Portugal defronta Alemanha para subir ao Championship

Seleção nacional vai defrontar este sábado a Alemanha, em Frankfurt, no "play-off" de acesso ao European Championship, naquele que deverá ser o último jogo de Martim Aguiar ao comando dos Lobos. Patrice Lagisquet prepara-se para ser o próximo selecionador nacional.

Há muito que se sabia ser o duelo frente à Alemanha, 28.ª do ranking mundial e última classificada do European Championship, a contar para o "play-off" de acesso a essa 1.ª divisão europeia (já que o Torneio das Seis Nações está num patamar diferente...) e de onde Portugal, que ocupa a posição 22 no ranking saiu em 2016, a partida mais importante da nossa época internacional.

Pena é que este jogo vital para o futuro a curto e médio prazo da seleção nacional - a realizar, amanhã, no estádio do Frankfurt Rugby Club 1880, pelas 13.00 horas portuguesas - surja precisamente agora, em meados de junho e no final de uma temporada que já vai longa, quatro semanas depois da final do campeonato nacional e três após a final da Taça que fechou a época interna.

E esta circunstância, que segundo o selecionador nacional Martim Aguiar - que deverá cumprir amanhã o seu derradeiro jogo ao comando da seleção nacional - até foi benéfica pois "permitiu ter tempo para trabalhar com mais calma e detalhe alguns aspetos do nosso jogo", inviabilizou o tão necessário reforço do conjunto nacional pois apesar do esforço desenvolvido pela nova direção federativa, a grande maioria dos jogadores profissionais contactados e que alinham em clubes franceses ou se encontram lesionados ou mostraram indisponibilidade para representar a seleção dado já se encontrarem de férias. Casos de Jean de Sousa, Julien Bardy e mesmo Pedro Ávila, em processo de mudança dos ingleses do Newcastle Falcons para o francês Oyonnax e que continua, ao que parece, "sem acreditar no atual projeto da seleção" (o que quer que isso queira significar...).

As exceções são assim o pilar Anthony Alves (Aurillac da 2.ª divisão gaulesa), o 3.ª linha Jacques Le Roux (Moseley, 3.ª divisão inglesa) e o defesa Manuel Cardoso Pinto (que esta época alinhou nos holandeses do Diok), que vão robustecer o lote de jogadores muito jovens, alguns campeões e bicampeões europeus sub-20, que ao longo desta temporada tiveram a honra e o orgulho de representar as cores nacionais. E com assinalável sucesso, pois pelo terceiro ano seguido Portugal venceu o European Trophy só com vitórias - e já são 15 nos 15 desafios realizados em três épocas nesta 2.ª divisão europeia de onde urge sair para que os nossos principais atletas possam por fim evoluir em compita com seleções de um nível superior como Geórgia, Roménia, Rússia ou Espanha.

À terceira será de vez?

Os Lobos saíram derrotados nos dois últimos "play-offs" diante da Bélgica (29-18) em 2017 e Roménia (36-6) em 2018. Mas Martim Aguiar, apesar de reconhecer o favoritismo germânico, até por que "eles surgirão com um ritmo de uma divisão superior e apesar do desinvestimento na seleção devido à saída do principal patrocinador, o dono da Capri-Sonne (que resolveu investir a fundo nos franceses do Stade Français), ainda mantêm 4/5 jogadores sul-africanos que fizeram toda a época internacional, têm uma avançada pesada, forte no "maul" e nos "turnovers" e com três-quartos poderosos", acredita que à terceira será mesmo de vez, batendo uma Alemanha que, desde o princípio do ano só somou derrotas nos cinco jogos efetuados mas é dirigida pelo inglês Mike Ford, um dos mais conceituados técnicos britânicos e antigo responsável dos Saracens, Bath e Toulon.

"Temos jogadores jovens, rápidos, muito dotados tecnicamente e com opções para todas as posições, o que gera mais confiança. E o selecionador nacional assegura: "Os jogadores trabalharam muito bem, estão focados e durante toda a época fizemos a nossa campanha com olhos postos neste jogo com a Alemanha. Estamos confiantes e o nosso objetivo é claramente subir ao Championship".

Quanto à importância do encontro para o futuro do râguebi nacional, o presidente da Federação Portuguesa de Rugby eleito há pouco mais de dois meses, Carlos Amado da Silva, mesmo reconhecendo que seria muito bom vencer, desvaloriza um eventual desaire. "Face ao atraso na realização das eleições esta época foi um ano perdido, mas acredito que vamos vencer. O projeto que temos para o Mundial 2023 continua de pé, independentemente da ganharmos ou não. Uma derrota não é determinante mas é uma contrariedade e obriga a recomeçar do zero. Em caso de subida, claro que queimamos logo uma etapa. A estratégia está montada, ganhe-se ou perca-se o jogo. Claro que um patamar competitivo mais elevado aumenta os apoios financeiros, pelo que o triunfo seria importante", conclui.

"Expresso de Bayonne" poderá estar a chegar...

Isto enquanto decorrem negociações com Patrice Lagisquet - segundo informações hoje surgidas em jornais franceses e já confirmadas pelo DN, que sabe faltarem acertar ainda aspetos relevantes - para que o antigo e mui rápido ponta internacional francês, de 56 anos (conhecido como o "Expresso de Bayonne" representou a França em 46 ocasiões tendo sido finalista derrotado no Mundial de 1987), antigo treinador do Biarritz e ex-adjunto de Phillype Saint-André na principal seleção gaulesa entre 2012/2015, seja o futuro selecionador nacional.

No histórico de confrontos entre portugueses e alemães, existe vantagem nacional com seis vitórias nas 11 partidas disputadas. Mas precisamente há um ano, em Heidelberg, no apuramento para o Mundial deste ano, os Lobos foram derrotados por 16-13. E não vencem os germânicos desde fevereiro de 2015 (11-3, em Lisboa).
Portugal vai alinhar de início com: Manuel Marta; Rodrigo Marta, Rodrigo Freudenthal, Tomás Appleton, António Cortes; Jorge Abecasis, João Belo; Jacques Le Roux, Salvador Vassalo (cap.), David Wallis, José Rebelo de Andrade, José D"Alte, Anthony Alves, Nuno Mascarenhas e João Vasco Corte-Real.
No banco estarão as opções Francisco Bruno, Duarte Diniz, Bruno Rocha, Salvador Cunha, Sebastião Villax, Gonçalo Prazeres, António Vidinha e Manuel Cardoso Pinto.

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