Onana: "Um clube recusou-me por eu ser negro"

Guarda-redes do Ajax diz que todos os dias tem de lidar com situações de racismo

André Onana é um dos poucos guarda-redes negro nos principais clubes mundiais. Instado a falar sobre isso, numa entrevista ao jornal holandês Het Parool, o guardião do Ajax contou como "é difícil" lidar com o racismo. E mais, que um clube o recusou por causa da cor da pele....

"Durante o caminho percebi que não é fácil para um guarda-redes negro chegar ao topo. No meu primeiro ano no Ajax, chegamos à final da Liga Europa. Depois dessa final, conversaram comigo a dizer que havia um clube interessado, mas que esse clube tinha decidido não me contratar, porque seria difícil explicar aos adeptos a contratação de uma guarda-redes negro. Não era porque não me achavam bom o suficiente...Considerei isso como um elogio ", contou o camaronês, desarmando o insulto.

Segundo ele, "o racismo no futebol existe" e ele tem de "lidar com isso quase todos os jogos fora de casa". Onana tem "orgulho de ser negro" e não vê diferenças entre guarda-redes negros e brancos, pois todos cometem erros: "Se o fizer, esse é que o problema."

E garante que, por ele, jamais deixará um campo de futebol devido a insultos racistas como recomenda a UEFA. "Não porque é isso que eles querem. E não quero dar aos que gritam o que querem. É claro que há limites, mas você também precisa entender que é a única forma que os adeptos rivais têm de te afetar", explicou o guardião camaronês.

Não é a primeira vez que Onana aborda o assunto. "Os guarda-redes negros devem estar bem preparados, não é fácil para nós", disse à BBC em maio de 2019. E em novembro voltou ao assunto, em declarações à RMC Sport : "Os clubes [europeus] não confiam em guarda-redes negros. É uma realidade, basta olhar, não sou só eu que o digo."

Formado no Barcelona, André Onana mudou-se para a Holanda em 2015. Um ano depois assumiu a titularidade no Ajax e desde então é dono da baliza do clube de Amesterdão, onde o guarda-redes português Bruno Varela é seu colega.

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