a defesa de Portugal facilitou, com uma passividade que custou caro, ao deixar Mykolenko centrar do lado esquerdo e depois nem Rúben Dias nem Guerreiro a conseguiram travar no centro da área o remate de Yarmolenko. Fernando Santos desesperava no banco e ordenou que a equipa abandonasse o 4X3X3 e passasse a atuar em 4X4X2.

O selecionador fez logo uma alteração ao intervalo, colocando João Félix no lugar de Gonçalo Guedes. E no espaço de dois minutos, o inconsolável Ronaldo esteve muito perto do golo. Primeiro num livre direto que obrigou Pyatov a uma defesa apertada (50') e depois num remate inventado que obrigou o guarda-redes ucraniano a uma enorme defesa. Aos 56', Bruno Fernandes saltou do banco e entrou para o lugar de João Moutinho, para tentar dar mais consistência a um meio-campo que não estava definitivamente nos melhores dias.

Fernando Santos lançou Bruma para o lugar de João Mário, aos 68', numa última tentativa de dar a volta aos acontecimentos. Portugal tinha mais posse de bola e a entrada do extremo do PSV mexeu com o jogo da seleção de forma positiva. E foi precisamente na sequência uma falta sobre Bruma na área da Ucrânia (que custou a expulsão a Stepanenko) que Ronaldo marcou o golo 700 da carreira.

Com 20 minutos para jogar e com a Ucrânia reduzida a 10 elementos, pensou-se que Portugal poderia pelo chegar ao empate. Mas ora por fraca pontaria, ora pela classe do guarda-redes Pyatov ou por mero azar, o golo não chegou. E foram muitas as oportunidades, sobretudo já no tempo de compensação.- Aos 90'+2, Ronaldo cabeceou, o guarda-redes ucraniano defendeu e na recarga Pepe quase fez o golo do empate. A melhor oportunidade surgiu um minuto depois, com uma bomba de Danilo à barra. E que grande golo seria.

O apito final confirmou a derrota e agora Portugal volta às contas para o apuramento. Com a Ucrânia já apurada no primeiro lugar, a seleção nacional vai discutir com a Sérvia (tem menos um ponto) o segundo lugar que dá apuramento direto. Os jogos da equipa das quinas pemitem alguma confiança (Letónia em casa e Luxemburgo fora) e Ronaldo e companhia dependem apenas de si. Ganhar os dois jogos chega ou pelo menos fazer os mesmos resultados do que a Sérvia (recebe o Luxemburgo e a Ucrânia).

Além de ter complicado o apuramento, esta derrota tirou a Portugal a possibilidade de terminar o Grupo B na primeira posição. O que significa que a equipa nacional, em caso de qualificação para o Euro 2020, não poderá ficar no pote 1, onde teoricamente vão estar as equipas com maior poderio. E no pote 2 só vão entrar os dois melhores segundos classificados, pelo que o pote 3 surge como possibilidade.

Veja aqui os golos.

Ficha do jogo

Jogo no Estádio Olímpico em Kiev.

Ucrânia - Portugal, 2-1.

Ao intervalo: 2-0.

Marcadores: 1-0, Yaremchuk, 6 minutos; 2-0, Yarmolenko, 27 e 2-1, Cristiano Ronaldo, 72 (grande penalidade).

Ucrânia: Pyatov, Karavaev, Kryvtsov, Matviyenko, Mykolenko (Plastun, 90+4), Stepanenko, Malinovskiy, Zinchenko, Yarmolenko, Yaremchuk (Kovalenko, 73) e Marlos (Konoplyanka, 63).

Selecionador: Andriy Shevchenko.

Portugal: Rui Patrício, Nélson Semedo, Pepe, Rúben Dias, Raphaël Guerreiro, Danilo, João Moutinho (Bruno Fernandes, 56), João Mário (Bruma, 68), Bernardo Silva, Gonçalo Guedes (João Félix, 46) e Cristiano Ronaldo.

Selecionador: Fernando Santos.

Árbitro: Anthony Taylor (Inglaterra).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Stepanenko (25 e 72), Pepe (26), Yarmolenko (47) e Rúben Dias (64). Cartão vermelho por acumulação de amarelos para Stepanenko (72).

Assistência: cerca de 70.000 espetadores.

Exclusivos