Sporting apaga exibição medonha com vitória muito feliz

O LASK Linz esteve a vencer em Alvalade e na primeira parte poderia ter construído um resultado expressivo. Contudo, Luiz Phellype e Bruno Fernandes deram a volta ao resultado em cinco minutos, valendo depois a noite de inspiração de Renan Ribeiro. Jorge Silas somou a segunda vitória em dois jogos como treinador leonino e arrancou os primeiros pontos na Liga Europa.

O Sporting teve esta quinta-feira uma noite muito feliz, garantiu o primeiro triunfo na Liga Europa perante os austríacos do LASK Linz, por 2-1. A equipa de Jorge Silas deu a volta ao resultado e apagou assim a exibição medonha que fez, sobretudo na primeira parte.

Há jogos assim, em que uma equipa faz um jogo sofrível e acaba por fazer dois golos em cinco minutos, depois de ter visto o seu guarda-redes ser um autêntico herói. Foi essa a imagem dada pelo Sporting, que teve em Renan Ribeiro o salvador da pátria, à espera que a estrela da equipa aparecesse no momento certo. Bruno Fernandes surgiu com um canto que Luiz Phellype aproveitou para empatar e, cinco minutos depois, foi ele próprio a fazer o segundo golo, que permitiu a Jorge Silas conquistar a segunda vitória em dois jogos como treinador do Sporting.

O técnico leonino apostou numa equipa com três centrais - a sua imagem de marca enquanto esteve no comando do Belenenses SAD - apesar de ter tido pouco tempo para afinar este sistema tático, que obriga a uma grande coordenação entre setores. E o reflexo disso foi o domínio absoluto dos austríacos, com uma equipa forte fisicamente, muito pressionante e bem mecanizada, que procurava os passes à procura dos espaços que ia criando na defesa do Sporting com a movimentação dos seus jogadores.

A primeira oportunidade do LASK Linz surgiu logo na primeira jogada da partida, valendo as duas defesas de Renan no mesmo lance. O Sporting não conseguia sair do seu meio-campo, pois era autenticamente asfixiado pela pressão em bloco que o adversário fazia e que lhe permitia recuperar depressa a bola, potenciando o erro da equipa portuguesa. Os leões tinham os seus setores muito afastados uns dos outros, dificultando ainda mais a ligação do seu jogo, por isso não tinha outra alternativa senão apostar nos passes longos, que invariavelmente resultavam em posse de bola para os austríacos.

As oportunidades iam sucedendo-se junto à baliza leonina, até que em mais uma perda de bola, desta vez de Mathieu, Goiginger entregou a Raguz, que driblou Idrissa Doumbia, e abriu o marcador. Até ao intervalo, o LASK continuou a produzir lances de perigo em série, que iam esbarrando na falta de pontaria ou em Renan, pois claro.

O Sporting só ameaçou a baliza de Schlager por duas vezes, mas Luiz Phellype e Miguel Luís não deram a melhor direção à bola nos seus cabeceamentos.

Reviravolta em cinco minutos

Ao intervalo, Jorge Silas lançou Luciano Vietto e tirou Luís Neto, desfazendo a defesa a três, passando o Sporting a jogar em 4x3x3. Só que os primeiros dez minutos da segunda parte foram dramático para os leões, com Trauner e Goiginger por duas vezes a desperdiçarem o segundo golo, não aproveitando assim a total descoordenação da defesa sportinguista. O domínio do LASK Linz era absoluto.

Mas o futebol é mesmo um jogo imprevisível e, na cobrança de um canto, Bruno Fernandes colocou a bola na cabeça de Luiz Phellype, que nem teve de saltar para cabecear para o empate. O golo empurrou o Sporting para cinco minutos em que se empolgou, teve um livre perigoso de Bruno Fernandes, pois claro, e depois foi o próprio capitão que, a passe de Luiz Phellype rematou cruzado para o 2-1. Os leões chegavam à vantagem num piscar de olhos e sem saber bem como.

Contudo, a partir do segundo golo o LASK voltou a assumir as rédeas do jogo, com o Sporting então com as linhas mais baixas para não deixar fugir a vantagem. Só que ainda assim os austríacos foram rondando a baliza, conquistaram cantos atrás de cantos (12 no total) e viram Renan Ribeiro negar o empate por duas vezes, primeiro quando a defender o remate do brasileiro João Klauss, que apareceu sozinho na área, e depois de forma fantástica a um remate de Goiginger.

No último lance da partida, num contra-ataque rápido Luiz Phellype teve hipótese de fazer o 3-1, mas Schlager fez uma enorme defesa, evitando que o castigo dos austríacos fosse ainda maior. O apito final do árbitro fez o público presente em Alvalade respirar de alivio depois de tanto sofrimento frente a um adversário que surpreendeu pelo bom futebol que praticou e que, bem vistas as coisas, poderia ter construído um resultado histórico se tivesse uma eficácia semelhante à do Sporting. É queo LASK Linz teve 22 remates, dos quais sete foram à baliza, enquanto o Sporting fez 12 remates e marcou dois golos nos quatro remates enquadrados.

O Sporting somou assim os três primeiros pontos na Liga Europa, que lhe permite igualar os austríacos na classificação, atrás do PSV Eindhoven, que voltou a ganhar, desta vez na Noruega, com o Rosenborg, por 4-1.

Foi o guarda-redes do Sporting que manteve a equipa viva na discussão do jogo com uma série de defesas de qualidade. É certo que Bruno Fernandes e Luíz Phellype estiveram nos dois golos leoninos, mas o jogador que rendimento mais constante teve no jogo foi mesmo Renan Ribeiro.

FICHA DO JOGO:

Estádio José Alvalade, em Lisboa (31 225 espectadores)
Árbitro: Alain Durieux (Luxemburgo)

Sporting - Renan Ribeiro; Luís Neto (Luciano Vietto, 46'), Coates, Mathieu; Miguel Luís, Idrissa Doumbia, Wendel (Eduardo Henrique, 57'), Bruno Fernandes, Marcos Acuña (Cristián Borja, 73'); Bolasie, Luiz Phellype
Treinador: Jorge Silas

LASK Linz - Schlager; Wiesinger, Trauner, Filipovic; Ranftl, Holland, Michorl, Potzmann (Renner, 72'); Frieser (Thomas Sabitzer, 80'), Raguz (Klauss, 55'), Goiginger
Treinador: Valérien Ismaël

Cartão amarelo a Marcos Acuña (45'), Ranftl (45'), Wiesinger (57'), Luiz Phellype (71'), Bruno Fernandes (79')

Golo: 0-1, Gaguz (16'); 1-1, Luiz Phellype (58'); 2-1, Bruno Fernandes (63')

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