Salvador defende Rúben Amorim: "Não se pode estar oito anos para tirar curso de treinador"

Rúben Amorim foi apresentado como treinador do Sp. Braga e o presidente do clube fez a sua defesa em relação às duras críticas de que foi alvo por não ter o nível IV do curso de treinador.

Rúben Amorim foi nesta sexta-feira apresentado oficialmente como novo treinador do Sp. Braga - assinou contrato até junho de 2022. Uma promoção (estava na equipa B do clube minhoto) que motivou fortes críticas do presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol, dado que o técnico não tem o IV nível do curso de treinador. Críticas que António Salvador, presidente dos arsenalistas, rebateu na apresentação de Rúben Amorim.

"São críticas de uma grande injustiça. É injusto porque o Sp. Braga foi dos clubes que mais valorizou os treinadores portugueses. Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus, Domingos Paciência, Leonardo Jardim, José Peseiro, Sérgio Conceição, Paulo Fonseca e Abel Ferreira são alguns exemplos. Saíram todos com uma valorização enorme", começou por referir.

"Estamos neste momento perante um défice de treinadores em Portugal por causa da documentação. E isto é um problema que tem de ser debatido. No ano passado tivemos um treinador português que foi campeão da Youth League [Mário Silva, do FC Porto] que teve que ir para o estrangeiro. Não se pode estar oito anos à espera para tirar um curso e isso é que a Associação de Treinadores deve discutir, caso contrário estamos a hipotecar o futuro do futebol português. O Sp. Braga vai cumprir todos os regulamentos que a lei manda. Na nossa equipa técnica há dois treinadores com o IV nível e que serão liderados pelo Rúben Amorim", acrescentou o líder dos bracarenses.

António salvador explicou depois porque a escolha para substituir Ricardo Sá Pinto recaiu em Rúben Amorim: "Chega por duas razões. Primeiro por ter conhecimento e capacidade para assumir o trabalho. Depois, tenho a certeza que será mais um dos grandes treinadores que o Sp. Braga projeta para o futebol internacional. As qualidades no treino, com o grupo de trabalho e na preparação do jogo são os principais atributos. Escolhemos o Rúbem para atingir três objetivos: ganhar, praticar bom futebol, devidamente reconhecido pelos sócios, e valorizar os jogadores e a nossa formação. Sabemos o lugar a que pertencemos e é lá que queremos estar."

Já Rúben Amorim não se quis alongar muito neste tema. "Não tenho um conhecimento muito profundo, porque tenho tido muito para fazer. É a verdade. Entendo as críticas, mas tenho de fazer o meu trabalho e esse é o meu foco. É um papel, mas eu passei a minha vida no futebol, joguei em várias posições em grandes clubes. Passei por processos disciplinares, por lesões, vivi muito. Quero transparecer a minha personalidade para a equipa e para o clube", disse.

O treinador falou depois dos objetivos e do atual plantel: "O primeiro objetivo é vencer o Belenenses SAD, queremos começar este ciclo com uma vitória. O Braga, pelo clube que é, já tem o objetivo de vencer todas as competições, é claro. Mas o objetivo agora é vencer o próximo jogo, começar a projetar jogadores da equipa B - e pelo menos um será já este ano. Temos objetivos claros desde o início da época, não sou eu que os vou mudar. Temos um plantel longo, pode haver ajustes, mas não haverá entradas. Temos um plantel que dá garantias, sabemos a diferença entre os jogos da Liga Europa e do campeonato e uns jogarão numa competição, outros noutra. Mas a prioridade será sempre o jogo seguinte. Temos jogadores com muito talento e vamos tentar aproveitar isso e arriscar. Jogadores como o Xadas e o Trincão terão de ser aproveitados e lançados."

Ainda durante a apresentação, António Salvador foi questionado sobre o Sp. Braga pode ambicionar ser campeão nacional em Portugal. E a esse respeito lembrou que isso podia ter acontecido há uns anos, mas devido a "coisas estranhíssimas" isso não aconteceu.

"Aquilo que disse foi que gostaria de ser campeão até 2021, centenário do clube, não foi uma promessa, mas um desejo meu. Agora, é cada vez mais difícil lutar, porque a diferença é tão grande para os três principais clubes. O futebol português está partido e a diferença financeira para os primeiros é cada vez maior. Isso faz com que a Liga seja menos competitiva, mas o dinheiro também não é tudo. Alguma vez imaginávamos ir a um final da Liga Europa e poderíamos também ter sido campeões, mas aconteceram coisas estranhíssimas nesse ano e não nos deixaram ser campeões", afirmou.

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