Ronaldo marcou, mas não valeu. Juventus vence Inter e salta para a liderança

Dybala e Lautaro Martínez marcaram os golos que davam o empate ao intervalo. No segundo tempo, Maurizio Sarri mexeu na equipa e foi feliz, com Higuaín a apontar o golo da vitória perto do fim.

A Juventus voltou novamente à liderança da liga italiana, após vencer neste domingo o Inter Milão, no Guiseppe Meazza, por 2-1, um resultado que coloca a equipa de Turim no primeiro lugar, agora um ponto dos nerazzurri. Ronaldo ainda marcou, na primeira parte, mas o lance foi anulado porque Dybala estava em posição irregular.

O jogo começou a um ritmo frenético e com dois golos nos primeiros 20 minutos. A Juventus abriu o marcador logo aos 4', com Dybala a rematar cruzado de pé esquerdo e a bater Handanovic após uma assistência de Pjanic. O Inter regiu bem e aos 18' viu o árbitro assinalar uma falta de Matthijs De Ligt na área (mão na bola). Consultado o VAR, a decisão manteve-se e Lautaro Martínez repôs a igualdade de grande penalidade. Jogo intenso, com velocidade, dividido e com golos. Não se podia pedir mais neste início.

Antes do intervalo, um grande lance de Lukaku permitiu a desmarcação de Lautaro e o argentino, depois de ganhar a posição a Bonucci, atirou com força, valendo a atenção do guarda-redes Szczesny a evitar o segundo golo do Inter. Pouco depois, o treinador Antonio Conte foi forçado a mexer na equipa, substituindo o lesionado Sensei por Matias Vecino.

Cristiano Ronaldo, nos primeiros 45 minutos, teve dois livres diretos que não chegaram à baliza, entreteu os adeptos com duas ou três habilidades (teve marcação direta de Diego Godin) e quase marcou aos 41', valendo a grande intervenção de Handanovic. No minuto logo a seguir, o craque português marcou mesmo e até festejou. Mas o golo foi anulado porque Dybala estava em posição de fora de jogo, indicou o videoárbitro. A primeira parte terminou claramente com a Juventus em cima e com os jogadores de nervos à flor da pele, como foi visível pelas imagens televisivas na entrada dos jogadores para o túnel de acesso aos balneários.

Voltou a entrar melhor a Juventus na segunda parte, com um meio-campo combativo que juntou Matuidi, Pjanic, Khedira e num plano mais adiantado Bernardeschi a empurrar a equipa para frente à espera dos lances individuais de Ronaldo e Dybala. Cr7, aos 53', atirou uma bomba mas muito ao lado. E no minuto a seguir, Dybala teve uma boa oportunidade para aumentar a vantagem. Mas primeiro permitiu a defesa de Handanovic e depois atirou por cima.

Sarri mexeu na equipa aos 62', lançando Bentancur e Higuaín para os lugares de Khedira e Bernardeschi. Alterações que, curiosamente, coincidiram com um período em que o Inter cresceu e surgiu mais no jogo. Aos 68', a Juventus foi bafejada pela sorte, pois o remate de Vecino desviou em De Ligt e bateu no poste, com Szczesny na baliza a não esboçar sequer reação.

Apesar da reação do Inter, que não durou muito, diga-se, a Juventus chegou ao golo da vitória aos 80'. Um lance à imagem das equipas de Maurizio Sarri, com a bola a rolar por vários jogadores (um deles Ronaldo) ao primeiro toque e Bentancur a assistir Higuaín (os dois homens que Sarri lançou nesta segunda parte), que surgiu sem marcação à entrada da área e não perdoou. Antes do apito final, Szczesny fez bem a mancha e impediu a Sensei fazer o empate.

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