NFL dá a mão ao ativista Kaepernick. Treinos privados e entrevistas com 32 equipas

O quarterback que em 2016 se ajoelhava quando tocava o hino americano, em protesto contra os maus tratos policiais aos negros, vai ter direito a um treino privado com a presença de 32 franquias de forma a voltar à competição.

O quarterback Colin Kaepernick, ex-jogador dos San Francisco 49ers que em 2016 se tornou notícia pelos protestos sociais e raciais durante o hino nacional dos Estados Unidos, e que desde essa altura está sem equipa, vai ter neste sábado uma grande oportunidade para voltar a jogar futebol americano.

Numa iniciativa da NFL, o jogador vai realizar no próximo sábado uma sessão de treino privada em Atlanta, seguida de entrevistas, com representantes das 32 franquias, de forma a poder voltar a jogar. "Fui informado pelos meus representantes de uma ação da NFL. Mantive-me em forma nos últimos três anos e não vejo a hora de me poder mostrar aos treinadores e representantes das várias equipas", reagiu Kaepernick através das redes sociais.

Colin Kaepernick passou a estar na ordem do dia quando em 2016 se começou a ajoelhar durante o hino dos Estados Unidos antes do jogos (exemplo seguido por outros jogadores), tornando-se numa espécie de ícone do ativismo social na América, em protesto contra a discriminação racial e os maus-tratos policiais às minorias. E foi muitas vezes criticado por Donald Trump, que chegou a sugerir aos donos das equipas da NFL que despedissem os jogadores que protestassem durante o hino, aconselhando Kaepernick a "encontrar um país que seja melhor para ele".

"Não me vou levantar e mostrar orgulho pela bandeira de um país que oprime o povo negro e as pessoas de cor. Para mim, esta é uma questão maior do que o futebol e seria egoísta da minha parte virar a cara a esse assunto. Há pessoas mortas nas ruas e outras a receber licença com vencimento e a escapar impunes dos crimes", justificou na altura o quarterback.

Depois destes acontecimentos, e de ter prescindido do último ano de contrato com os San Francisco 49ers na expectativa de poder arranjar um vínculo melhor, Colin Kaepernick ficou sem equipa. Até hoje! Na altura falou-se mesmo numa espécie de boicote ao quarterback - em declarações ao site Bleacher Report, um diretor-geral de uma equipa que pediu o anonimato, admitiu que 70% dos diretores-gerais da NFL odiavam Kaepernick pelo que ele fez".

O jogador, juntamente com outro colega, Eric Reid, chegaram a dar entrada na justiça com ações contra a NFL, alegando um conluio entre os proprietários das franquias para que não fossem contratados para jogar. Mas em fevereiro deste ano a queixa foi retirada - de acordo com a imprensa especializada, a NFL pagou acordou pagar aos dois jogadores entre 70 a 80 milhões de dólares.

O quarterback voltou a estar no olho do furacão em 2018, quando protagonizou um anúncio da Nike de comemoração dos 30 anos do slogan "Just do it". A escolha de Kaepernick para rosto da campanha e a mensagem - "Acredite em algo. Mesmo que isso signifique sacrificar tudo. Apenas faça isso" - motivaram críticas de vários quadrantes, inclusivamente de Donald Trump, e queda das ações na bolsa. Certo é que apesar de todo este aparato as vendas da Nike nos dias imediatamente a seguir à campanha subiram 31%.

Agora, aos 32 anos, Kaepernick tem uma nova oportunidade para voltar a jogar futebol americano. Resta saber se para os proprietários das franquias e para os treinadores a sua versão de ativista ainda pesa e se depois de três anos sem competir ainda está habilitado para jogar ao mais alto nível.

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