Taça. As 13 vezes em que os grandes foram tombados por equipas secundárias

A história diz que nem sempre se confirma o claro favoritismo de Benfica, FC Porto e Sporting. Vitória de Setúbal afastou os três quando estava na II Liga e Fernando Santos foi eliminado ao comando dos três grandes.

A terceira eliminatória da Taça de Portugal vai jogar-se entre esta quinta-feira e domingo, com Sporting, Benfica e FC Porto a entrarem na competição como claros favoritos a seguir em frente perante a oposição de Alverca (quinta, 20.45), Cova da Piedade (sexta, 20.30) e Coimbrões (sábado, 18.45), respetivamente. Mas a história diz que os grandes devem ter cautela frente a adversários de escalões inferiores na Taça de Portugal. Em toda a história, os três foram eliminados por 13 vezes por equipas de outras divisões, embora tal já não suceda há mais de onze anos.

Nas listas de carrascos de águias, dragões e leões, há um clube que faz o pleno: Vitória de Setúbal. Os sadinos passaram 72 dos 86 anos de campeonatos nacionais na I Divisão, mas aproveitaram três dos outros 14 para serem tomba-gigantes na prova rainha do futebol português, que conquistaram por três vezes (1964/65, 1966/67 e 2004/05).

Por outro lado, há um treinador que, com o emblema de cada um dos três grandes na lapela, já foi tombado na Taça por equipas de escalões inferiores. Esse técnico dá pelo nome de Fernando Santos e é o mesmo que em 2016 fez a Europa tombar aos pés de Portugal.

FC Porto é o que mais se tem descuidado

Seis das 13 eliminações dos grandes na Taça diante de equipas dos escalões inferiores pertencem ao FC Porto. A primeira remonta a 13 de junho de 1943, numa estrondosa derrota por 0-7 no antigo campo dos Arcos, em Setúbal, diante do Vitória (II Divisão), nas meias-finais. Aníbal Rendas (três), Amador, Passos, João Nunes e Vítor Guilhar na própria baliza foram os autores dos golos.

Na época seguinte, nova queda ante uma equipa de II Divisão, com dupla derrota aos pés do Estoril por 2-3 e 2-1, nos quartos-de-final. E no final dessa década, derrota por 0-1 no terreno do Barreirense (também na II Divisão), em partida dos oitavos.

Foi preciso esperar até 1969/70 para os dragões serem tombados novamente por uma formação da II Divisão, no caso o Tirsense, na quinta eliminatória, com derrota por 0-1 nas Antas após empate a dois golos em Santo Tirso (2-2).

Entretanto, o FC Porto iniciou o seu período hegemónico no futebol português, mas foi precisamente na época do pentacampeonato (1998/99), com Fernando Santos ao leme, que voltou a cair de forma surpreendente. O carrasco de serviço foi o Torreense (II Divisão B), que foi às Antas vencer por 1-0, com golo de Cláudio Oeiras aos 85 minutos, na quinta eliminatória.

Oito temporadas depois, o Estádio do Dragão vivenciou o seu primeiro e por enquanto único escândalo na Taça de Portugal, quando o Atlético (II Divisão B) bateu os homens então orientados por Jesualdo Ferreira por 1-0, com um golo de David da Costa a derrubar o Golias FC Porto na quarta ronda.

Leão caiu na estreia da nova casa

O Sporting foi o primeiro dos grandes a cair na Taça de Portugal aos pés de uma equipa do terceiro escalão, o Tirsense, da II Divisão, em 1948/49. Os leões então orientados por Cândido de Oliveira e com os violinos Albano e Vasques no onze foram perder no terreno do adversário por 1-2, em partida da 1.ª eliminatória.

Os verde e brancos estiveram meio século sem serem eliminados por uma equipa de uma divisão inferior, mas depois foram tombados por três formações da II Liga no espaço de cinco anos. Primeiro, uma derrota em Barcelos diante do Gil Vicente por 2-3, em janeiro de 1999, numa partida da quarta eliminatória em que participou o atual team manager Beto.

Quatro épocas depois, a 8 de março de 2003, de nada valeu à turma então orientada por Laszlo Bölöni os dribles de Cristiano Ronaldo ou a veia goleadora de Mário Jardel. No último encontro do velhinho Estádio José Alvalade na Taça, o Sporting foi surpreendido pela Naval de Álvaro Magalhães... precisamente o treinador do Gil Vicente em 1998/99. Um golo solitário do avançado francês David Costé valeu o apuramento dos figueirenses para as meias-finais.

Na época seguinte, na estreia do novo Estádio José Alvalade na prova rainha do futebol português, o conjunto então comandado por Fernando Santos caiu em dezembro de 2003 aos pés do Vitória de Setúbal, que beneficiou de um golo madrugador de Orestes (aos sete minutos) para fazer a festa.

Benfica foi o último grande a cair

Com um recorde de 26 Taças de Portugal no palmarés, o Benfica foi o grande que menos vezes caiu aos pés de equipas de divisões inferiores.

A primeira vez, em 1960/61, tem uma justificação de boa memória. Os encarnados tinham conquistado o seu primeiro título europeu a 31 de maio de 1961, com vitória sobre o Barcelona na final de Berna (3-2), mas foram obrigados a disputar a segunda mão dos oitavos de final... no dia seguinte. Depois de ter vencido o Vitória de Setúbal na Luz por 3-1 na primeira mão, as águias apresentaram-se com reservas e juniores à beira-Sado, tendo sido goleadas por 1-4. Um jovem chamado Eusébio da Silva Ferreira apontou o golo de honra.

Mais de quarenta anos depois, a derrota mais chocante do Benfica na competição. Com Jesualdo Ferreira à frente da equipa - viria a ser despedido após esse jogo - e no antigo Estádio da Luz, as águias não conseguiram dar a volta ao golo de Cílio Souza, que através de um livre direto aos dez minutos deu uma vantagem que o Gondomar viria a segurar até ao apito final, em partida da quarta eliminatória.

Três anos e meio mais tarde, a 10 de fevereiro de 2007, os encarnados então orientados por Fernando Santos foram protagonistas da última derrota de um dos grandes na Taça ante equipas de divisões inferiores. O Varzim de Diamantino Miranda foi o carrasco de serviço, impondo a Rui Costa, Simão, Nuno Gomes e companhia uma derrota por 1-2 na Póvoa.

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