Jorge Jesus: "Reforços? Só se forem melhores que os que cá estão"

O treinador do Benfica admite que ainda pretende um defesa e um avançado, falou sobre a saída de Florentino para o Mónaco e do plano que tem para Gonçalo Ramos. Sobre a ausência de público nos estádios apontou o dedo aos políticos: "Usem a máscara só para o covid."

A menos de duas semanas do fecho do mercado de transferências, Jorge Jesus admitiu que "estava planeado" reforçar o plantel do Benfica com um defesa-central e um avançado, mas deixou a ideia de que isso pode não acontecer: "Se não aparecer alguém melhor do que os jogadores que cá estão, não entra mais ninguém."

Nesse sentido, explicou que o empréstimo de Florentino Luís ao Mónaco, oficializado esta sexta-feira, se insere num caso especial, uma vez que inicialmente não queria perder o atleta. "É um dos jovens do Seixal que tem todas as condições para ser um dos jogadores mais efetivos da equipa. O Florentino tem várias qualidades: talento, que é o mais importante, e é muito inteligente taticamente tendo em conta a idade que tem. Acredito muito nele, mas precisa de jogar com regularidade, pois esteve um ano e pouco sem jogar e não pode evoluir na equipa B", explicou, revelando que neste momento tem "vários jogadores, como Weigl, Samaris e Gabriel, que podem jogar naquela posição" de médio mais defensivo.

"O Florentino já me tinha dito que queria sair. Na primeira conversa disse-lhe que não, mas depois apresentou-me alguns argumentos, um deles financeiro porque vai ganhar mais do que no Benfica", revelou, assumindo que conta com o atleta de 21 anos para o futuro: "Ele vai voltar melhor jogador. Pedi ao presidente para que o Mónaco não tenha hipótese de contratá-lo, através de uma cláusula de rescisão, para que possa voltar ao Benfica porque acredito que será um jogador muito importante."

Outro jogador que tem estado na ordem do dia benfiquista é o avançado Gonçalo Ramos, que contabiliza sete golos nas três primeiras jornadas da II Liga ao serviço da equipa B. Jorge Jesus deu a garantia que tem um projeto para o jogador de 19 anos. "O Gonçalo vai treinar comigo durante a semana e, sempre que não for convocado, vai jogar pela equipa B. Não pode é estar ser jogar", sublinhou, mostrando que conta com ele para o plantel principal.

Questionado sobre a eventualidade de perder Rúben Dias ainda neste mercado de transferências, o treinador do Benfica lembrou que "não há jogadores intocáveis, a não ser Messi e Ronaldo", mas sempre foi dizendo que o defesa-central "é um jogador importante", afinal "Rúben Dias é o único dos titulares do Benfica feito na academia do Seixal e é o único internacional português do Benfica que joga como titular da seleção... e isso quer dizer alguma coisa". Jesus assumiu ainda ser apreciador das qualidades do central: "É um miúdo que tem muito valor e tem importância num setor no qual só temos três opções, porque o Jardel está lesionado. No entanto, fui habituado, no Benfica, que os melhores saiam por questões financeiras, mas não gostava que saísse."

Jorge Jesus desmentiu depois ter tido algum problema com Weigl, mas acabou por deixar um recado. "Não sei de onde veio essa ideia. Até podia ter havido alguma divergência, mas isso não aconteceu até porque ele não entende suficientemente bem português para perceber o que pretendo dele. Mas estou aqui para assumir as minhas ideias e quando tiver de bater de frente com um jogador, não haverá qualquer problema", frisou.

Weigl é assim uma das opções para o meio-campo do Benfica no jogo deste sábado (18.30 horas no Estádio da Luz) frente ao Moreirense, a contar para a 2.ª jornada da I Liga, para o qual não vai poder contar com Taarabt que recupera de lesão. "Há várias hipóteses para substituir o Adel. O Pizzi fez dois anos comigo a jogar como segundo médio e tem treinado nessa posição, até porque é um jogador mais do corredor central. O Chiquinho que também trabalha nessa posição, na qual alinhou noutras equipas. Tenho várias opções, por isso mesmo é que libertei o Florentino, para que possa crescer", explicou.

Jorge Jesus lembrou que nas duas últimas visitas à Luz, o Moreirense não perdeu (um empate e uma vitória), razão pela qual considera que se trata de "uma equipa competitiva e bem organizada". "Eles vão estar obrigados a jogar mais no seu meio-campo e vão esperar pelo contra-ataque ou por uma bola parada para nos surpreenderem. No entanto, nós estamos preparados para todas as nuances e dificuldades que aparecerem", disse o técnico benfiquista.

"Público nos estádios? Os políticos que tirem a máscara"

O otimismo é uma das imagens de marca de Jesus, que deixou isso bem claro na conferência de imprensa de antevisão da partida da 2.ª jornada da I Liga. "A equipa vai crescer semana a semana, pela qualidade dos jogadores e do trabalho. Há muitos momentos de jogo que a equipa não faz tão bem, ainda não tem as ideias coletivas defensivas que eu pretendo. Ofensivamente tem vindo a melhorar porque é um momento de jogo que é mais fácil de trabalhar", afirmou.

Nesse sentido, deixou a certeza que "a pressão da exigência" a que a equipa do Benfica está sujeita "é boa". "Quero sempre que os meus jogadores façam mais golos e joguem melhor, por isso exigência é total durante os treinos e dos jogos. Só se pode exigir a quem tem qualidade. Este clube cresceu muito em infraestruturas e, como tal, temos sempre de ser melhores que os adversários e essa é a pressão a que estamos sujeitos", sublinhou, lembrando que leva "sete semanas de trabalho" neste seu regresso ao clube e, como tal, "ainda há muito para crescer".

Outra das revelações de Jorge Jesus foi o facto de o Benfica poder, esta época, "jogar com três defesas em alguns jogos". "Se acompanharam a minha carreira de treinador, os primeiros dez anos foi a jogar com três centrais", frisou.

Sem querer falar das eleições do Benfica, previstas para o final de outubro, Jorge Jesus foi mais expansivo sobre a questão da ausência do público dos estádios portugueses, tendo apontado o dedo à classe política. "Vejo de coração aberto o regresso dos adeptos e espero que aconteça em todo o mundo. Com todo o respeito pela Direção Geral da Saúde, não entendo porque não há espetadores no futebol. Temos de ser exemplo do quê? É diferente de estar no cinema, no teatro ou na festa do Avante? Temos o exemplo da Supertaça Europeia, que teve 20 mil pessoas. Não entendo porque não podem estar 15 ou 20 mil pessoas na Luz ou no Dragão, por exemplo. O futebol foi a atividade que melhor lidou com o vírus. Temos é de saber testar, prevenir e isolar. Se for tudo para casa, ficamos todos malucos. Os políticos que tirem a máscara e usem-na só para o covid", atirou.

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