"Se Ronaldo violou o protocolo sanitário ao ir jogar pela seleção? Sim"

Jogador da Juventus tem covid-19 e cumpre quarentena em Turim, mas não se livra da polémica à volta da viagem a Portugal para representar a seleção.

Cristiano Ronaldo está infetado e as críticas ao comportamento do jogador chovem de todos os lados em Itália. "Se Ronaldo desrespeitou o protocolo anti-covid ao ir e voltar de Portugal? Sim, se não houve autorização das autoridades de Saúde", disse esta quinta-feira Vincenzo Spadafora, ministro do Desporto italiano.

Depois destas declarações, o presidente da Juventus, lembrou que é dirigente e não do departamento de saúde e que até para os jogadores há prioridades. "Ronaldo tem de ligar para o Ministério da Saúde e do Interior e pedir que lhe expliquem o que violou. Para a Juventus, aplico o protocolo federal. Sou dirigente desportivo e aplico o protocolo federal. Se querem saber se ele violou uma lei estatal, perguntem ao Ministro. Não posso dar autorizações sanitárias, têm de ser pedidas a outros. Por falar em bolhas, gostaria apenas de vos lembrar que, quando regressam a casa, são cidadãos livres e, se as seleções os convocam, fazem questão de responder à convocação. A saúde é a prioridade neste momento tão complexo. Acredito que o protocolo, quando aplicado corretamente, é suficiente para nos permitir terminar a época sem percalços e sem rever os formatos de competição", atirou Andrea Agnelli, na conferência de Imprensa sobre os resultados financeiros da Juve.

O plantel da vecchia signora estava em isolamento desde que foram detetados dois casos positivos de covid-19 no grupo bianconeri. Os atletas só podiam sair do hotel para treinar e jogar, além de estarem proibidos de contactos com pessoas exteriores ao grupo até receberem o resultado do segundo teste covid-19. Algo que, segundo a imprensa italiana, os jogadores fizeram. CR7 (Portugal), Bentancur (Uruguai), Cuadrado (Colômbia), Danilo (Brasil), Dybala (Argentina) viajaram para as respetivas seleções, enquanto Buffon e Demiral foram para casa.

Assim que os jogadores deixaram o hotel onde a Juve se encontrava de quarentena, o clube informou a autoridade de Saúde de Turim. E, segundo o diretor do Departamento de Prevenção da instituição de saúde italiana, a situação deverá ficar resolvida com o pagamento de multas, embora o caso tenha sido enviado para o Ministério Público. "Penso que não foi cometida qualquer infração grave e, se recorreram a voos privados, talvez paguem uma multa. Os jogadores não deverão ter problemas com isso", disse Roberto Testi ao Corriere di Torino.

Os jogadores incorrem numa acusação de crime por desrespeito às leis italianas de isolamento da covid-19, mas, de acordo com a imprensa italiana, e uma vez que nenhum atleta acusou positivo à covid-19, o caso deve ficar encerrado com o pagamento de uma multa de 400 euros.

E nem a Federação Portuguesa de Futebol escapou às críticas italianas. A La Gazzetta dello Sport falou com a imunologista da Universidade de Padova, que criticou a reunião familiar dos jogadores à mesa, que o mundo viu depois de partilhada por Cristiano Ronaldo na Instagram. "São estes os comportamentos que se devem evitar. Todavia, ainda os vemos na rua, e assim o vírus vai continuar a espalhar-se: continuando assim, a situação vai ser muito crítica em todas as Unidades de Cuidados Intensivos do país", disse Antonella Viola, lembrando que "mesmo na concentração, devem ser usadas máscaras e a distância deve ser mantida".

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