Nápoles a ferro e fogo. Maus resultados, contestação e ordem do presidente não cumprida

Adeptos entoaram gritos de "mercenários" perto do balneário da equipa do sul de Itália, que ocupa o 7.º lugar do campeonato transalpino

Depois de várias temporadas como a principal ameaça à hegemonia da Juventus em Itália, o Nápoles atravessa uma crise de resultados que neste momento atira a equipa onde joga o lateral esquerdo internacional português Mário Rui para o 7.º lugar da liga italiana.

Após a derrota de sábado (1-2) frente à Roma de Paulo Fonseca, o polémico presidente Aurélio de Laurentiis ordenou uma concentração prolongada da equipa até este domingo, um dia depois da partida com o Génova. No entanto, depois do empate caseiro desta terça-feira com o Salzburgo (1-1), para a Liga dos Campeões, o autocarro do clube deixou o estádio sem os jogadores, que foram para as suas casas. "Pode dizer ao seu pai que não vamos", terão dito alguns dos pesos pesados do plantel, Mertens, Callejón e Allan, ao vice-presidente do clube e filho do presidente, Edoardo De Laurentiis, num momento que, segundo a Gazzetta dello Sport , ficou marcado por gritos e a iminência de confronto físico.

E o treinador Carlo Ancelotti, que já tinha discordado publicamente da decisão do presidente e que terá sido fundamental para acalmar a situação, não compareceu na conferência de imprensa que se seguiu ao duelo com os austríacos.

Em comunicado, o clube napolitano informou esta quarta-feira que, "tendo em conta o comportamento dos futebolistas na noite de 5 de novembro, irá defender os seus direitos económicos, patrimoniais, de imagem e disciplinares, junto das entidades competentes". As penalizações poderão atingir 5% do salário de cada jogador.

Segundo o mesmo jornal italiano, De Laurentiis reuniu com Ancelotti no final do treino desta quarta-feira e a discussão terá sido acesa, tendo o líder do emblema do sul do Itália já iniciado contactos com advogados acerca de um possível despedimento do treinador.

Quem também não está contente com o desempenho de jogadores e técnico são os grupos organizados de adeptos do Nápoles, que esta quinta-feira se concentraram à entrada dos balneários do Estádio San Paolo, entoaram cânticos de "mercenários" e "vão trabalhar", mostraram uma tarja onde se podia ler "respeito" e lançaram engenhos pirotécnicos. De acordo com a Gazzetta dello Sport, foram cerca de 100 os adeptos que mostraram o seu desagrado.