Radiografia às SAD. Benfica respira melhor, Sporting e FC Porto em falência técnica

O Benfica foi a sociedade com a estrutura salarial mais baixa e o FC Porto a que teve a mais elevada, não detendo a totalidade do passe da maior parte dos jogadores do plantel, sendo que os encarnados são os únicos cuja estabilidade financeira não depende da compra e venda de jogadores.

Um estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia, que analisou a estabilidade financeira das Sociedades desportivas dos três principais clubes portugueses no final da época desportiva 2017-18, concluiu que o Benfica está a reduzir significativamente o endividamento, em comparação com o Sporting e o FC Porto, e é o único cuja estabilidade financeira não depende da compra e venda de jogadores.

No caso do valor do passe de jogadores versus o custo do plantel, as SAD do Sporting e do Benfica têm otimizado melhor a relação custo benefício, segundo o estudo. O clube da Luz conseguiu inclusive reduzir o valor do seu plantel (menos 9 milhões de euros) bem como a sua folha salarial (menos 7 M€), enquanto o clube de Alvalade aumentou o seu plantel devido à aquisição de três jogadores, num total de 27 M€, com aumento nos custos em ordenados não proporcionais.

Quanto ao FCPorto tem decrescido nas últimas três épocas, uma vez que é o clube que tem a estrutura salarial mais elevada, e não detém 100% do passe de 13 dos 21 jogadores ativos do plantel 2017-18. O Benfica foi a única sociedade que apresentou resultados positivos sem transação de jogadores, não fazendo depender a sua operação da compra e venda de jogadores para se manter financeiramente no positivo.

O Benfica foi ainda que obteve ainda o maior rendimento sem transação de jogadores (112 M€), enquanto que o Sporting foi o clube com menor rendimento sem transação de jogadores (92 M€).

Em falência técnica

Na variável que analisou os indicadores de endividamento, o estudo concluiu que o Sporting e o FC Porto encontravam-se no final da época passada em falência técnica, uma vez que o montante de financiamento por capital alheio (passivo), nomeadamente 283 milhões de euros no caso dos leões e 464 milhões de euros no caso dos portistas, era superior ao seu valor (ativo), que representa atualmente 269 M€ e 426 M€, respetivamente.

Na SAD do Sporting, o montante subiu na última época devido à redução do valor de atividades comerciais correntes e de vendas de jogadores (passou dos 57 M€ na época de 16-17, para 13M€ na de 17-18). No que diz respeito à SAD do Porto, o montante subiu devido ao aumento de passivo não corrente em sede de empréstimos bancários (passou de 40 M€ na época de 16-17, para 113 M€ na de 17-18).

Em comparação, a SAD do Benfica demonstrou um comportamento diferente, diminuindo o seu rácio de endividamento devido à redução do passivo que, de 438 M€ na época de 16-17, passou para 398 M€ em 17-18.

Quanto à folha salarial, o estudo do Observatório do Futebol da Universidade Europeia verificou que o Benfica é o clube que menos custos tem com a estrutura salarial, de 68 M€, em comparação com o rival nortenho (78 M€) e Sporting (74 M€).

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

Legalização da canábis, um debate sóbrio 

O debate público em Portugal sobre a legalização da canábis é frequentemente tratado com displicência. Uns arrumam rapidamente o assunto como irrelevante; outros acusam os proponentes de usarem o tema como mera bandeira política. Tais atitudes fazem pouco sentido, por dois motivos. Primeiro, a discussão sobre o enquadramento legal da canábis está hoje em curso em vários pontos do mundo, não faltando bons motivos para tal. Segundo, Portugal tem bons motivos e está em boas condições para fazer esse caminho. Resta saber se há vontade.

Premium

nuno camarneiro

É Natal, é Natal

A criança puxa a mãe pela manga na direcção do corredor dos brinquedos. - Olha, mamã! Anda por aqui, anda! A mãe resiste. - Primeiro vamos ao pão, depois logo se vê... - Mas, oh, mamã! A senhora veste roupas cansadas e sapatos com gelhas e calos, as mãos são de empregada de limpeza ou operária, o rosto é um retrato de tristeza. Olho para o cesto das compras e vejo latas de atum, um quilo de arroz e dois pacotes de leite, tudo de marca branca. A menina deixa-se levar contrariada, os olhos fixados nas cores e nos brilhos que se afastam. - Depois vamos, não vamos, mamã? - Depois logo se vê, filhinha, depois logo se vê...