Miguel Oliveira, o piloto e aluno aplicado que sonhava ser médico

Depois de Miguel Oliveira ter conquistado a sua primeira vitória num grande prémio de MotoGP neste fim de semana na Áustria, o DN foi recuperar a conversa com o piloto quando este tinha 14 anos. Ficam os sonhos e as ambições do adolescente da Charneca de Caparica. Artigo publicado originalmente a 17 de janeiro de 2009.

Promissor. A maior esperança do motociclismo português tem como ídolo o italiano Valentino Rossi, máxima figura da modalidade no MotoGP. Aos 14 anos, lamenta não ter idade para conduzir uma moto na estrada. "Gostava, às vezes, de poder dar um passeio até à praia", diz

Miguel Oliveira é veloz nas pistas, onde já deu provas de ter um talento, inato, para conduzir motos, apesar de jovem (14 anos) e aplicado nos estudos. Frequenta o 8.º ano, tendo terminado o primeiro período escolar sem negativas, palavra que não consta do seu vocabulário, e tem uma meta bem definida, que pretende alcançar muito em breve. Humilde, mas já bastante maduro para apenas 14 anos, característica comprovada pelo discurso seguro, Miguel Oliveira ambiciona tornar-se o primeiro piloto português de motos na história a marcar presença no Campeonato do Mundo de motociclismo, no caso, na categoria de 125 cc, como também em qualquer outra das restantes classes (250 cc e MotoGP).

"O meu objetivo é chegar ao Mundial de 125 cc", disse ao DN Sport Miguel Oliveira, piloto natural da Charneca de Caparica, onde nasceu a 4 de Janeiro de 1995. Ainda adolescente, recebe uma mesada de 50 euros do pai, Paulo Oliveira, antigo piloto de velocidade em motos. O jovem prodígio, que reside na Charneca de Caparica, já governa o seu dinheiro.

"Com a mesada que o meu pai me dá, carrego o telemóvel e almoço na escola [frequenta a secundária na Sobreda de Caparica, também na Margem Sul] às terças, quartas e quintas-feiras", começou por contar ao DN Sport. "Sou muito poupado, uma vez que ainda consigo ter 15 euros no final de cada mês", prosseguiu.

Quando lhe perguntam se tem namorada, o jovem responde que não, que está "solteiro", e acrescenta, em poucas palavras: "Gosto de me divertir e de aproveitar a vida."

Na escola, onde nunca reprovou, prima pela discrição, procura passar à margem do facto de ser, já na adolescência, uma esperança do motociclismo nacional, e é dedicado e aplicado. "Não tenho negativas. Acabei o primeiro período sem negativas", responde-nos. E comenta algumas das notas que lhe foram atribuídas pelos professores. "Tive um 4 a Português, 4 a Inglês, 4 a Francês e 4 a Educação Física", afirmou.

Recentemente, "excedeu-se" a falar ao telemóvel e recebeu uma "reprimenda", saudável, do pai, Paulo Oliveira, que se pronuncia sobre o filho com natural orgulho. A mesada de 50 euros foi reduzida para 40, mas, ainda assim, conseguiu orientar-se e repartir o dinheiro por um mês.

Miguel Oliveira, que tem cara de miúdo mas que já se destaca pela compleição física, desenvolvida para 14 anos, define-se como um rapaz "calmo e confiante", que faz ginásio dadas às vicissitudes da carreira que deseja seguir fora das atividades escolares.

Bem-falante e simpático, denota, no entanto, alguma timidez, própria da responsabilidade a que já está sujeito, pois também quer ganhar um lugar na história do motociclismo. O piloto, que sonha exercer medicina, na área da ortopedia, gosta de passar "despercebido na escola", apesar de alguns professores e alguns colegas saberem que tem aptidão para acelerar e vencer a concorrência nos circuitos. "É possível conciliar os estudos com as motos", assegura.

Artigo publicado originalmente a 17 de janeiro de 2009.

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