Três dos jogadores detidos em Espanha jogaram juntos no Real Madrid B

Raúl Bravo, suspeito de ser o cabecilha do grupo, Borja Fernández e Carlos Aranda foram colegas na equipa filial do Real Madrid na época 2001/02.

Raúl Bravo, Borja Fernández e Carlos Aranda, três dos jogadores detidos esta terça-feira e suspeitos de alegada manipulação de resultados em jogos de futebol, num esquema lucrativo de apostas desportivas, têm uma particularidade: jogaram juntos na equipa do Castilla (clube filial do Real Madrid) na época 2001/02, numa temporada em que a equipa terminou campeã do Grupo III da II Divisão B espanhola. A informação é do jornal espanhol AS, que os identifica numa fotografia relativa a essa temporada.

Os três jogadores chegaram à cantera do Real Madrid em finais da década de 1990 e depois jogaram juntos no Castilla, que na altura tinha como treinador López Caro. Dessa equipa faziam também parte alguns nomes conhecidos, casos de Pávon, César Navas, Corrales e Valdo.

Quem são os jogadores detidos

Raúl Bravo

O antigo defesa esquerdo, de 38 anos, está acusado de ser o principal cabecilha da rede de viciação de resultados da I e II divisões espanholas através de um esquema lucrativo de apostas desportivas. É entre todos o nome mais conhecido, pois jogou no Real Madrid, clube onde se formou e fez parte da geração conhecida como Zidanes e Pavones, que juntava jovens e jogadores mais experientes. Estreou-se pela equipa principal do Real Madrid na temporada 2001/02, pela mão de Vicente Del Bosque. Realizou um total de 132 jogos pelos merengues e conquistou dois campeonatos espanhóis, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia, uma Supertaça de Espanha e uma Taça Intercontinental. Curiosamente, viveu com Carlos Queiroz um dos seus melhores momentos no Real Madrid, o que lhe valeu ser chamado à seleção espanhola com o estatuto de titular no Euro2004 realizado em Portugal. Depois do Real, em 2007 rumou à Grécia, onde representou o Olympiacos. No seu currículo conta ainda passagens pelo Numancia, Rayo Vallecano, Beerschot, Córdoba, Aris Salónica e Veria FC - foi neste clube grego que se retirou dos relvados.

Carlos Aranda

O avançado de 38 anos teve uma carreira recheada de clubes. No total vestiu a camisola de 12 clubes. Começou nas equipas secundárias do Real Madrid. Depois passou pelo Numancia, Villarreal, Albacete, Sevilha, Real Murcia, Granada, Osasuna, Levante, Saragoça, Granada, Las Palmas e pelo El Palo. Foi aqui que terminou a carreira em 2016/17, com 241 jogos disputados e 45 golos apontados. Aranda teve uma infância complicada - nasceu num dos bairros mais problemáticos de Málaga, El Palo -, foi abandonado pelo pai ainda criança e perdeu cedo a mãe devido a problemas de toxicodependência. Foi descoberto e levado para o Real Madrid por Vicente del Bosque, onde chegou a estrear-se na equipa principal em dois jogos da Liga dos Campeões com apenas 19 anos - diante do Molde e do Lokomotiv de Moscovo.

Íñigo López

O defesa central do Deportivo da Corunha, de 36 anos, é outro dos implicados neste esquema de viciação de resultados - esta época apenas realizou um jogo pela equipa da Galiza, mais concretamente foram 19 minutos em campo, numa partida da II Divisão espanhola diante do Numancia. Antes, na época anterior, no Estremadura, também pouco jogou - alinhou em sete partidas e marcou um golo na própria baliza. López fez a formação no Las Rozas e mais tarde chegou à equipa B do Atlético de Madrid. Passou depois por Sanse, Alcorcón, Granada, PAOK, Celta de Vigo, Córdoba, Huesca e pelo Estremadura, antes de assinar no início desta temporada pelo Deportivo. Marcou um total de 15 golos em 217 jogos realizados.

Borja Fernández

Formado na cantera do Real Madrid, o médio retirou-se há poucos dias da competição, ao serviço do Valhadolid, com 38 anos, clube onde exibia a braçadeira de capitão. Jogou no Castilla, clube filial do Real Madrid, e chegou à equipa principal pela mão de Vicente del Bosque em 2001/02, tendo jogador três partidas na Taça do Rei. O primeiro jogo pelo Real Madrid no campeonato aconteceu em 2003/04, lançado pelo português Carlos Queiroz. Nesta temporada ainda fez 24 jogos peloes merengues, onde se incluiram quatro na Liga dos Campeões. Em 2004/05, devido à pouca utilização, deixou o clube para ter mais oportunidades para jogar. Representou ainda o Maiorca, Getafe, Deportivo da Corunha, Atlético de Kolkata, Eibar e Almería. Nos 415 jogos que realizou ao longo da carreira marcou 12 golos.

Os jogos sob suspeita

A operação anticorrupção no futebol espanhol tem como base uma denúncia que partiu da Liga espanhola. De acordo com o El País, que cita fontes da La Liga, o caso foi despoletado com o jogo da penúltima jornada da segunda divisão da época 2017/2018, o Huesca-Nastic, que acabou com a equipa da casa a perder. As suspeitas surgiram com as movimentações das casas de apostas a favor da equipa que somava menos 29 pontos do que o Huesca, que já tinha garantido a subida à La Liga.

O encontro da última jornada da La Liga, que colocou frente a frente o Valência, onde joga Gonçalo Guedes, e o Valladolid, também está sob suspeita de manipulação de resultados, revelou o jornalista espanhol Nacho Abad no programa da Antena 3 Espejo Público. O jogo terminou com uma vitória (0-2) do Valência que via assim assegurado um lugar na próxima edição da Liga dos Campeões.

A alegada manipulação de resultados não envolve os clubes e terá sido combinada entre jogadores que pretendiam ganhar dinheiro através das casas de apostas. Borja Fernández, um dos detidos nesta operação anticorrupção, foi titular no Valladolid no último jogo da sua carreira.

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