Benfica cai na Champions numa noite que esteve para ser de sonho

A equipa de Bruno Lage esteve a vencer por 2-0 até aos 90 minutos, mas depois chegaram os erros encarnados que permitiram ao RB Leipzig empatar. Resta agora tentar passar para a Liga Europa no último jogo com o Zenit.

O Benfica disse nesta quarta-feira adeus à Liga dos Campeões ao ceder, de forma inglória nos instantes finais, um empate 2-2 na Alemanha frente ao RB Leipzig. Os encarnados fizeram o melhor jogo europeu da temporada, estiveram a vencer por 2-0, mas aos 90 minutos tudo se desmoronou. Resta agora vencer o Zenit, na Luz, por 2-0 ou por três golos de diferença se os russos marcarem para poderem passar para a Liga Europa.

Quando a equipa de Bruno Lage entrou na Red Bull Arena, o cenário era muito negro. O Zenit tinha acabado de vencer o Lyon, o que obrigava o Benfica a vencer, de preferência por dois golos, para ter vantagem no confronto direto em relação ao Leipzig. Só que o adversário que tinha pela frente apresentava-se com credenciais poderosas, afinal vinha de cinco vitórias consecutivas, nas quais tinha marcado 24 golos... Uma autêntica máquina de ataque. A agravar todo o panorama, o registo histórico de o clube da Luz ter perdido todos os 11 jogos que disputou na Alemanha para a Liga dos Campeões.

Para uma equipa que vinha de exibições muito pálidas nos palcos europeus, a tarefa era bastante complicada. Bruno Lage surpreendeu com a colocação de Adel Taarabt ao lado de Gabriel no meio-campo, apostando desta vez em Pizzi e André Almeida de início. Na frente, Carlos Vinícius tinha a responsabilidade de "enganar" a defesa contrária, que se apresentava desfalcada de Halstenberg e Orban.

Alemães sem espaços e golo de Pizzi

O Benfica surpreendeu com uma equipa muito junta na hora de defender, com o meio-campo muito perto do setor defensivo na tentativa de tirar os espaços utilizados para os alemães criaram o seu jogo de ataque. Ao mesmo tempo, apostava em transições rápidas com lançamentos para as costas da defesa, sobretudo dos laterais.

A equipa de Julian Nagelsmann - o treinador da moda na Alemanha - não conseguia fazer a habitual circulação rápida de bola, que lhe permite descoordenar as defesas contrárias, optando por isso por cruzamentos ou remates de fora da área.

Os encarnados precisavam de ser eficazes no ataque para conseguir que a estratégia resultasse. E foi isso que aconteceu, quando aos 20 minutos Taarabt conduziu a bola, combinou com Vinícius e cruzou atrasado para Pizzi rematar colocado para o fundo da baliza de Gulácsi. O médio fazia assim o seu 14.º golo na temporada e devolvia a esperança no apuramento para os oitavos-de-final.

O RB Leipzig reagiu de imediato à desvantagem sobretudo através de cruzamentos, que apertaram a organização defensiva do Benfica. Nkunku, isolado na área, cabeceou para a defesa de Vlachodimos, que pouco depois fez uma grande defesa num remate de Forsberg, num lance em que os alemães ficaram a pedir penálti de Grimaldo sobre Nkunku. Mas aos poucos os encarnados libertaram-se daquela reação e ainda antes do intervalo estiveram muito perto de chegar ao segundo golo, quando Pizzi rematou em jeito à barra da baliza de Gulácsi.

Vinícius faz o resultado perfeito

O intervalo chegou com o Benfica a mostrar-se uma equipa personalizada, com uma estratégia realista, que anulava os pontos fortes do adversário mas que espreitava o ataque com muita objetividade. O segundo tempo começou praticamente com um susto quando Vlachodimos caiu no relvado após embater com Upamecano, obrigando a uma longa interrupção do jogo. O guarda-redes acabou por recuperar e pouco depois evitou que Sabitzer chegasse a uma bola para fazer o empate.

Até que, aos 59 minutos, Taarabt saiu da pressão dos alemães e fez um passe a lançar o ataque que acabou por isolar Carlos Vinícius, que aproveitou a escorregadela do defesa Klostermann. O avançado brasileiro correu para a baliza e bateu Gulácsi pela segunda vez. O 2-0 era o resultado perfeito para este jogo, que deixava a equipa viva na Champions e a depender só dela para se apurar.

No lance do golo, Gulácsi lesionou-se após chocar com Vinícius e acabou por ter de ser substituído por Mvogo - mais alguns minutos perdidos para a substituição do guarda-redes. Nagelsmann arriscou tudo com a entrada de Patrik Schick para se juntar a Timo Werner no ataque, com Forsberg a jogar nas costas dos avançados. A pressão alemã intensificou-se e a bola andou a rondar a baliza de Vlachodimos por várias vezes, mas o desacerto no remate e a concentração dos defesas benfiquistas ia resolvendo os problemas.

Erros chegaram no fim

O jogo encaminhava-se para o final e, ao minuto 84, um momento de inspiração do recém-entrado Raúl de Tomás quase resolveu a questão. O espanhol viu Mvogo adiantado e, ainda antes do meio-campo, fez um chapéu que só não entrou na baliza porque o guarda-redes do RB Leipzig deu um ligeiro toque na bola para canto. Logo a seguir foi Pizzi, na cobrança de um livre...

Mas um erro de Rúben Dias, que puxou Schick na área, levou o árbitro a assinalar penálti, convertido por Emil Forsberg em cima do minuto 90. Só que ainda faltava muito para jogar - o árbitro deu nove minutos de tempo extra - e, aos 90'+6, um cruzamento de Timo Werner encontrou Forsberg, solto de marcação, a cabecear para o empate. Um resultado inglório para o Benfica, que assim via os alemães festejarem o apuramento para os oitavos-de-final da Champions pela primeira vez na sua história.

Quanto à equipa de Bruno Lage, a certeza de que não foi este jogo que determinou a eliminação da prova milionária, pois, se tivesse jogado com a qualidade que apresentou na Alemanha, estaria numa posição bem diferente. Agora, resta alimentar a esperança de seguir para a Liga Europa, mas para isso tem de vencer o Zenit por 2-0, mas, se os russos marcarem na Luz, terá de ganhar por três golos de diferença.

O número 21 dos encarnados abriu o marcador e mostrou o caminho para a vitória com o seu 14.º golo da temporada. Ainda rematou uma bola à barra e foi, juntamente com Taarabt, o jogador que procurou sempre as melhores opções para a equipa sair para o ataque.

FICHA DO JOGO

Red Bull Arena, em Leipzig
Árbitro: Jesús Gil Manzano (Espanha)

RB Leipzig - Peter Gulácsi (Mvogo, 64'); Klosterman, Ampadu (Mukiele, 56'), Upamecano, Saracchi; Sabitzer, Demme, Laimer, Emil Forsberg; Nkunku (Schick, 70'), Timo Werner
Treinador: Julian Nagelsmann

Benfica - Vlachodimos; André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo; Pizzi (Caio Lucas, 90'+3), Taarabt, Gabriel, Franco Cervi (Jota, 90'+8); Chiquinho, Carlos Vinícius (Raúl de Tomás, 82')
Treinador: Bruno Lage

Cartão amarelo a Taarabt (52')

Golo: 0-1, Pizzi (20'); 0-2, Carlos Vinícius (59'); 1-2, Emil Forsberg (90' gp); 2-2, Forsberg (90'+6)

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