Silas andou numa luta de sistemas até ter a chave para a vitória

O Sporting foi surpreendido pelo Belenenses SAD durante boa parte do jogo e só quando. O treinador leonino começou com três centrais, mas foi mudando até colocar em campo um ponta-de-lança que permitiu criar espaços onde apareceu Vietto. O argentino bisou e devolveu a tranquilidade aos leões, que regressaram aos triunfos na I Liga.

O Sporting regressou este domingo às vitórias para a I Liga, com um triunfo sofrido, em Alvalade, por 2-0, frente a um Belenenses SAD, que acabou por surpreender o seu ex-treinador Jorge Silas. Os azuis mandaram no jogo em grande parte da partida, com uma estratégia que evidenciou de forma clara o equívoco tático do técnico leonino, que se apresentou num jogo em casa com três centrais e sem dinâmica para fazer chegar a bola à área adversária.

Corrigidos os equívocos, o Sporting lá chegou ao triunfo a partir do momento em que, finalmente, passou a utilizar um ponta-de-lança (Luiz Phellype), cuja entrada em campo permitiu que aparecesse Luciano Vietto, que acabou por desbloquear o jogo.

Jorge Silas tinha dito na conferência de imprensa de antevisão deste jogo que o Sporting tinha de jogar em vários sistemas e deu mesmo a entender que frente ao Beleneneses SAD poderia voltar a utilizar o sistema de três centrais, o que acabou por acontecer.

Contudo, a estratégia do treinador do Sporting saiu completamente furada e, ao contrário do que disse antes da partida, não conseguiu surpreender a equipa onde começou a sua carreira de técnico principal e onde esteve até finais de agosto.

Isto porque os azuis surgiram com a lição muito bem estudada, pois o jovem técnico Pedro Ribeiro (33 anos) adotou um plano de jogo arriscado, é certo, e surpreendente, com os seus jogadores a fazerem uma marcação a todo o campo, condicionando (e de que maneira!) não só o início da construção de jogo dos leões, mas também a ligação entre os setores da equipa, cujos jogadores não tinham outra solução senão lançar bolas para as costas da defesa contrária porque não havia linhas de passe para progredir no terreno.

Assobios e sistema desfeito

Durante mais de 30 minutos, o Sporting foi completamente dominado pelo Belenenses SAD, que apresentou uma equipa muito jovem, onde se destacava a estreia do lateral Nilton Varela, que fazia a ala esquerda com o tio Silvestre Varela. É certo que os azuis apenas criaram relativo perigo em dois remates de longe nos instantes iniciais, através de Robinho e Licá, mas a forma como o jogo decorria intranquilizava os jogadores e também os adeptos leoninos, que depressa se manifestaram com assobios.

Percebendo que tinha de mudar qualquer coisa para que a equipa não se afundasse na sua própria estratégia, aos 33 minutos, Silas resolve tirar um dos defesas-centrais, Luís Neto, e colocou Rafael Camacho para a ala direita, passando o Sporting a jogar em 4x3x3.

O figurino do jogo mudou, pois os leões passaram a conseguir imprimir um pouco mais velocidaden no seu jogo, pois começaram a surgir mais linhas de passe na frente, obrigando o adversário a recuar um pouco mais no terreno. Contudo, foi apenas na sequência de bolas paradas que Eduardo Henrique e Bruno Fernandes conseguiram ameaçar a baliza de André Moreira.

Foi com assobios em Alvalade que as equipas recolheram ao balneário ao intervalo. O descontentamento dos adeptos leoninos era evidente e a equipa teria de subir muito de produção para provocar desequilíbrios na defesa contrária e chegar à vitória.

Silas decidiu então trocar o jovem Rodrigo Fernandes que fazia a estreia a titular para colocar Idrissa Doumbia... mantinha-se o 4x3x3 e a dinâmica da equipa. A toada do jogo não mudou, pois os azuis continuavam a condicionar as movimentações da equipa leonina, que só a espaços conseguia imprmir velocidade ao seu jogo, mas não chegava para criar oportunidades. O certo é que, à medida que o tempo ia passando, o Belenenses SAD era uma equipa cada vez mais curta, ou seja, tinha cada vez menos capacidade para levar perigo à baliza de Renan Ribeiro.

Finalmente, um ponta-de-lança

Até que aos 66 minutos, o treinador do Sporting resolveu finalmente colocar um ponta-de-lança em campo... algo que parecia óbvio, uma vez que não havia ninguém para fixar os centrais azuis e permitir o aparecimento de outro jogadores no espaço livre para tentar finalizar. Luiz Phellype entrou em campo e o resultado foi quase imediato.

Começou aí o melhor período dos leões, cujos jogadores começaram a jogar de forma mais veloz, sobretudo na troca de passes, e os espaços lá foram surgindo... só era preciso aproveitá-los. E foi assim que nasceu o primeiro golo aos 75 minutos, quando Bruno Fernandes lançou Bolasie para um cruzamento, que depois andou ali a ressaltar em jogadores do Belenenses até que Luciano Vietto apareceu a resolver o problema com um remate acrobático.

O mais difícil estava feito. O Sporting afastava os fantasmas trazidos de Tondela, apresentando-se agora em campo de forma mais coerente com aquilo que uma equipa grande deve fazer num jogo em casa. Os azuis passaram então por momentos complicados devido à injeção de confiança que os leões tinham recebido, até que apareceu de novo Vietto, que voltava a estar no sítio certo, para emendar uma má saída da baliza de André Moreira para desfazer um cruzamento de Bolasie.

A equipa de Jorge Silas acabou por arrancar uma vitória sofrida, muito por culpa própria, pela forma como se deixou condicionar pelo adversário, mas lá conseguiu recuperar terreno para o terceiro classificado, o Famalicão, que está agora a quatro pontos de distância.

O argentino bisou pela primeira vez com a camisola do Sporting e acabou por ser a chave para este triunfo sofrido dos leões, aparecendo no sítio certo para finalizar. O primeiro golo merece destaque pela forma acrobática como rematou e no segundo estava no sítio certo para aproveitar uma bola mal defendida pelo guarda-redes. Até resolver o jogo até estava a ser dos mais esclarecidos da equipa de Jorge Silas, mas sem espaços e linhas de passe, torna-se difícil fazer melhor.

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FICHA DO JOGO:

Estádio José Alvalade, em Lisboa (27 112 espectadores)
Árbitro: Manuel Oliveira (Porto)

Sporting - Renan Ribeiro; Luís Neto (Rafael Camacho, 33'), Coates, Tiago Ilori; Rosier, Eduardo Henrique (Luiz Phellype, 66'), Rodrigo Fernandes (Idrissa Doumbia, 46'), Cristián Borja; Bruno Fernandes; Luciano Vietto, Bolasie
Treinador: Jorge Silas

Belenenses SAD - André Moreira; Tiago Esgaio, Nuno Coelho, Tomás Ribeiro, Nilton Varela; Show, André Sousa, Benny (Marco Matias, 64'); Silvestre Varela, Robinho (Kikas, 72'), Licá (Cassierra, 82')
Treinador: Pedro Ribeiro

Cartão amarelo a Rodrigo Fernandes (20'), Tomás Ribeiro (39'), Coates (43'), Tiago Ilori (61'), Renan Ribeiro (69'), Licá (62'), Robinho (62')

Golos: 1-0, Vietto (74'); 2-0, Vietto (81')

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