O adeus de Van Gaal: do grande Ajax dos anos 90 ao último fracasso em Old Trafford

Polémico treinador holandês anunciou a retirada definitiva dos bancos de futebol

Aloysius Paulus Maria van Gaal. Para a história do futebol, Louis van Gaal, treinador meio génio meio louco que acumulou sucessos e fracassos com a mesma dose de grandeza. Aos 65 anos, o holandês assumiu a reforma. Treinar, nunca mais - assegurou a uma televisão do seu país. Agora, o homem que mostrou ao futebol uma das melhores gerações holandesas de futebolistas, liderando o histórico Ajax a uma segunda era de sucesso europeu nos anos 1990, quer dedicar o seu tempo à mulher:

"Tal como os jogadores, também a minha mulher tem direito a uma vida comigo. E posso dizer que está muito contente", disse Van Gaal, no programa VTBL, onde revelou que não pensa voltar aos bancos. "A minha mulher deixou de trabalhar há 22 anos para me poder acompanhar nos trabalhos no estrangeiro. Disse-lhe que me retirava aos 55 anos e já vou nos 65. Não posso continuar e continuar...", explicou.

Despedida com troféu

O último trabalho de Van Gaal no mundo do futebol foi a tentativa falhada de devolver o Manchester United ao topo do futebol inglês na era pós-Ferguson, cedendo o lugar ao seu antigo adjunto... José Mourinho, no final da época 2015/16. Ainda assim, o holandês conseguiu despedir-se com um troféu, naquele que fica então como o último jogo da sua carreira enquanto treinador: a final da Taça da Inglaterra, na qual o United venceu o Crystal Palace após prolongamento, permitindo assim a Van Gaal levantar o seu último troféu numa carreira que começou cheia de êxitos, com o Ajax, na primeira metade da década de 1990, e foi caindo nos últimos anos.

Um grande Ajax para apresentação

Nesse início de carreira, Van Gaal liderou uma das mais brilhantes gerações do Ajax e do futebol holandês, lançando nomes como Van der Sar, Frank e Ronald de Boer, Edgar Davids, Clarence Seedorf, MarcOvermars, Dennis Bergkamp e Patrick Kluivert, entre outros, com os quais ganhou uma Liga Europa, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental, entre 1991 e 1995, naquela que foi a última equipa holandesa a ditar modas no futebol internacional.

Dois títulos e muitas polémicas em Barcelona

Daí, seguiu-se o passo natural para qualquer holandês de sucesso e Van Gaal rumou a Camp Nou na tentativa de emular o sucesso de Johan Cruyff no banco do Barcelona. Ali, além do génio tático do treinador holandês, começou a ganhar projeção também a faceta difícil da sua personalidade, no relacionamento com os media e com os jogadores - uma das suas "vítimas" mais célebres foi o português Vítor Baía, contratado ao FC Porto como um dos maiores nomes das balizas do futebol mundial e votado ao ostracismo pelo holandês.

Em Barcelona, onde teve José Mourinho como aprendiz, conseguiu ganhar duas ligas espanholas nas duas primeiras épocas (1997/98 e 1998/99), mas os falhanços nas provas europeias, o título perdido para o Deportivo La Coruña na terceira época e, sobretudo, o feitio irascível levaram à sua saída em 2000 com uma célebre frase: "Amigos de la prensa: me voy. Felicidades."

Sucessão de fracassos

Voltaria a Camp Nou em 2002/03 depois do fracasso como selecionador na campanha de qualificação holandesa para o Mundial 2002, no grupo de Portugal - primeira vez desde 1986 que a seleção laranja falhou a presença num campeonato do mundo. Mas a segunda passagem por Barcelona foi um ato falhado e Van Gaal saiu ao fim de meio ano, com a equipa num impensável 12.º lugar e três pontos apenas acima da linha de água.

Em 2004 regressaria ao Ajax, no papel de diretor técnico, mas a espiral negativa continuou e Van Gaal saiu em colisão com o treinador - outro seu antigo adjunto no Barcelona, Ronald Koeman.

Carreira relançada em Alkmaar

Van Gaal conseguiu relançar a carreira no AZ Alkmaar, onde assinou a proeza de ganhar um título holandês em 2008/09, o que lhe abriu de novo as portas dos grandes europeus. Contratado pelo Bayern de Munique, ganhou o título de campeão e a taça alemã na temporada seguinte, 2009/10, chegando também à final da Liga dos Campeões, que perderia em Madrid numa final em que se viu superado pelo Inter do seu ex-adjunto José Mourinho.

Foi o último título de campeão nacional para Van Gaal, que depois de sair do Bayern voltou a experimentar o cargo de selecionador holandês, redimindo-se do fracasso de início de século com uma ida às meias-finais no Brasil 2014, onde só foi afastado do jogo decisivo no desempate por penáltis com a Argentina.

Depois disso, o Manchester United lançou-lhe o último grande desafio: devolver o clube de Old Trafford aos dias de glória construídos por Alex Ferguson. Saiu ao fim de dois anos, apenas com uma Taça de Inglaterra para fechar o currículo.

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