Jorge Silas: "Sou demasiado teimoso para vacilar ou desistir de algum jogador"

O treinador do Sporting admite a possibilidade de a sua equipa apresentar coisas novas na partida deste domingo com o Belenenses SAD, a equipa onde começou a época. Sobre o plantel assumiu que está obcecado em promover a competitividade entre os jogadores, sem pensar no mercado de transferências de janeiro.

Jorge Silas, treinador do Sporting, reencontra este domingo o Belenenses SAD, em partida da 11.ª jornada da I Liga, depois de ter começado a temporada precisamente ao serviço dos azuis. O técnico admite conhecer bem os jogadores que vão entrar no relvado do Estádio José Alvalade e que do outro lado conhecem-no bem, mas deixou uma certeza: "Quando pensam que me conhecem, apareço com outras coisas..."

"Vão estar em campo duas equipas com potencial e estou à espera de um jogo aberto. Do que tenho visto, é uma equipa que tenta pressionar alto, dar um ritmo elevado, e nós também o vamos fazer, porque somos o Sporting, jogamos em casa e queremos ganhar", disse, recusando a ideia que tem vantagem: "Eu acho que tenho vantagem porque preparei o jogo a pensar muito na equipa deles, conheço muito bem a equipa deles. Eles acharão que têm vantagem porque me conhecem bem, mas tento ser o mais imprevisível possível."

Na Noruega, com o Rosenborg, o Sporting jogou com um sistema de três centrais, mas Silas não quer estar agarrado a isso e deixa uma promessa: "Provavelmente vão haver alterações novamente. Há coisas muito mais importantes numa equipa do que o sistema e que têm que acontecer em todos os sistemas." O técnico leonino esclarece que as mudanças surgem para "para poder atacar melhor" e assume que independentemente do sistema, é essencial que "não se cometam erros em nenhum sistema". "Vamos usar muitas vezes a linha de três, mas não se admirem que, de um jogo para o outro, apareçamos com um losango ou em 4x3x3. O nosso trabalho é surpreender o adversário", frisou.

Silas admite que o sistema de três centrais dá ao Sporting "estabilidade para ser muito imprevisíveis na frente", mas advertiu que "todos os sistemas precisam de ser afinados". "Vamos precisar de toda a gente até final da temporada. Não concordo com a ideia de preparar um só sistema. Melhor é preparar as coisas que acontecem em todos os sistemas", sublinhou.

Questionado sobre o discurso do presidente Frederico Varandas, na gala Rugidos do Leão, no qual admitiu que o plantel não tem os recursos desejados, Silas lembrou que a preocupação está centrada nos "oito jogos até à abertura do mercado". "Estamos aqui há cinco ou seis semanas e a nossa preocupação tem sido conhecer o plantel e perceber o que podemos melhorar. O pior inimigo de uma equipa de futebol é a falta de competitividade interna e queremos aumentá-la e não estamos a falar de reforços", frisou, explicando que o seu objetivo é "preparar todos" os atletas que tem à sua disposição "para todos poderem jogar".

"Entendo que haja opções minhas que nem toda a gente percebe, mas sou eu que tenho que as tomar. O meu objetivo é aumentar a competitividade interna, e vou aumentá-la porque sou muito teimoso, nunca desisto de nenhum jogador e esqueço o mercado completamente. Sou demasiado teimoso para vacilar ou desistir de algum jogador, pois a competitividade interna vem muito antes das vitórias", explicou.

A possibilidade de perder Bruno Fernandes na reabertura de mercado, em janeiro, não faz Silas sofrer por antecipação. "Se tiver que perder algum jogador, terei que procurar soluções. Claro que, provavelmente, muitos não conseguirão fazer o que o Bruno faz, pois estamos a falar de um dos melhores, se não o melhor, jogador da Liga portuguesa. Temos que estar preparados para isso, até porque ninguém está livre de uma lesão."

Jorge Silas revelou depois que Mathieu ainda não está recuperado de lesão e vai continuar fora da equipa, o mesmo acontecendo com Marcos Acuña, mas por outros motivos: "Achei que ainda não estava totalmente recuperado." Já Jesé Rodríguez poderá voltar a integrar a equipa.

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